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Prêmio João Canuto 2010 - UFRJ



21/10/2010

O MHuD uma vez por ano outorga o Prêmio João Canuto aos Defensores dos Direitos Humanos.


UFRJ Praia Vermelha, Rio de Janeiro
21 de Outubro de 2010

ABERTURA



  Camila Pitanga, em nome do MHuD, apresentou os mais sinceros agradecimentos aos professores e debatedores nas reuniões que precederam esta cerimônia, e a todos aqueles que nos apoiaram em sua organização e realização, em especial a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República na pessoa do Ministro Paulo Vanucchi, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, aqui representada pelo Decano do CFCH/UFRJ Marcelo Correa, pelo Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos Sueli Souza de Almeida (NEPP-DH), e pelo Grupo de Pesquisa do Trabalho Escravo Contemporâneo (GPTEC).
                   

Decano do CFCH/UFRJ Marcelo Correa.


Min. da Sec. dos Direitos Humanos Paulo Vannuchi

PREMIAÇÃO:

O ator Licurgo apresenta Leonardo Sakamoto da Repórter Brasil e o Ministro Vannuchi entrega o Prêmio João Canuto.

LEONARDO MORETTI SAKAMOTO

Se for permitido um tom mais leve em assunto tão sério, pode ser dito que esse jovem paulistano, nascido em 1977, é o nosso samurai dos direitos humanos.

Com sólida formação acadêmica, formou-se em Jornalismo em 1998 na Universidade de São Paulo (USP), apresentando o trabalho Timor – o rosto coberto pela guerra. Ainda pela USP em 2003 completou o mestrado em Ciência Política, com a dissertação A independência de Timor Leste: um estudo sobre as causas do sucesso da Resistência Timorense na luta contra a Indonésia; e em 2007 obteve o título de doutor em Ciência Política, com a tese Os Acionistas da Casa-grande: a reinvenção capitalista do trabalho escravo no Brasil.

Ainda estudante universitário começou a correr o mundo em busca de episódios de abuso contra a pessoa humana, fazendo a cobertura das guerras no Timor Leste, Angola e Paquistão, a primeira resultando no seu trabalho final da graduação em Jornalismo. Esse o rumo da área de estudo que escolheu, e que não mais abandonou.

A despeito de sua intensa atividade como defensor dos direitos humanos não abandonou a vida acadêmica. Na Universidade de São Paulo foi, sucessivamente, Professor Conferencista responsável pelo Laboratório de Introdução ao Jornalismo, e Pesquisador do Núcleo de Apoio à Pesquisa sobre Democratização e Desenvolvimento da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.

Atualmente é professor do curso de pós-graduação em Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).

Publicou em 2006 o livro Trabalho Escravo no Brasil do Século XXI e é autor de capítulos de vários livros. Tem artigos e uma infinidade de textos publicados em jornais e revistas.
Foi percorrendo o interior do Brasil que Leonardo Sakamoto encontrou uma das maiores manifestações de violação dos direitos humanos, o trabalho escravo contemporâneo. Publicou várias reportagens sobre o tema, e tendo trabalhado bastante tempo em revistas, agências de notícias e grandes veículos de comunicação, se convenceu de que era preciso algo mais efetivo em termos de jornalismo. Assim é que fundou em 2001, com um grupo de pessoas com a mesma preocupação e uma nova concepção de imprensa, a ONG Reportes Brasil, talvez a entidade de atuação mais constante na luta pelos direitos humanos em nosso país.

É coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo - CONATRAE. Foi relator do Segundo Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo no Brasil. Coordenou o mapeamento da cadeia produtiva que usa trabalho escravo, o que levou mais de 100 grandes empresas ao cancelamento de contratos com esses fornecedores, e a assinarem o Pacto Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo. Sua meta atual é disseminar a luta nos países da América Latina, usando como ponta de lança as empresas que atuam nesses países e, a partir da mobilização das empresas, mobilizar os governos.

Essa atuação incansável é reconhecida internacionalmente, e foi causa da atribuição de prêmios: Prêmio de Imprensa Social, do Fórum Brasileiro de Imprensa, Terceiro Setor e Cidadania Empresarial (2001); Prêmio Ethos de Jornalismo, do Instituto Ethos da Fundação Ford (2002); Prêmio Jair Borin de Mídia Crítica, do Instituto de Estudos Avançados da USP (2003); Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, da Federação Nacional de Jornalismo, Ordem dos Advogados do Brasil, Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e Arquidiocese de São Paulo (2003); Menção Honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos (2005); Prêmio Combate ao Trabalho Escravo na categoria Personalidade, da Organização Internacional do Trabalho, Associação dos Juízes Federais do Brasil, Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho e Associação Nacional dos Procuradores da República (2006); Prêmio Nacional de Direitos Humanos, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (2008); Freedom Award – Free the Slaves, da John Templeton Foundation, (2008).

