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INCRA ASSENTA MANDANTE DO ASSASSINATO DE EXTRATIVISTAS EM NOVA IPIXUNA EM LOTE PELO QUAl ELE MANDOU MATAR O CASAL



04/03/2013

 

José Rodrigues Moreira, mandante do assassinato do casal de extrativistas (José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo Silva) foi assentado pela Superintendência do INCRA de Marabá no mesmo lote, pelo qual, ele mandou matar o casal. A decisão do INCRA beneficiando o mandante dos crimes se deu no último dia 14 de dezembro, conforme comprova o documento em anexo.

            José Rodrigues comprou ilegalmente 144 hectares de terra, pelo valor de 100 mil reais, no interior do Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira em 2010. Uma área de floresta primária com grande incidência de castanheiras, cupuaçus e açaís, usada para atividade extrativista. Em metade da área que ele comprou existiam 03 famílias que passaram a serem ameaçadas de expulsão por José Rodrigues. Frente à ameaça de expulsão, o casal de extrativistas deu apoiou às famílias e impediu que José Rodrigues as expulsasse e se apropriasse da área. Por essa razão, José Rodrigues decidiu mandar matar o casal. O crime ocorreu no interior do Projeto de Assentamento no dia 24 de maio de 2011.

            Logo após comprar ilegalmente os lotes, José Rodrigues, levou para o local, 130 cabeças de gado. O passo seguinte seria derrubar a floresta para formar pastagem. Sua pretensão contava com a oposição do casal que fazia a defesa da floresta. Tudo isso foi apurado e comprovado pelas investigações da polícia, logo após a morte do casal. A CPT, a FETAGRI, o STR de Nova Ipixuna e a Associação do Assentamento, entregaram todos esses documentos nas mãos do superintendente do INCRA de Marabá, Edson Bonetti, com pedido de retomada dos lotes. Mas, em vez de promover a retomada, o superintendente, fez foi autorizar o assentamento do criminoso nos lotes. Um prêmio para o mandante das mortes que se encontra preso e que irá a júri no próximo dia 03 de abril em Marabá.

            Os Movimentos Sociais vão requerer ao Ministério Público Federal apure o caso e que instaure inquérito contra o Superintendente do INCRA de Marabá para investigar sua participação nessa ação ilegal.

 

                                   Marabá, 03 de março de 2013.

 

    FETAGRI Regional Sudeste.

                                   Comissão Pastoral da Terra -  CPT da diocese de Marabá.

                                   STR de Nova Ipixuna.
 
 

 

 

 

02/03/2013 - 04h15

Acusado de matar casal recebe do Incra a terra que motivou conflito

JOÃO CARLOS MAGALHÃES


DE BRASÍLIANa manhã de 24 maio de 2011, José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, dois dos mais atuantes ativistas da Amazônia, foram alvo de uma tocaia numa estrada de terra em Nova Ipixuna (PA).

 

Acusados de matar casal de extrativistas no Pará serão julgados em abril

France Presse
José Cláudio e sua mulher, mortos no mês passado, foram homenageados em Belém
José Cláudio e sua mulher, mortos no mês passado, foram homenageados em Belém

Tiros de escopeta e de revólver perfuraram seus corações e pulmões. José Cláudio teve parte da orelha direita cortada como prova de sua morte. Corpos abandonados à beira de um riacho, os extrativistas entraram em uma lista na qual já estão Chico Mendes e Dorothy Stang.

Após dois meses, investigações concluíram que houve um crime de mando executado por dois homens.

E um ano e meio depois, o Incra (Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária) considerou a mulher do homem acusado de ordenar a morte do casal apta a ocupar a terra cuja disputa supostamente levou ao assassinato dos dois.

 
 

Antonia Nery de Souza, mulher do pequeno fazendeiro José Rodrigues Moreira, réu por duplo assassinato qualificado, consta como assentada, segundo lista do Incra obtida pela Folha, no lote 41 do Núcleo Maçaranduba 2, dentro do assentamento Praialta-Piranheira. A situação foi homologada no dia 14 de dezembro de 2012.

É a mesma terra que Moreira, segundo a polícia, comprou ilegalmente por R$ 100 mil (lotes de reforma agrária não podem ser vendidos) em 2010 e da qual tentava expulsar três famílias apoiadas pelo casal de ativistas.

Moreira --que está preso-- nega envolvimento nos assassinatos. Se não estivesse, teria o direito de ser assentado junto com Antonia, que ocupa o lote.

INVESTIGAÇÃO

A polícia entendeu que o fazendeiro tramou o assassinato após perceber que José Cláudio e Maria eram o maior empecilho para que ele ocupasse a área. Além de defender as famílias, o casal, já em conflito com outros madeireiros e fazendeiros da região, poderia denunciar Moreira caso ele resolvesse desmatar o lote para criar gado.

Antes mesmo do crime ele já pedira a posse da área. A possibilidade de seu assentamento já era conhecida por organizações de trabalhadores rurais --que avisaram o Incra da situação em 21 de maio do ano passado.

"Agir assim é legitimar o processo ilegal de venda de lotes em assentamentos e, ainda mais grave, é premiar o [suposto] mandante do assassinato brutal das duas lideranças", disseram a Comissão Pastoral da Terra, a Fetagri e o Sindicato de Trabalhadores Rurais de Nova Ipixuna ao superintendente do Incra em Marabá, Edson Bonetti.

No texto, as organizações afirmam que pessoas ligadas a Moreira, "laranjas", haviam sido enviadas ao local para garantir a posse da terra e que continuavam ameaçando as lideranças do assentamento.

Elas alegam também que as três famílias que incomodavam Moreira --e que ainda não eram assentadas-- foram embora logo depois dos assassinatos, temendo elas próprias serem mortas.

O suposto mandante do assassinato e os dois homens acusados de terem executado o casal devem ser julgados no dia 3 de abril.

OUTRO LADO

O Incra diz que houve erro em considerar Antonia Nery de Souza, mulher de José Rodrigues Moreira, apta a ser assentada, e que tentará na Justiça retomar o lote. Segundo o órgão, apesar de ocupar o lote, Antonia ainda não chegou a entrar na lista de beneficiários da reforma.

  Tarso Sarraf - 26.mai.2011/Folhapress  
Funeral do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva no Cemitério da Saudade, em Marabá (PA)
Funeral do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva no Pará

No dia 20, "a Superintendência Regional do Incra encaminhou à Procuradoria Federal Especializada o pedido de ajuizamento de ação de retomada do lote que Antonia Nery ocupa no projeto Praialta-Piranheira", diz o órgão.

O Incra diz que Moreira não pode se enquadrar como assentado por ser "elemento de perturbação para o bem estar socioeconômico" do projeto de assentamento, e a Procuradoria deve dar parecer sobre a retomada do lote.

Moreira e os dois acusados de serem os executores dos assassinatos alegam ser inocentes e dizem ter sido usados como bodes expiatórios.

À Folha o advogado de Moreira disse que não poderia comentar seu assentamento.

 

 

Júri dos acusados do assassinato do casal de extrativistas

 

 

 



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