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Notícias e entrevista com cacique dos Guarani-Kayowá



05/11/2012

 

Ava Taperendi, cacique guarani-kaiowá, pede socorro

Recentemente, o povo indígena guarani-kaiowá, divulgou uma carta-protesto em função de uma decisão da Justiça Federal de Naviraí, do Mato Grosso do Sul, que determinou a retirada dos índios que ocupam terras da fazenda Samburá, em Iguatemi. O documento repercutiu em todo o país e alertou para a precariedade em que vivem os guaranis. A saída por terra da região está bloqueada e, com isso, os ocupantes só podem sair e entrar pelo rio Iowa. 



Fundação Nacional do Índio (Funai) foi obrigada a se manifestar sobre o assunto nessa sexta-feira (26). O órgão reconhece a luta dos guaranis e kaiowás e considera que a decisão de “não sair do local que considera seu território ancestral é uma decisão legítima.” A vice-procurado geral da República, Deborah Duprat, disse: “A reserva de Dourados é a maior tragédia conhecida na questão indígena em todo o mundo.”

São 43 mil guarani-kaiowá, divididos em 16 mil famílias, segundo Ava Taperendi, cacique dos Taquaras, uma das três aldeias ocupadas pelos índios na região de Dourados, no Mato Grosso do Sul.

O líder indígena falou à Fórum, 31-10-2012, e manifestou sua revolta com o silêncio da mídia e do poder público, além de pedir apoio à resistência, que ele afirma que será “até a morte”.

A foto é de Igor Carvalho

Eis a entrevista

Qual a situação de vocês, hoje?

A demora da demarcação das terras está nos prejudicando, estamos sofrendo demais por conta disso, é muito enfrentamento, contra o governador, fazendeiros e Justiça. Nossos líderes estão morrendo, sendo assassinados por um grupo apoiado pelo estado, um grupo formado por assassinos contratados pelos fazendeiros, e tudo isso leva os índios a um sofrimento muito grande. Nossas crianças e anciões estão desnutridos, todos debaixo de lonas, enfrentando frio, chuva, falta de dignidade e remédios.

E quanto à questão dos suicídios?

O que leva os índios a se suicidarem hoje, na área de Dourados, é que nós somos 43 mil pessoas sem condições de caçar, pescar, plantar e nem morar. Além disso, temos um problema que é a chegada das cidades, estamos encurralados entre duas cidades e queremos só viver a nossa cultura. Alguns jovens que tentaram se suicidar e não conseguiram foram perguntados do porquê, e eles alegaram que falta terra, não tem floresta, não tem por onde andar, pra onde vão já saem em uma fazenda fechada, numa chácara ou na cidade. Eles ficam muito incomodados.

Há muita pressão para que os índios saiam de suas terras e se adaptem a uma cultura que não é deles?

Hoje existe muita influência de outras culturas na aldeia, e isso não poderia acontecer, porque essas terras foram demarcadas em 1984 pelo SPI (Serviço de Proteção ao Índio) e ali tem que preservar nossa cultura. O povo guarani-kaiowá quer preservar suas rezas, sua língua, religião, danças e suas casas, não queremos outras coisas lá, precisa homologar e registrar nossas terras, para preservar a nossa cultura.

Vocês conseguem se alimentar bem, como está a saúde da população local?

Dependemos de uma cesta básica do governo, porque não temos condições de plantar, caçar e pescar, então só nos alimentamos com isso, é bem pouco.

Temos notícias de violência contra os índios, o que o poder público tem feito para coibir e fiscalizar os maus tratos?

O próprio governo montou uma equipe contra o índio. O governador André Pucinellidisse: “Eu não vou dar nenhum punhado de terra para índio”. Ele não fiscaliza nada, ele manda é a polícia, resolve o problema de índio com polícia. Semana passada, prenderam o Carlito [Carlito de Oliveira, liderança indígena local] acusando-o de matar dois policiais, e na verdade não foi ele que matou. Prendem o Carlito de noite, na cela, soltam de manhã, mas muitas vezes eles esquecem dele, que fica dois três dias preso, a cela foi construída dentro da aldeia. Nós fizemos um documento e mandamos para o Ministério Público Federal pedindo a liberdade do Carlito, aí eles aceitaram liberar, mas não pode sair da aldeia. Então, o poder público não faz nada a não ser perseguir o povo guarani-kaiowá, o próprio policial civil e militar atira nos indígenas, e isso a mídia não divulga. Meu pai foi assassinado [Marcos Veron] lutando por uma terra dele e ninguém diz nada, é muito sofrimento.

