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Fazendeiro admite ter atirado no adolescente indĂ­gena morto no domingo



25/02/2013

O fazendeiro Orlandino Carneiro Gonçalves, 61, confessou ter atirado no adolescente Guarani Kaiowá de 15 anos, Denílson Quevedo Barbosa.  O corpo do jovem morador da aldeia Tey´ikue, localizada na área indígena Caarapó, em Caarapó (MS), a cerca de 50 quilômetros de Dourados (MS), foi encontrado no último domingo (17) em uma estrada vicinal que separa a aldeia de algumas fazendas.

A reportagem é de Alex Rodrigues e publicada pela Agência Brasil, 20-02-2013.

Segundo o delegado regional de Dourados, Antonio Carlos Videira, o proprietário da fazenda Sardinha se apresentou na terça-feira (19) à noite na delegacia de Caarapó e confessou a participação no crime. Em seu depoimento o fazendeiro informou que estava só na propriedade quando ouviu os latidos dos cachorros, que correram para a área do criadouro de peixes. Ao perceber o movimento, Gonçalves disse ter disparado dois tiros.

De acordo com o delegado, Gonçalves estava acompanhado de sua advogada, prestou depoimento e foi liberado em seguida. A Agência Brasil não conseguiu localizar a advogada de Gonçalves.

A delegada responsável pelo inquérito policial instaurado para apurar o caso, Magali Leite Cordeiro, esteve na manhã dessa quarta-feira (20) na reserva, acompanhada por investigadores da Polícia Civil e representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e apreendeu uma arma de propriedade do fazendeiro.

Conforme o coordenador substituto do escritório da Funai em Dourados, Vander Aparecido Nishijima, informou anteontem (19) à Agência Brasil, as primeiras notícias davam conta de que Denílson Barbosa saiu para pescar com o irmão mais novo, de 11 anos, e outro índio, no sábado (16) à tarde. Aparentemente, os três pretendiam ir a um córrego cuja nascente fica no interior da terra indígena e que cruza algumas fazendas próximas.

Segundo o testemunho dos dois índios que acompanhavam Barbosa, os três foram abordados por homens armados quando passavam próximo a um criadouro de peixes. Os dois índios disseram também que os três homens atiraram. Na fuga, Denilson teria ficado preso em uma cerca de arame farpado, foi alcançado pelos pistoleiros e agredido. Anteontem (19), Nishijima esteve na área acompanhado por líderes indígenas e ouviu a versão do irmão de Denilson. Na língua guarani ele reforçou o que já havia dito na aldeia, logo depois do incidente, identificando três homens por apelidos.

Revoltados, parentes do adolescente e moradores da aldeia ocuparam a fazenda onde o crime teria ocorrido e enterraram o corpo de Denilson. Os índios já reivindicavam a área onde, hoje, o fazendeiro cria gado e planta soja, como sendo território tradicional indígena, parte do antigo tekoha (território sagrado) Pindoty, ocupado pelos kaiowás muito antes da expulsão de comunidades indígenas, ao longo do século 20.

De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a propriedade estava deserta quando os índios chegaram ao local. Depois de enterrarem o corpo do adolescente, cerca de 300 índios permaneceram no interior da fazenda. O grupo planeja fazer uma série de protestos para chamar a atenção para o assassinato e para os conflitos por terras entre índios e fazendeiros. O Cimi informou também que a comunidade reivindica a presença permanente da Força Nacional na área como forma de garantir a proteção das famílias indígenas.

Cerca de 5 mil índios vivem na Terra Indígena de Caarapó, que mede cerca de 3,5 mil hectares (1 hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, aproximadamente as medidas de um campo de futebol oficial). De acordo com o Cimi, desde a criação do território indígena, em 1924, os índios são obrigados a pescar fora de sua reserva, já que não há peixes nas nascentes dos córregos existentes no interior da reserva. Segundo o Cimi, isso tem provocado problemas e conflitos recorrentes.

Quinta, 21 de fevereiro de 2013

Delegada espera concluir em 10 dias inquérito sobre morte de índio em MS

Responsável por apurar as circunstâncias da morte de um adolescente indígena no último sábado (16), em Caarapó (MS), a delegada de polícia Magali Leite Cordeiro espera concluir o inquérito policial em no máximo dez dias. Oficialmente, o prazo para a conclusão das investigações é 30 dias, prorrogáveis por mais 30 dias.

A reportagem é de Alex Rodrigues e publicada pela Agência Brasil, 20-10-2013.

Segundo a delegada, embora seja um “crime de grande repercussão”, a Polícia Civil assumiu a investigação por se tratar de um crime comum, doloso (com intenção de matar) ocorrido no interior de uma propriedade particular. Caso as investigações apontem para a possibilidade de o assassinato ser resultante de um conflito por terras entre índios e fazendeiros, a Polícia Federal (PF) poderá ser acionada. Esta manhã, a polícia apreendeu uma carabina calibre 22 na sede da fazenda. A legalidade da arma ainda está sendo apurada.

O fazendeiro Orlandino Carneiro Gonçalves, de 61 anos, confessou ser o autor dos disparos que mataram o adolescente Denílson Barbosa. Dono da Fazenda Sardinha, vizinha à Aldeia Guarani-Kaiowá Tey´ikue, onde Denílson vivia, Gonçalves se apresentou espontaneamente à polícia e foi solto após prestar depoimento e assumir a autoria do crime.

Segundo o delegado regional, Antônio Carlos Videira, a hipótese de a Polícia Civil pedir a prisão preventiva ou temporária do fazendeiro ainda não foi descartada.