Esse é um esboço do ativista de direitos humanos e jornalista social, que apresenta para a pergunta “Mas essa é sua função como jornalista?” a resposta “Essa é minha função como ser humano”.
A ele também nossa homenagem. Leonardo Sakamoto.

A Atriz Priscila Camargo entrega o Prêmio João Canuto para Alexandre Anderson de Souza.

ASSISTA O VÍDEO com Alexandre Souza

ALEXANDRE ANDERSON DE SOUZA

Nascido na cidade do Rio de Janeiro em 13 de outubro de 1970, nosso homenageado seguiu um caminho sinuoso que, no entanto, nunca o afastou do mar e, mais especificamente, da Baía de Guanabara. Completado o 2º grau, cumpriu o serviço militar na Força Aérea Brasileira, na Base Aérea do Galeão. Depois disso trabalhou como Técnico de Operações Portuárias, como terceirizado em funções administrativas, em perícia técnica em materiais siderúrgicos portuários, no Plano Diretor de Transporte do Estado do Rio de Janeiro em 2005, no Censo de 2000 e no Censo Agropecuário em 2007, mas nunca deixando de lado a atividade, ainda que intermitente, de pescador artesanal, exercida desde 1988 na Baía de Guanabara.
                   
Nessa atividade de pesca que tomou conhecimento dos graves problemas enfrentados pelos trabalhadores que vivem da pesca na Baía de Guanabara, assaltada por todo o tipo de agressões que, como subproduto, lhes reduz a cada dia o meio de subsistência. Em 2003, com um pequeno grupo de companheiros, participou da criação do Grupo Homens do Mar da Baía de Guanabara, que desaguou na fundação, em 13 de janeiro de 2007, da Associação Homens do Mar da Baía de Guanabara – AHOMAR, hoje com cerca de 800 associados, homens e mulheres, da qual foi eleito presidente com expressiva votação.
                 
A situação precária desses associados se viu recentemente agravada com a contratação de empreiteiras, pela Petrobras, para a realização de projetos na Baía de Guanabara, o que levou a AHOMAR a apresentar denúncia ao Ministério Público Federal, indicando diversas irregularidades, inclusive no licenciamento ambiental da obra de um gasoduto, tendo sido aberto um Inquérito Civil Público.
                  
Certamente não por coincidência, em 1º de maio de 2009 Alexandre escapou de um atentado nas imediações dessa obra, sendo disparados quatro tiros contra ele. E em 22 de maio, o mesmo dia em que a agência ambiental ordenou a suspensão dos trabalhos dessa obra, Paulo Santos Souza, Tesoureiro da AHOMAR, foi retirado para fora de sua casa, espancado na frente de sua família e assassinado com cinco tiros na cabeça. Antes de matá-lo os assassinos o interrogaram sobre documentos pertencentes à AHOMAR.

Em prévia desse assassinato alguns membros da AHOMAR já haviam recebido ameaças de morte. Em 31 de julho de 2010, quando Alexandre e sua mulher estavam voltavam para casa no fim da tarde, perceberam dois desconhecidos, armados, olhando pela janela da casa. Chamaram dois policiais militares que estavam por perto, e estes ao se aproximarem da casa foram recebidos a tiros pelos dois homens, não identificados, enquanto Alexandre e a mulher presenciavam a cena.

Em agosto de 2009 Alexandre Anderson e sua esposa foram incluídos no Programa Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos. A proteção oferecida é insuficiente, apesar das advertências feitas. Em 1º de setembro, avisada de que Alexandre estava em perigo iminente de ser seqüestrado, a polícia demorou uma hora para chegar a sua casa. Mais tarde, naquele dia, policiais tentaram prendê-lo, sem mandado, sendo impedidos por outros membros da AHOMAR, sem que explicassem a razão para a tentativa de prisão. Um deles lhe disse que ele estava em perigo, e “se eu fosse você, não ia mais para o mar, nem para pescar, nem para passear”, acrescentando que ele deveria “ficar quietinho, em casa”.

Ainda assim Alexandre não desistiu; continua na luta da qual fez um dos objetivos de sua vida.
Nossa homenagem e nosso aplauso.

Darci Tupã, Guarani da Aldeia Camboinhas, entrega o Prêmio João Canuto para o CIMI - Conselho Indigenista Missionário.



O vice-presidente do CIMI, Roberto Liebgott, recebeu o Prêmio Joâo Canuto.

CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO - CIMI

O Conselho Indigenista Missionário – CIMI, é órgão criado em 1972 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a fim de ser sua extensão militante e operacional para a questão indígena, quase sempre um problema ignorado pela sociedade.

Seu objetivo, em termos muito amplos, é a luta pelo direito à diversidade cultural dos povos indígenas, mediante o fortalecimento da autonomia desses povos, articulando a elaboração e desenvolvimento de projetos alternativos, observada a variedade étnica e a característica democrática, com vista a combater o desrespeito aos direitos dos diversos grupos indígenas e bloqueio das tentativas de sua integração à sociedade brasileira.