Como agem os pistoleiros?

De noite e de dia. Aconselhamos nosso povo a não sair sozinho, só em grupos de cinco a dez pessoas. Mataram meu pai, amigos, líderes, nos expulsam de nossas casas com violência e depois lemos na mídia que “os índios saíram pacificamente”. Colocam fogo em nossas casas, apontam armas para nossas cabeças, nos levam até caminhões e nos levam para muito longe da aldeia, depois nos deixam na beira da estrada e mandam a gente voltar a pé. Não estamos pedindo o Mato Grosso do Sul inteiro, apenas a terra de nossos antepassados, só isso. É um massacre, um massacre.

Hoje, após a repercussão, existe algo que o deixe otimista?

Nossos direitos são violados, nossas terras estão ocupadas, estamos passando necessidades, então não sou otimista. Ninguém faz nada para que nossos direitos aconteçam, nenhum parlamentar, senador, prefeito, governador, presidente, ninguém, mas vamos lutar até o fim. Quando o governo se cansar de nós, manda o exército e fuzila todo mundo, porque da minha terra eu não vou sair.

E a carta?

É tudo verdade, se o governo não nos respeita, nos mate logo e acabe com a gente. Já tentamos falar com esse governo, por quatro vezes, essa presidenta não nos recebeu, nem os ministros do Supremo Tribunal Federal. Na hora de pedir votos, todos eles lembram da gente, o Lula esteve lá, foi recebido por meu pai, chegou lá pedindo voto. Todas as lideranças eram contra o voto no Lula, para eles o Lula era comunista e comunistas fazem aquelas coisas com crianças. Naquela época (2001), os índios acreditavam nisso, meu pai que chamou todo mundo e convenceu os antepassados que o plano do Lula era ajudar os índios e demarcar as terras. Dois meses depois que ganhou, meu pai foi assassinado e ele nunca demarcou as áreas. Esse descaso é o que esse país oferece para nosso povo indígena, e a Dilma e oPucinelli estão massacrando o maior povo indígena do Brasil. Povo brasileiro, olhem para os guarani-kaiowá, precisamos de vocês, nos ajudem. Se alguém se interessar, vá visitar meu povo, veja de perto a desumanidade, nem um bicho que vocês criam em casa vive desse jeito que vivemos.

 

O Correio Braziliense

Correio, 01.11.2012

Entrevista :: TONICO BENITES

 

Índio quer ação do governo

Tonico Benites, ou Ava Verá Arandú, fala dos conflitos que assolam há décadas o cone sul de Mato Grosso do Sul, onde vivem 46 mil indivíduos das etnias guarani e caiová, não só como um deles. O olhar de cientista e pesquisador também faz parte da análise do indígena, que é mestre e doutorando em antropologia social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Para Benites, a decisão do governo de povoar a região, ainda na década de 1950, aliada à mentalidade de que índio é uma categoria menor de humano levou à situação atual. Em entrevista ao Correio, o antropólogo evita tachar os fazendeiros como grandes vilões da história, mas condena a morosidade do Estado em atender as demandas indígenas previstas na Constituição de 1988, como o direito ao território tradicional.

Que análise o senhor faz do conflito atual na comunidade Pyleito Kue?

Conflitos como esses vêm desde a década de 1970, quando os fazendeiros compraram as terras do governo, desmataram e os indígenas, alguns até trabalharam na derrubada das árvores, começaram a ser expulsos das terras. Os fazendeiros diziam que o índio não poderia ficar na área das fazendas, que iria espantar o gado. Mandavam os indígenas para as oito reservas que haviam sido marcadas anos antes.

E por que os índios não se fixaram nessas áreas reservadas?

