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Homem considerado o maior desmatador da AmazĂ´nia Ă© preso



24/02/2015

 

Edição do dia 23/02/2015   GLOBO.COM

 

Operação conjunta prendeu Ezequiel Castanha, acusado de ser líder de quadrilha especializada em desmatamento e de desviar milhões de reais.

 
 
 
 

Uma operação conjunta da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Ibama prendeu o homem considerado o maior desmatador da Amazônia.

Ezequiel Antônio Castanha foi preso no município de Novo Progresso, Oeste do Pará, seis meses depois do início da Operação Castanheira da Polícia Federal, do Ibama, do Ministério Público Federal e da Receita Federal contra o desmatamento ilegal na Amazônia.

“O Ezequiel, assim como os demais investigados são acusados pelos crimes de invasão de terras públicas, a chamada grilagem de terras, além de crimes ambientais e falsificação de documentos, entre outros delitos”, afirma o delegado da Polícia Federal Olavo Pimentel.

Segundo a Polícia Federal, a quadrilha agia em Novo Progresso, Itaituba e Altamira. E só no ano passado, desmatou uma área quase do tamanho da cidade de Natal. Peritos calculam que o dano ambiental chegue a R$ 540 milhões.

Segundo a Polícia Federal, depois de lotear as terras públicas, Ezequiel Castanha contratava uma espécie de ''corretor de imóveis'', para negociar as áreas griladas com pecuaristas da Amazônia e até com investidores do Sul e do Sudeste do país. De acordo com as investigações, o empresário chegou a vender lotes de terra ilegalmente por até R$ 20 milhões.

Ezequiel também é acusado de desviar R$ 100 milhões em lavagem de dinheiro e sonegação de impostos.

“É ele é um dos líderes, talvez o principal líder dessa quadrilha que era a maior já descoberta especializada em desmatamento na Amazônia. O montante de recursos movimentados ilegalmente, que a Receita Federal junto com o Ministério Público Federal conseguiram reconhecer no caso, é assustador”, diz o procurador da República Daniel Azeredo.

O advogado de Ezequiel Castanha afirmou que as acusações são infundadas - e que Ezequiel é um empreendedor bem-sucedido, vítima de inveja.

 

Desmatamento cresce 169% na Amazônia Legal

Fábio de Castro Atualizado em: 21/02/2015 às 13:25


Beto Barata | Arquivo | Agência Estado
  • Monitoramento aponta que foram desmatados 288 km² na Amazônia Legal em janeiro

Em janeiro de 2015, foram desmatados 288 km² na Amazônia Legal - aumento de 169% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando a devastação se estendeu por 107 km². O monitoramento, não oficial, foi realizado pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), de Belém, no Pará.

Além dos dados sobre o corte raso, o boletim publicado pelo Imazon também incluiu números relativos à degradação florestal - áreas onde a floresta não foi inteiramente suprimida, mas foi muito explorada ou atingida por queimadas. Em janeiro, as áreas degradadas chegaram a 389 km², um salto de 1.116% em relação ao mesmo mês de 2014, quando foram registrados 32 km². Segundo o boletim, toda a degradação florestal detectada em 2015 aconteceu em Mato Grosso.

Desta vez, o território monitorado pelo Imazon foi maior que no ano passado. Em janeiro de 2015, 50% da floresta estava encoberta por nuvens e, portanto, fora do alcance dos satélites. Já em janeiro de 2014, as nuvens cobriam 58% da Amazônia Legal. O boletim destaca, no entanto, que em 2015 a cobertura se concentrou sobre regiões importantes (como Pará e Amazonas), o que reduziu a capacidade de detecção. "Em virtude disso, os dados de desmatamento e degradação florestal em janeiro de 2015 podem estar subestimados", diz o relatório.

Os Estados que mais sofreram com o desmatamento foram Mato Grosso (75%) e o Pará (20%), seguidos por Rondônia (2%), Amazonas, Tocantins e Roraima, todos com 1%.

Os municípios mais devastados da Amazônia foram Feliz Natal (MT), com 19,3 km², Altamira (PA), com 16,8 km², Rondon do Pará (PA), com 15,8 km², e Porto dos Gaúchos (MT), com 15,3 km². Dos dez municípios mais devastados, oito estão em Mato Grosso.

Segundo o boletim, 80% da devastação registrada aconteceu em áreas privadas. O restante se distribuiu por assentamentos de reforma agrária (12%), unidades de conservação (7%) e terras indígenas (1%).

O desmatamento acumulado entre agosto de 2014 e janeiro de 2015 - período que corresponde aos seis primeiros meses do calendário oficial de medição da devastação - chegou a 1.660 km². O aumento foi de 213% em relação ao período anterior, quando o desmatamento acumulado somou 513 km².

Diferentes

O SAD utiliza imagens dos mesmos sensor e satélite empregados pelo Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que fornece ao governo federal as informações sobre as novas áreas de desmatamento na Amazônia. No entanto, as metodologias utilizadas pelo Inpe e pelo Imazon são distintas.

Os últimos dados do Deter foram relativos a agosto, setembro e outubro de 2014, indicando aumento do desmatamento de 117% em relação ao mesmo período em 2013. Os dados do SAD para o mesmo trimestre de 2014 mostraram alta de 227% em relação ao ano anterior.

Além do Deter, que monitora o desmatamento em tempo real, o Inpe opera o sistema Degrad, que mapeia áreas expostas à degradação florestal, e o sistema Prodes, que tem resolução maior e fornece ao governo taxas anuais oficiais de desmatamento da Amazônia Legal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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