Em termos mais detalhados, o CIMI adota como meio de ação o estímulo ao trabalho missionário junto às comunidades indígenas, cuidando da formação permanente, integral e específica dos missionários e missionárias; atuação que é exercida com permanente busca de conhecimento e valorização de sua cultura. Ainda, de forma mais direta, dando assistência e assessoramento aos povos indígenas e organizações por eles criadas, nas necessidades da vida quotidiana e em seus processos educativos; o que não exclui assessoria técnica e jurídica na defesa dos seus direitos e de seu patrimônio histórico, cultural e material.

Não negando sua origem religiosa, o CIMI faz pregação dos valores cristãos do Evangelho, como justiça, solidariedade e paz, entre outros, como expressão da missão da Igreja, em linguagem acessível aos indígenas e que faz parte do processo de inculturação. Mas nisso, e em sua própria atuação, age com verdadeiro espírito ecumênico, não apenas mediante um diálogo inter-religioso mas, sobretudo, procurando a colaboração com as missões de outras confissões religiosas, cristãs e não cristãs, que encontra abertas ao diálogo inter-religioso.

É importante sua participação na Pastoral Indigenista, em cujo âmbito organiza encontros e estudos sobre a atualidade de problemas dos povos indígenas. Dentro dessa linha dá importante colaboração à Comissão Episcopal Pastoral para ação Missionária e a cooperação intereclesial quanto à análise e formulação das orientações da Pastoral Indigenista, ao relacionamento com os povos indígenas e ao aprofundamento da atuação missionária da Igreja.

O CIMI tem a exata medida da importância de levar ao conhecimento da opinião pública da realidade dos povos indígenas, o que não deixa de fazer em seus relatórios, como aquele divulgado pela TV Rondônia me julho de 2010, registrando o assassinato de pelo menos 60 indígenas em 2009, a maior parte relacionada com conflitos de terra. E para tornar mais efetiva a divulgação de seu trabalho e suas idéias, publica o boletim Mundo, já com quase 1.000 números, e edita desde 1979 o jornal Porantim.

Sem esgotar sua atuação nos pontos indicados, e considerando a ligação dos temas com a situação dos indígenas, ainda se desdobra na proteção do meio ambiente, do consumidor, do patrimônio público, social, artístico, estético e histórico, e de outros interesses difusos e coletivos. Vem criticando a omissão do poder público nas áreas de educação e saúde, tendo denunciado os problemas com a saúde dos quatro povos indígenas que vivem no município de Feijó, na região central do Acre. E tem sido um dos líderes do movimento contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no município de Altamira, no Pará.

Eis, em breves linhas, a descrição de nosso homenageado, que por sua atuação é merecedor de estima e respeito.

O ator Antonio Pitanga entrega o Prêmio João Canuto para o Comitê Popular de Combate e Erradicação do Trabalho Escravo no Norte e Noroeste Fluminense.

Os Camponeses de Campos, presentearam o MHuD com uma grande cesta com vários produtos agrícolas sem agrotóxicos, que ao final da festa, foram destribuídos entre os presentes.
Subiram ao palco 18 pessoas, o mais animado deles, deu o "grito de guerra" tradicional e levantou a platéia puxando uma palavra de ordem que terminava com: "Reforma Agrária Sim! Trabalho Escravo Não!".

ASSISTA O VÍDEO DO "Grito de Guerra"

COMITÊ POPULAR DE COMBATE E ERRADICAÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO NO NORTE E NOROESTE FLUMINENSE


O Estado do Rio de Janeiro convive, na parte superior de seu território, com uma das maiores chagas sociais de nossos dias, o trabalho escravo contemporâneo. Não por coincidência, lá sobrevive, entrincheirada nas usinas de açúcar e álcool, a mesma elite formada pelos antigos barões da cana-de-açúcar, reduto da última resistência contra a abolição da escravatura no Brasil. Região ainda sujeita a forte influência da monocultura da cana, limitando as opções de emprego, é exatamente nessas usinas que se concentra a maior parte dos casos de escravidão e trabalho em condições degradantes, tendo como vítimas principalmente migrantes, o que é uma característica desse tipo de crime.

Essa moldura sócio-econômica é que se encontra na origem do Comitê Popular de Combate e Erradicação do Trabalho Escravo no Norte e Noroeste Fluminense, e pelas condições adversas que impõe à sua atuação a torna ainda mais digna de apoio e reconhecimento.

O Comitê, fruto de uma mobilização de que participaram o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Ministério do Trabalho e Emprego (TEM), foi criado em 2003, reunindo 18 entidades que atuam na região, e é o movimento social de resistência mais forte ali formado. Embora se ressentindo da falta de visibilidade de suas ações e da força dos adversários que combatem, apoiados em prestígio, poder político e econômico, e até do prestígio de tradições centenárias, tem conseguido resultados importantes.

