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MPF apura propina de R$ 42 mil para entrada ilegal de chineses no Rio



15/08/2015

 

Alessandro Lo-Bianco - O Globo    EXTRA   globo.com  g1

RIO - O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação, que corre em segredo de Justiça, para apurar a denúncia de que agentes públicos do setor de imigração do Aeroporto Internacional Tom Jobim estariam recebendo propina para permitir a entrada de chineses ilegais no Rio. Donos de pastelarias, segundo a acusação feita ao Ministério do Trabalho e Emprego, estariam pagando R$ 42 mil para liberar cada chinês. Os imigrantes ilegais estariam sendo trazidos para trabalhar em situação análoga à escravidão nos estabelecimentos. Na semana passada, mais quatro chineses foram libertados de uma lanchonete em São Cristóvão pelo Ministério Público do Trabalho.

O GLOBO teve acesso à denúncia que originou a abertura da investigação. De acordo com o documento, uma auditora fiscal do Ministério do Trabalho foi procurada em julho por um homem que teria trabalhado com chineses nos últimos 15 anos. Sem querer se identificar por questões de segurança, ele contou que, em um dos casos, o dono de uma das pastelarias que fazem parte do esquema chegou 20 minutos depois do horário combinado com a imigração para buscar os trabalhadores e, devido ao atraso e à falta de pagamento, eles foram deportados para a China.

 

Ainda de acordo com a denúncia, os passaportes eram carimbados no setor de imigração, mas, para apagar provas e não identificar o processo ilegal feito pelos agentes, os documentos eram extraviados. Os estrangeiros recebiam, então, novos passaportes.

 

Segundo uma fonte do MPF, a investigação também quer esclarecer como são emitidos os vistos na China para que os trabalhadores consigam deixar o país.

- Há chances de eles estarem falsificando os vistos na China. E quando chegam ao Rio, o setor de imigração finge não perceber que o visto é falso e autentica a entrada dos estrangeiros, mediante o pagamento da propina - disse a fonte.

 

A prática, se confirmada, não será estranha ao setor de inteligência da Polícia Federal, que, em 2002, repatriou 114 chineses que tentavam entrar no país com vistos falsos. A novidade seria a participação dos agentes do setor de imigração no esquema. Procurada, a Polícia Federal não quis se pronunciar.
Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/rio/mpf-apura-propina-de-42-mil-para-entrada-ilegal-de-chineses-no-rio-17193679.html#ixzz3iuC6VKxk

 

 

03/08/2015   Esquema no Galeão faz chinês escravo 

Estadão        por     CARINA BACELAR   

Agentes da imigração cobram propina para deixar estrangeiro entrar ilegalmente no País, relata Ministério do Trabalho ao MPF

Aeroporto do Gale√£o, no RioAeroporto do Galeão, no Rio Foto: Marcos Arcoverde/Estadão

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) afirma ter descoberto um esquema de corrupção no controle imigratório do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, na zona norte do Rio. Segundo o MTE, agentes cobram propinas de donos de pastelarias e atravessadores responsáveis por trazer chineses para trabalhar em regimes exaustivos, de escravidão por dívida, em lanchonetes na região metropolitana do Rio.

O documento, obtido pelo Estado, foi encaminhado no dia 28 para o Ministério Público Federal e a Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae). O texto detalha o funcionamento do esquema, delatado por uma pessoa que trabalhava com os empresários chineses suspeitos de "importar" jovens da Província de Guangdong, no sul da China, uma das mais pobres do país.

Para cada chinês liberado para entrar no Brasil seriam cobrados R$ 42 mil de propina. Pelo acerto, o imigrante trabalharia de dois a três anos de graça para pagar as despesas de viagem e, segundo suspeitas do MTE, para quitar também o valor entregue pelos patrões aos agentes.
 

O pagamento da propina, em dinheiro, seria feito no aeroporto, fora da área de controle imigratório. Um truque usado para encobrir o esquema é sumir com os passaportes dos chineses ou arrancar a página em que estaria o carimbo da Polícia Federal, identificando a data da entrada no País - o que permitiria identificar os funcionários da PF de plantão naquele dia.
 

Em um dos casos revelados pelo delator, o atraso de 20 minutos no pagamento da propina fez com que chineses que entrariam no País fossem deportados para a China.
 

De acordo com a Polícia Federal, policiais e funcionários administrativos terceirizados, contratados pela empresa Milênio, atuam na imigração. Os últimos, no entanto, não têm autonomia de ação e estão sob supervisão dos agentes da PF. Em nota, a corporação afirma que "todas as notícias de possíveis ilícitos administrativos ou penais que venham a mencionar servidores são apuradas pelos setores de controle interno" e destaca atuar na coerção à prática de trabalho escravo. A Milênio optou por não se pronunciar.

Indícios. Em setembro do ano passado, um chinês resgatado ao fugir de uma pastelaria em Mangaratiba, na Costa Verde, já havia dito aos auditores que sua entrada fora acordada com agentes da imigração.

De acordo com o documento do Ministério Público Federal, um funcionário que trabalhava no aeroporto foi recepcionar a vítima. "A referida pessoa, que tinha acesso à área privativa dos funcionários do aeroporto, recebeu a documentação e, superando as restrições de imigração, promoveu sua entrada em território nacional, omitindo-se que o ingresso se dava para o fim de trabalho", diz o documento.

A investigação também apontou que agências na China oferecem oportunidades de trabalho no Brasil, anunciando o serviço em placas em Guangdong.

O MTE tem realizado operações para flagrar chineses em situação irregular no Brasil, cumprindo jornadas exaustivas em lanchonetes e sendo submetidos a condições precárias de moradia e trabalho. Após acordos extrajudiciais, em que obtêm reparação financeira, os chineses têm continuado a trabalhar nos mesmos locais.

 

 

 

 

 

 



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