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MHuD homenageia Boal com Prêmio João Canuto - Centro de Teatro do Oprimido



22/10/2009

Centro de Teatro do Oprimido
Outubro de 2009
Autor: Ney Motta
www.ctorio.org.br

No dia 22 de outubro, o Movimento Humanos Direitos (MHuD), cuja presidenta é a atriz Dira Paes, concedeu o Prêmio João Canuto de Direitos Humanos à Augusto Boal  (in memorian). Na platéia, representantes do Governo Federal, representantes de movimentos sociais e artistas.

A homenagem aconteceu durante a 3ª Reunião Científica Trabalho Escravo e Questões Correlatas promovida pelo Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo do Núcleo de Políticas Públicas em Direitos Humanos da UFRJ, com apoio do MHuD, e a cerimônia de entrega vai acontece às 17:30h, como parte do Painel Direitos Humanos no Brasil Hoje, no Auditório

Manoel Maurício, prédio CFCH, que fica na Praia Vermelha n° 250, Rio de Janeiro. O ator Eduardo Tornaghi foi o mestre de cerimônias e coube ao ator Osmar Prado a apresentação da história de Augusto Boal e a entrega da honraria para  Alessandro Conceição, que epresentou a equipe do Centro de Teatro do Oprimido, que em sua maioria está na Áustria para o World Forum Theatre Festival. Alessandro fez uma esplanação a respeito das atividades do Centro de Teatro do Oprimido e em seguida chamou Monique Rodrigues que apresentou o grupo popular de Teatro do Oprimido Liberarte, composto por pacientes detentos do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho, antigo Presídio Frei Caneca, que presentou a peça teatral “Anseios por liberdade”. A peça trata da longa permanência dos internos no Hospital Penitenciário, tempo que se perpetua para muito além do determinado pela medida de segurança. Foca-se esta questão nos casos que possuem como causa a lentidão do aparato judiciário, a ineficiência do tratamento das equipes do hospital, a falta de apoio familiar e a escassez de instituições que possam acolher estes casos (como as residências terapêuticas). Após a apresentação Monique fez a curingagem, quando houve uma boa participação da platéia. Ao final todos aplaudiram de pé a participação do Centro de Teatro do Oprimido.

A carta convite encaminhada pelo MHuD ao Centro de Teatro do Oprimido, está assinada por: Adair Rocha, Aroeira, Bete Mendes, Bruno Cattoni, Camila Pitanga, Carla Marins, Cássia Reis, César Guerreiro, Chico  Diaz, Clarice Niskier, Clarisse Sette, Cristiane Costa, Cristina Pereira, Daniel C. de Souza, Daniel Negri, Dedina Bernadelli, Dira Paes, Eduardo Tornaghi, Emilio Gallo, Generosa de Oliveira, Gilberto Miranda, Íris Gomes da Costa, Leonardo Vieira, Letícia Sabatella, Luciana Lopes, Luiz Fernando Lobo, Maria Zilda, Marcos Frota, Marcos Winter, Mario da Paixão Taurinho, Miriam Rezende, Osmar Prado, Otto, Pepita Rodriguez, Priscila Camargo, Ricardo Rezende, Salete Hallack, Silvia Buarque, Vic Militello, Virginia Berriel, Wagner Moura e Zezé Polessa.

Quem foi João Canuto?

Após várias ameaças de morte, o dirigente sindical, João Canuto, foi assassinado com 18 tiros, no dia 18 de dezembro de 1985. Ele era perseguido principalmente por sua luta pela reforma agrária. O crime foi planejado por um grupo de fazendeiros do sul do Pará, entre eles Adilson Carvalho Laranjeira, fazendeiro e prefeito de Rio Maria na ocasião do assassinato, e Vantuir Gonçalves de Paula. O inquérito foi concluído oito anos após a ocorrência do crime. A denúncia foi feita pelo Ministério Público apenas em 1996. Um ano depois, sob ameaça da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) de condenar o governo brasileiro pela demora na apuração dos fatos, o andamento do processo foi agilizado. Em 1999, o Brasil foi condenado pela Comissão Interamericana devido à lentidão na apuração do caso. Sob pressão de organizações de direitos humanos, em 2001, os dois acusados foram pronunciados como mandantes do assassinato.

Vale ressaltar, entretanto, que a perseguição e violência contra os trabalhadores rurais continuam na região. Cinco anos após a morte de João Canuto, três de seus filhos, Orlando, José e Paulo, foram seqüestrados e dois deles foram assassinados. Orlando sobreviveu, mas ficou gravemente ferido. Expedito Ribeiro, sucessor de João Canuto na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, foi assassinado em 2 de fevereiro de 1991. Um mês depois, Carlos Cabral, sucessor de Ribeiro e genro de Canuto, foi ferido num atentado a bala.



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