Desde sua criação vem canalizando as denúncias de crimes contra trabalhadores das usinas, onde há trabalho até de crianças. Repassa e divulga as denúncias de trabalho realizado sob a vigilância de capatazes, queimadas realizadas com os trabalhadores presentes, fornecimento de moradia insalubre, de comida estragada e de água suja, não raro com coliformes fecais, são apenas parte dos abusos praticados e denunciados. Também denuncia as manobras que espoliam os trabalhadores no pagamento, como salário definido pelo empregador e abaixo do justo, descontos indevidos, fraude na pesagem e na conversão de valores, e a sofisticada fraude de cálculo em programa de computador, utilizando softwares para tanto desenvolvidos.

A isso se somam as dívidas impagáveis, de tudo resultando doenças como hipertensão, diabete e alcoolismo, que levam ao envelhecimento e à morte prematuramente. Só no entorno da cidade de Campos se estima que hajam cerca de 10 mil trabalhadores da monocultura de cana, pelo menos a metade em situação trabalhista clandestina, isto é, sem registro e direitos trabalhistas, o que dá idéia da dimensão do problema.

Com todas as dificuldades, a luta do Comitê prossegue. Incentiva a denúncia de ocorrências de trabalho escravo, degradante ou infantil, promove a formação de trabalhadores e a divulgação de seus direitos e legislação aplicável ao trabalho rural. Vem promovendo e participando periodicamente de seminários, em parceria com entidades como a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Procuradoria Regional do Trabalho e a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, por sua Comissão de Trabalho.

Dessa forma, e principalmente provocando a ação da Delegacia Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (DRT/RJ), o Comitê tem conseguido resultados alentadores, com melhoria das condições de trabalho e, em especial, a libertação de trabalhadores e pagamento de direitos trabalhistas, apesar de estar longe a eliminação dos abusos.

Por esse ativismo o Comitê recebeu em 2006 o Prêmio Nacional de Direitos Humanos na categoria Organizações, concedido pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH).
E recebe agora também a nossa homenagem.

A atriz Letícia Sabatella entrega o Prêmio João Canuto para o Movimento 11 de Dezembro de Santo Antônio de Jesus, representado por Rosa Rocha e Ana Maria Santos, do Fórum de Direitos Humanos de Salvador.

MOVIMENTO 11 DE DEZEMBRO DE SANTO ANTÔNIO DE JESUS - BAHIA

Esse movimento social foi fundado em novembro de 1999 pelos familiares das vítimas da criminosa explosão de uma fábrica de fogos clandestina, em 11 de dezembro de 1998, no município de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano. Como resultado a morte de 62 mulheres e 2 crianças. O Movimento era o início da reação contra a impunidade e o descaso das autoridades, que já se faziam prenunciar.

O responsável é o empresário Osvaldo Prazeres Bastos, conhecido como “Vardo dos Fogos”, que foi responsabilizado juntamente com 7 outras pessoas, parentes e sócios na fábrica clandestina. Ninguém ainda foi punido.

O deputado Yulo Oiticica, da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa da Bahia, que acompanha o drama das famílias desde o acidente, diz que cada vez se torna mais difícil alguma reparação financeira por parte do fabricante de fogos, que permanece em liberdade: “Ele transferiu todos os bens para nomes de outras pessoas. Continua empresário e produzindo fogos, mas distante do alcance da Justiça”. Como todos os processos em que são réus entes da administração pública direta, a tramitação é longa e complicada; além dos recursos judiciais o Exército, segundo o deputado, requereu que o Município e o Estado sejam também indiciados para dividirem a responsabilidade do acidente. E que, para piorar, cada processo será julgado individualmente na Justiça Federal. Dá como único resultado positivo, até agora, liminar em processo da Justiça Federal determinando pagamento de pensão de um salário mínimo às crianças órfãs na explosão, até que o processo seja julgado em definitivo. E a presidente do Fórum de Direitos Humanos de Santo Antônio de Jesus, Ana Maria Santos, noticia que a última movimentação na Justiça Federal foi o desmembramento do processo contra a União em 42 processos, um para cada família prejudicada.

Isso a despeito de haver o Estado Brasileiro reconhecido em 2007 sua responsabilidade no acidente, e se comprometido a efetuar reparação à família das vítimas, em processo instaurado perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos – OEA, em 2001, como consequência de denúncia lá apresentada.

Mas com tudo isso o Movimento 11 de Dezembro resiste, e continua lutando. E sua luta é particularmente cara ao MHuD, uma das várias ONGs que a apoiaram. Os atores Marcos Winter, Pepita Rodrigues e Leonardo Vieira, membros do MHuD, estiveram em Santo Antonio de Jesus e conversaram com familiares das vítimas. Também compareceu à reunião marcada na Assembléia Legislativa da Bahia com o Movimento 11 de Dezembro e Hina Jilani, do Alto Comissariado de Defesa dos Direitos Humanos da ONU, representado por uma de suas diretoras, Salete Hallack e a atriz Maria Zilda Bethlem, em manifestação de desprendimento e solidariedade, sequência da participação de ambas na vigília que o Movimento fizera na sexta-feira anterior em Santo Antônio de Jesus.

