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CNBB: Nota sobre o assassinato do lĂ­der quilombola



03/09/2013

Conferência Nacional Dos Bispos do Brasil

CNBB – Regional Norte 2

Trav. Barão do Triunfo, 3151  -  Marco

66.093-050, Belém, Pará

Nós, Bispos do Regional Norte 2 da CNBB, reunidos em assembleia em Belém, tomamos conhecimento do assassinato do líder quilombola Teodoro Lalor de Lima no último dia 19, quando estava se dirigindo para Belém afim de participar do Encontro Estadual de Quilombolas. Lamentamos profundamente a sua morte e nos solidarizamos com sua família e comunidades quilombolas do Marajó.

No dia 13 de agosto passado, na audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual em Cachoeira do Arari, Teodoro Lalor de Lima denunciou a perseguição que as comunidades quilombolas do Marajó vem sofrendo por parte de fazendeiros da região, afirmou que, sem  acusação formal, esteve preso arbitrariamente por dois meses a mando de fazendeiros. Declarou também que crianças da sua comunidade estavam sendo presas por colherem açaí nas terras quilombolas. Denunciou que várias famílias quilombolas estão sofrendo prejuízos e não têm seus direitos respeitados devido à expansão da monocultura do arroz na região. Há fortes indícios de que estas denúncias foram a causa de seu assassinato. As circunstâncias de sua morte são estranhas e a versão oficial está cheia de contradições.

Será que este crime será mais um que permanecerá impune? Até quando “o Pará será terra sem lei”?

Este é um crime que por si só exige uma investigação séria por parte de todas as autoridades competentes tanto na esfera estadual como federal. Por isso apelamos aos Ministérios Público Federal e Estadual, que promoveram a audiência pública da qual Teodoro Lalor de Lima participou fazendo as denúncias acima, para que investiguem a fundo esta morte bem como as violações que as comunidade quilombolas do Marajó estão sofrendo e tomem as medidas cabíveis para evitar futuros assassinatos e violações de direitos deste povo tão sofrido.

Dirigimos um apelo particular e pessoal ao Governador do Estado do Pará, como responsável pela segurança no Pará, para que tome medidas eficazes a fim de que este crime seja esclarecido e os direitos dos quilombolas do Marajó e de outras regiões do Pará sejam respeitados. É mais um derramamento de sangue diante da qual o Governo do Estado não pode se omitir! É necessário agir de maneira séria e eficiente para que se comece a mudar a imagem de que “o Pará é terra sem lei”.

Dirigimo-nos também à Presidente Dilma para que mobilize o Ministério da Justiça e a Polícia Federal nas investigações deste crime e estes ajudem na proteção das comunidades quilombolas contra a violência que estão sofrendo. É sangue derramado sujando o atual governo.

Belém, 27 de agosto de 2013.

 

Assinam os Bispos:

D. Jesus Maria Cizaurre Berdonces – Presidente e Bispo de Cametá

D. Bernardo Johannes Bahlmann – Vice-Presidente e Bispo de Óbidos

D. Alberto Tavera Corrêa – Secretário – Arcebispo de Belém

D. Luís Ferrando – Bispo de Bragança

D. Carlos Verzeletti – Bispo de Castanhal

D. Wilmar Santin – Bispo de Itaituba

D. Pedro José Conti – Bispo de Macapá – AP

D. Vital Corbellini – Bispo de Marabá

D. José Luís Azcona Hermoso – Bispo de Marajó

D. Alessio Saccardo – Bispo de Ponta de Pedras

D. Flávio Giovenale – Bispo de Santarém

D. Erwin Krautler – Bispo do Xingu



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