Além de Gonçalves, também foram ouvidos um funcionário da fazenda e um arrendatário de parte da propriedade. A delegada disse à Agência Brasil que outras testemunhas foram convocadas para prestar depoimentos. Entre elas, os policiais militares que atenderam à ocorrência e índios que moram na aldeia. Neste momento, a delegada está ouvindo o pai e os dois jovens que estavam com Barbosa quando ele foi morto.

Por causa do crime, o ambiente é tenso na aldeia, agravada pela “situação de vulnerabilidade” em que vive os índios. Apesar de acompanhada por alguns líderes indígenas e um representante da Fundação Nacional do Índio (Funai), a delegada foi recebida com desconfiança. “Minha grande dificuldade é conscientizá-los de que eles são as vítimas e que eu estou lá para fazer meu trabalho, que é apurar as circunstâncias do crime e apontar os autores. Para isso, tenho que ouvir as várias versões. Devido à situação de vulnerabilidade, eles não conseguem confiar em ninguém”, disse a policial.

Mas, para o antropólogo e líder guarani-kaiowá Tonico Benites, tudo não passou de um mal-entendido, embora os índios de fato cobrem que a PF acompanhe a investigação. “Até ontem não estava claro quem ia investigar o caso. Não há nada contra a Polícia Civil, embora a comunidade queira também a presença de representantes da Polícia Federal. O importante é que tudo seja apurado com rigor e rapidez”, declarou Benites à Agência Brasil.

Em seu depoimento, o fazendeiro disse ainda que não tinha a intenção de atingir o adolescente. Segundo a delegada, Gonçalves sustenta que estava sozinho em casa quando, por volta das 20 horas, ouviu os cachorros latindo e correndo na direção de um açude usado como criadouro de peixes, no interior da fazenda. O fazendeiro disse que foi até o local, viu vultos e atirou na direção deles. Ao chegar perto se deparou com um corpo caído. Foi quando se deu conta de que havia baleado uma pessoa.

O adolescente, segundo o fazendeiro, ainda estava vivo. Gonçalves garante ter colocado Barbosa na caçamba de sua caminhonete com a intenção de levá-lo ao hospital de Caarapó. Ao chegar próximo ao acesso à estrada para a cidade, contudo, avistou uma aglomeração que imaginou ser de índios à procura do jovem. Com medo de ser agredido, retornou e deixou o jovem ferido à margem da estrada, supostamente no mesmo local onde o corpo foi encontrado na manhã seguinte. A Agência Brasil tentou falar com a advogada de Gonçalves, mas não conseguiu localizá-la.

A versão do irmão de Barbosa, de 11 anos, e do cunhado, de 20 anos, é diferente. Segundo eles, os três saíram para pescar no final da tarde de sábado (16) e planejavam ir a um córrego cuja nascente fica no interior da terra indígena que cruza algumas fazendas. Eles disseram que ao entrar na fazenda, separada da aldeia por uma estrada, e se aproximar do criadouro, foram abordados por três homens armados, que dispararam. Na fuga, Barbosa ficou preso em uma cerca de arame farpado, foi alcançado pelos pistoleiros e agredido.

O coordenador substituto do escritório da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Dourados, Vander Aparecido Nishijima, esteve ontem (19) na reserva e ouviu a mesma versão dos dois jovens, que chegaram a identificar os três homens pelos apelidos, um deles conhecido como Paraguaio.

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), desde a criação do território indígena, em 1924, os índios são obrigados a pescar fora de suas terras, porque que não há peixes nas nascentes dos córregos existentes no interior da reserva. Segundo o Cimi, isso tem provocado problemas e causado conflitos recorrentes. Cerca de 5 mil índios vivem na Terra Indígena de Caarapó, que mede cerca de 3,5 mil hectares (1 hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, aproximadamente as medidas oficiais de um campo de futebol).

Espingarda é encontrada em casa de fazendeiro acusado de matar indígena

Na manhã desta quinta-feira a Delegada Magali Leite Cordeiro, concedeu entrevista à imprensa e comunicou que foi encontrado na casa do fazendeiro Orlandino Carneiro Gonçalves uma espingarda calibre 22.

A reportagem é de Maryuska Pavão e Osvaldo Duarte e publicada pelo jornal eletrônico Dourados News, 21-02-2013.

O fazendeiro de 61 anos, se apresentou na terça-feira (19) à noite na delegacia de Caarapó e confessou ter atirado contra Denilson Barbosa de 15 anos no último domingo (17) em sua propriedade.

Gonçalves confirmou ter feitos disparos contra os adolescentes após ouvir latidos dos cães que correram para a área de criadouro de peixes. Quando viu que feriu um dos garotos, tentou socorrê-lo, mas escutou alguns barulhos e ficou com medo de retaliação e abandonou o garoto.

O corpo de Denilson, morador da aldeia Tey´ikue, foi encontrado jogado ao solo, com um ferimento na cabeça provocado provavelmente por uma pistola calibre 38, que ainda não foi localizada.

A delegada informou que espera os laudos periciais para saber exatamente o que aconteceu, e deve solicitar uma reconstituição, caso não seja possível identificar a verdadeira versão do crime.

Ainda de acordo com a delegada se comprovado a intenção de matar ela deve apresentar pedido de prisão preventiva, contra o fazendeiro por homicídio doloso (quando há intenção de matar) e ainda por ocultação de cadáver. O fazendeiro segue em liberdade após prestar depoimento.

 



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