Também estiveram todos, nessa ocasião, na sede do Grupo Gay da Bahia, no Centro Histórico. E foi mostrado a Hila Jilani o vídeo documentário “Salve, Santo Antônio”, produzido pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, dirigido por Aline Sasahara e lançado em novembro de 2004, mostrando os primeiros momentos após a explosão, a omissão de socorro do proprietário da fábrica e a situação precária em que ficaram as 42 famílias das vítimas da explosão.

O deputado Yulo Oiticica conseguiu uma audiência com a presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, criando novo alento para os integrantes do Movimento. E em junho deste ano o Governador da Bahia, Jacques Wagner, inaugurou em Santo Antônio de Jesus o Centro Territorial de Educação Profissional do Recôncavo, uma das medidas de reparação ajustadas entre o governo brasileiro e a ONU.

No último dia 5 de outubro o ator Marcos Winter falou ao vivo na rádio de Santo Antônio de Jesus, apoiando as famílias das vítimas e fortalecendo sua posição no julgamento previsto para o final de outubro.

                 
O Movimento 11 de Dezembro, de Santo Antônio de Jesus, continua em nossos corações.

A atriz Cristina Pereira e o ator Gilberto Miranda entregam o Prêmio João Canuto para o IMIP - Instituto Materno Infantil de Pernambuco, quem recebeu o prêmio foi Antônio Carlos Figueira.

INSTITUTO MATERNO INFANTIL DE PERNAMBUCO (IMIP)

O IMIP integra a Faculdade Boa Viagem, entidade privada, sem fins lucrativos e de utilidade pública, mantida pela Associação Educacional de Ciências da Saúde.

Mais que um órgão universitário, é a expressão da vida e da visão de um grande homem, sendo de justiça o registro, como um parêntese. Seu criador foi o médico Fernando Jorge Simão dos Santos Figueira, Professor Emérito da Universidade Federal de Pernambuco, falecido em 2003 aos 84 anos de idade. Pródigo na distribuição do bem e do conhecimento, além da criação do Instituto Materno Infantil de Pernambuco de sua iniciativa e dinamismo brotaram também a Academia Pernambucana de Medicina e o Laboratório Central de Pernambuco (LACEN), diversas associações, centros e fundações ligados à Medicina.

Não é de estranhar que, sob tal inspiração, os objetivos institucionais traçados para o IMIP sejam os mais elevados: assistência médica à criança e à mãe carentes; assistência e orientação educativa ao grupo familiar mais carente de recursos; formação de recursos humanos na área materno infantil a nível profissional, paramédico e auxiliar, e pesquisa médico-social aplicada. Isso já dá a dimensão de sua extraordinária importância no país, e em particular no nordeste. Que mais avulta por ser o único centro de excelência no campo da assistência materno infantil no Norte-Nordeste do país, sendo centro de referência do Ministério da Saúde na formação de recursos humanos nessa área.

O IMIP mantém vários convênios, destacando-se aqueles com a Universidade Federal de Pernambuco, com a Fundação de Ensino Superior de Pernambuco, com o Ministério da Saúde/INAM e com a Fundação SESP. E publica a Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil.

Em termos práticos, mantém atividades de pesquisa e ensino nos níveis de graduação e pós-graduação, com Mestrado e Residência Médica. Na parte assistencial atende por ano milhares de crianças em regime ambulatorial e hospitalar. Desenvolve atividades comunitárias em várias favelas, realiza exames radiológicos e laboratoriais, atende consultas de ginecologia e aplicou vacinas, em um conjunto de milhares de atos médicos em favor da mãe e da criança nordestinas. E não só quase tudo de graça, mas executado com dedicação e o carinho, uma expressão de respeito aos direitos e problemas dos pacientes e, sobretudo, de amor pelas crianças.

Com a Atenção Integrada às Doenças Prevalentes da Infância (AIDPI) apresentou um novo enfoque de abordagem à saúde da criança no primeiro nível da assistência, com avaliação sistemática dos principais fatores que afetam a saúde dos menores de 5 anos de idade, e identificação precoce de sintomas. Dado o sucesso obtido o Ministério da Saúde do Brasil adotou a estratégia em 1995, e em 1996 deu início à adaptação das instruções que permitiu, no início de 2002, o começo da distribuição de livros para capacitação de milhares de Agentes Comunitários de Saúde e outros profissionais da área médica em todo o país. A estratégia AIDPI vem sendo implantada nas ações das equipes do Programa de Saúde da Família, dos enfermeiros do Programa de Agentes Comunitários de Saúde e das Unidades Básicas de Saúde.

Não cabe esquecer o Programa Mãe Canguru, idealizado em 1979 por médicos neonatologistas colombianos e voltado para o atendimento a recém-nascidos prematuros e de baixo peso. Criticado inicialmente pelo fato de os prematuros receberem alta precocemente, foi implantado pelo IMIP com critérios mínimos de alta, ausentes no programa original. Inicialmente em caráter experimental, no início de 1994 foi institucionalizado, dirigido a mulheres de baixa renda e bebês com baixo peso, ou com uso de antibióticos que necessitam permanecer na maternidade até o final do tratamento.
                 
 Essa a modalidade de defesa dos direitos humanos realizada pelo IMIP. Possivelmente a mais efetiva, pela quantidade de vidas que salva e de sofrimento que elimina diariamente, mas silenciosa, quase escondida na confusão do dia-a-dia. E até por isso mais ainda merecedora de nosso reconhecimento e de nossa homenagem.

O ator Carlos Mamberte entrega o Prêmio João Canuto para Zilda Arns, in memoriam. Quem recebe o prêmio é sua filha Heloisa Arns.

ZILDA ARNS NEUMANN (In Memoriam)

Nascida no ano de 1934 em Forquilha, Santa Catarina, teve uma vida inteira de amor ao próximo e de ajuda aos necessitados.

Iniciando os estudos na sua cidade natal, em 1959 formou-se em Medicina na Universidade Federal, o que depois complementou com cursos de especialização em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP), e Administração de Programas de Saúde Materno-Infantil pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), além de outros, em Medicina Sanitária, Educação Física e Pediatria Social.

Começou a carreira como médica pediatra no Hospital de Crianças Cezar Pernetta, em Curitiba. Depois Diretora de Saúde Materno-Infantil, da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, assumiu posição no campo da saúde pública que nunca mais abandonou. Mas que não a impediu de, ficando viúva em 1978, ser também dona-de-casa e mãe carinhosa, criando 5 filhos, todos com formação universitária.

Foi diretora da Associação Filantrópica Sara Lattes, onde organizou postos de saúde materno-infantil. Em 1979, coordenou o Ano Internacional da Criança no Paraná, com participação do Ministério da Saúde e apoio do UNICEF. Em 1980 foi designada coordenadora da campanha de vacinação contra a poliomielite, que começou em União da Vitória (PR), criando um método próprio que acabou adotado pelo Ministério da Saúde.

Em 1983, a pedido da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - e dando forma a uma idéia de Dom Paulo Evaristo Arns, seu irmão e arcebispo emérito de São Paulo, e James Grant, então diretor do UNICEF, criou com Dom Geraldo Majela Agnello a Pastoral da Criança. Desenvolveu aí a metodologia de multiplicação do conhecimento entre as famílias mais pobres, com educação das mães por líderes comunitários capacitados. Essa Pastoral, com mais de 260 mil voluntários, já acompanha cerca de 2 milhões de gestantes e crianças menores 6 anos e 1,4 milhão de famílias pobres em mais de 4.000 municípios brasileiros. Difundindo em comunidades carentes conhecimentos sobre aleitamento materno, controle do peso e crescimento da criança, saúde, nutrição, educação e cidadania, já salvou milhares de vidas, especialmente pelo controle da diarreia e pela reidratação oral.

Recebeu da CNBB nova missão, de criar a Pastoral da Pessoa Idosa, o que cumpriu em 2004, tornando-se sua coordenadora nacional. Essa Pastoral tem hoje 14 mil voluntários, e acompanha cerca de 130 mil idosos todos os meses. 

A Dra. Zilda Arns foi representante da CNBB, membro do Conselho Nacional de Saúde e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Agraciada com o título de Doutor Honoris Causa da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, da Universidade Federal do Paraná, da Universidade do Extremo-Sul Catarinense de Criciúma, da Universidade Federal de Santa Catarina e da Universidade do Sul de Santa Catarina. Recebeu condecorações e títulos: Personalidade Brasileira de Destaque no Trabalho em Prol da Saúde da Criança do UNICEF (1988); Prêmio Internacional em Administração Sanitária da Organização Pan Americana de Saúde - OPAS (1994); Prêmio Humanitário do Lions Club Internacional (1997); 1º Prêmio Direitos Humanos da USP (2000); Heroína da Saúde Pública das Américas da OPAS (2002); Opus Prize, da Opus Prize Foundation (2006); Woodrow Wilson, da Woodrow Wilson Foundation (2007). Cidadã Honorária de 10 estados e 35 municípios, em 2006 foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz.

Seu ativismo social a levou a boa parte do mundo: Indonésia, Angola, Estados Unidos e quase toda a Europa. E foi assim que os terríveis terremotos do Haiti, em janeiro de 2010, lá a encontraram, onde fora fazer uma palestra sobre combate à desnutrição. Entre os brasileiros vitimados no terremoto estava Zilda Arns, morta aos 75 anos de idade quando ajudava o próximo, como sempre fizera.

Este o sumário de sua vida, na singela homenagem que lhe prestamos, com grandes lacunas em relação ao muito que fez, ainda assim menores que o vazio deixado com sua perda.

O ator Eduardo Tornaghi entrega o Prêmio João Canuto para MV Bill, representado por Nega Gizza.

ALEX PEREIRA BARBOSA

Mais conhecido como MV-Bill, nasceu em janeiro de 1974 na Cidade de Deus, onde ainda reside. Com apelido de Bill desde pequeno, em 1991 foi agregado o MV, porque senhoras evangélicas do bairro o chamavam de "Mensageiro da Verdade", pelo modo como transmitia a realidade das favelas. Seguiu uma trajetória que é inspiração para milhares de jovens.

Teve um primeiro contato com o hip hop em 1984, e relação maior em 1988, quando assistiu o documentário As Cores da Violência e leu a tradução de algumas canções da trilha sonora. Não era ainda, contudo, a carreira de rapper, permanecendo a ligação com o samba-enredo, que predominava em seu bairro. Em 1993 participou da coletânea musical mista Tiro Inicial, e a partir daí decidiu seguir a carreira de rapper.

Em 1998, lança o disco CDD Mandando Fechado, com a música “Soldado do Morro” e outras contando a realidade da Cidade de Deus; álbum remasterizado, com adição de 3 novas músicas, e lançado em 1999 com o título de Traficando Informação. Ainda em 1999 é lançado seu primeiro videoclipe, com o mesmo título. Três anos depois lança novo trabalho, Declaração de Guerra, ao que se seguiram outros 2 álbuns, Falcão, o Bagulho é Doido, em 2006, e Causa e Efeito, em 2010. Em dezembro de 2000 tinha lançado o videoclipe Soldado do Morro, que retrata a atividade dos traficantes do bairro, aparecendo com uma arma, o que levou a ser acusado de fazer apologia do crime. Recebeu o Prêmio Hutúz de "Melhor Videoclipe do Ano" e de "Melhor Videoclipe de Rap" no América Latina – Video Music Brasil, da MTV. Em 2009 lançou outro clipe, chamado A Noite.

Ao contrário do que disseram críticos apressados, MV-Bill não incentivava o crime. Falando sobre o álbum Declaração de Guerra, que repetiu o tema de Traficando Informação, explicou que a declaração de guerra era a favor dos excluídos e contra o preconceito ao negro. Já então se manifestara sua veia de ativista social, como ao ser protagonista em 2000 de uma campanha publicitária na televisão contra o vandalismo em telefones públicos.

O ativismo social teve como um de seus primeiros projetos a participação na criação do partido político PPPOMAR - Partido Popular Poder Para A Maioria. Em 1999 criou, com Celso Athayde e Nega Gizza, a Central única das Favelas (CUFA), formada por 107 famílias da periferia carioca; e, paralelamente, o Prêmio Hutúz, que teve dez edições entre 2000 e 2009, aberto sempre no Dia da Favela e contando com shows, batalhas de MCs, exposição de pinturas, oficinas e outras atividades.

Em abril de 2005, MV-Bill estreou como escritor, publicando Cabeça de Porco em co-autoria com Celso Athayde e Luiz Eduardo Soares, tratando da entrada dos jovens da periferia no mundo do crime. Em 2006 publica Falcão – Meninos do Tráfico, também com Celso Athayde e em DVD, contando a história de 17 jovens que se envolveram com o tráfico de drogas e apenas 1 sobrevivendo, que após exibição no programa Fantástico, da Rede Globo, o tornou conhecido nacionalmente. Fato inédito, porque desde 1973 o Fantástico não exibia um documentário de produção independente. Citado até na TV Câmara, MV-Bill foi convidado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma audiência particular no Palácio do Planalto, e o presenteou com um exemplar do livro e do DVD. O filme recebeu na Espanha o Prêmio Rei.

Em julho de 2007, lançou seu terceiro livro, Falcão - Mulheres do Tráfico, sequência do documentário anterior, mas com as mulheres que fazem parte do tráfico. Em 2008 estreou o programa "A Voz das Periferias", na Rádio Roquette Pinto FM. Em 2009 iniciou a gravação do filme Sonhos Roubados, sobre a realidade de três meninas da periferia carioca, e fez uma participação em comercial da empresa Nextel, gravado na Cidade de Deus e que se chamou "O Bem não tem Limites". Desde o 2º semestre de 2010 integra o elenco da novela Malhação, da Rede Globo.

Por seu trabalho em prol da juventude recebeu o Prêmio UNICEF de 2004, e foi escolhido pela UNESCO como uma das 10 pessoas mais militantes do mundo.
Esse é o perfil de nosso homenageado.

A Atriz Dira Paes entrega o Prêmio João Canuto para Dom Xavier Gilles de Maupeou D'Ableiges, representado pelo Padre Flávio Lazzarin.

Dom XAVIER GILLES DE MAUPEOU D’ ABLEIGES

Nascido em Saumur, na França, em março de 1935, seus primeiros passos não permitiriam prever o rumo de seu futuro. Concluídos os estudos secundários, cursou a Escola de Oficiais da Reserva da Cavalaria, graduou-se como aspirante e foi servir na fronteira da Argélia com a Tunísia, depois transferido para a frente de batalha na guerra da Argélia, onde foi gravemente ferido.

A vocação sacerdotal se manifestou, contudo. Primeiro diácono, foi ordenado padre em 1962. Logo atendeu a apelo para trabalho missionário e veio para o Brasil, onde se fixou no Maranhão, destacando-se como religioso e defensor dos direitos humanos. Em São Luís foi vigário de Monte Castelo e pároco de Fátima, bairros populares de São Luís, entre 1963 e 1967. Atendeu ao pedido de Dom Paulo Ponte, então arcebispo, e foi para o interior, sendo pároco de São Benedito do Rio Preto e de Urbano Santos de 1968 a 1979.

Assumindo posicionamento social como parte de sua missão religiosa, exerceu a função de assistente eclesiástico da Juventude Operária Católica (JOC) do Maranhão, entidade com firme atuação sócio-política, e em 1971, juntamente com o padre Antonio de Magalhães Monteiro, foi preso sob acusação de estrangeiro comunista, o que recentemente considerou “o maior título honorífico que marca a minha tão precária tentativa de seguir o subversivo de Nazaré, Jesus, que ama e privilegia os empobrecidos e os mobiliza para que tenham vida, e vida em plenitude”.

Esse homem exemplar não se abateu, continuando seu caminho de engrandecimento espiritual e serviços inestimáveis aos direitos humanos. Formou-se em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí e em Direito pela Uniersidade Federal da Paraíba. Foi Coordenador Estadual da Comissão Pastoral da Terra e das Comunidades Eclesiais de Base do Maranhão, entre 1980 e 1982; Secretário Nacional do Comitê Episcopal França - América Latina entre 1982 e 1988; Reitor do Seminário Interdiocesano Santo Antônio em São Luís do Maranhão de 1989 a 1994; Reitor e Pároco de São José de Ribamar de 1993 a 1995. Foi juiz do Tribunal Eclesiático, Capelão do Hospital Aquiles Lisboa e Vice-Presidente da Comissão Pastoral da Terra Nacional.

Respeitado e admirado por todos, teve atuação destacada na Região Nordeste V da CNBB, na qual foi Vice-Presidente de 1999 a 2002 e de 2003 a 2005, e Presidente de 2005 a 2007 e de 2007 a 2009. Em 1995, foi nomeado bispo auxiliar de São Luiz do Maranhão-MA, função na qual permaneceu em 1998, quando foi nomeado bispo da diocese de Viana-MA.

E ainda encontrou tempo para publicar um livro, Curso Bíblico para as Comunidades Eclesiais de Base.
Foi como pároco no interior, organizando os trabalhos das Comunidades Eclesiais de Base e no comando da Comissão Pastoral da Terra que sua atuação se intensificou, ganhando visibilidade pela desassombrada defesa dos menos favorecidos. O que não perdeu intensidade quando assumiu a diocese de Viana, mantendo permanente preocupação com o desequilíbrio social e intermediação visando a redução das injustiças.

Em junho deste ano Dom Xavier recebeu da Assembleia Legislativa do Maranhão o título de Cidadão Maranhense, reconhecimento do muito que fez pelo povo daquele estado. Em julho, pouco depois, tornou-se bispo emérito de Viana, em merecida aposentadoria; do bispado, não do apostolado do bem, que é sua segunda natureza.

Esse é o perfil resumido de nosso homenageado, imperfeito retrato de um homem de alma generosa, herdeiro da generosidade que vive na alma da França e que, mais uma vez, veio desaguar em nosso país.

No decorrer da premiação...

Eduardo Tornaghi declamou Poemas e Priscila Camargo contou uma História Sufi.



Geraldo Azevedo cantou seus maiores sucessos acompanhado por Letícia Sabatella.

ASSISTA PARTE DO VÍDEO DE ENCERRAMENTO

No final da Premiação, Geraldo Azevedo chamou ao palco os Membros do MHuD e os Premiádos, que juntos com a platéia o acompanharam no seu "Taxi Lunar", encerrando em alto astral o VIII

Do MHuD, participaram:

Adair Rocha, Camila Pitanga, Cassia Reis, Cibele Vrcibradic, Clarisse Sette, Cristina Pereira, Damir Vrcibradic, Dira Paes, Eduardo Tornaghi, Generosa, Gilberto Miranda, Iris Costa, Letícia Sabatella, Marcos Winter, Priscila Camargo, Ricardo Paiva, Ricardo Rezende, Salete Hallack e Van Furlanetti.

O CONVITE:



Fotos: Salete Hallack



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