Por vários motivos. Havia lideranças indígenas e de brancos nessas aldeias. Então, muitas famílias simplesmente não conseguiam viver dentro de uma nova regra. E aí trocavam de uma reserva para outra. Com a exploração do solo, principalmente pela criação do gado, as fazendas começaram a tomar espaço das reservas. Sassoró, por exemplo, que tinha 3,6 mil hectares, hoje tem 1,7 mil hectares. O resultado é muito índio vivendo em áreas pequenas. Bororó, em Dourados, tinha 500 pessoas em 1940, em 1980 já eram 1,5 mil. Foram vários problemas que levaram o índio a reivindicar a terra tradicional dele. Só que o fazendeiro também não quer sair, porque ele comprou a terra.

O fazendeiro tem sua parcela de razão então?

Muitos fazendeiros compraram sem nem saber que havia índios ali. Outros sabiam. Mas, como naquela época, e ainda hoje, o índio não é visto como humano, eles pensavam: "ah, tem índio, mas índio a gente manda embora, mata, resolve". Com a Constituição de 1988, nossos direitos começaram a ser respeitados. E por isso existe essa briga na Justiça. O governo precisa apressar as demarcações, precisa ser mais ágil para solucionar esses conflitos, que trazem muito sofrimento e violência. (RM)

Dia de índio

Mais de 400 pessoas, entre estudantes e integrantes de ONGs, marcharam ontem na Esplanada em defesa do povo guarani-caiová

 

Deputados apelam a Dilma e à ONU

Comissão de Direitos Humanos envia carta à presidente e a entidades internacionais e pede atenção especial ao momento de tensão vivido pela etnia guarani-caiová, em Mato Grosso do Sul. Na Esplanada, manifestantes marcharam pela causa

 

JULIA CHAIB - RENATA MARIZ

O drama vivido pelos índios guaranis-caiovás no país, em especial da comunidade Pyleito Kue em Iguatemi (MS), vem mobilizando entidades civis, a Justiça e o governo federal. Além do Ministério Público Federal e da Fundação Nacional do Índio (Funai), que recorreram da decisão judicial contrária à permanência dos indígenas na Fazenda Cambará, deputados da comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) também se envolveram na questão. Os parlamentares enviaram ontem uma carta à presidente Dilma Rousseff em que pediam atenção especial à situação vivida pela etnia. A CDHM mandará ainda um documento às Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA) para alertá-las sobre as condições de tensão e risco que os indígenas enfrentam no Brasil, em especial os de Mato Grosso do Sul. Na manhã de ontem, cerca de 400 pessoas se reuniram na Esplanada dos Ministérios na Marcha Brasília contra o genocídio do povo guarani-caiová.

No documento enviado à presidente, a comissão pediu atenção não só aos guaranis-caiovás de Pyelito Kue, mas também aos índios da comunidade Passo Piraju, também em Mato Grosso do Sul. Juntas, as duas aldeias somam cerca de 500 pessoas. "Nós enviamos representantes à região no ano passado para entender melhor o que se passa por lá. Os indígenas estão confinados em locais com problemas de acesso, em condições degradantes de existência", comenta a presidente da CDHM, a deputada federal Érika Kokay (PT-DF).

Com forte atuação em conflitos envolvendo fazendeiros e indígenas em Mato Grosso do Sul enquanto esteve no Ministério da Justiça, o ex-secretário de Assuntos Legislativos Pedro Abramovay explica as peculiaridades da situação. "Enquanto na maioria dos conflitos no país, como os da Região Amazônica, há posseiros de um lado e indígenas de outro, em Mato Grosso do Sul os fazendeiros têm títulos de propriedade, que o governo deu a partir da década de 1950. Parte está lá de boa-fé, mas claro que há episódios de violência", detalha Abramovay. "Há uma indefinição jurídica que o governo federal tem que resolver. Pela Constituição, as terras tradicionais devem ser reservadas para os índios. E não pode haver indenização", completa o mestre em direito constitucional, que é um dos responsáveis pela mobilização nas redes sociais em prol dos índios — petição virtual reuniu 270 mil assinaturas.

Para resolver o problema, Abramovay sugere uma mudança constitucional ou uma lei que permita indenizar os fazendeiros porque o governo deu títulos nulos. "A única alternativa que não pode é não colocar a mão na cumbuca." Para Kokay, a presidente Dilma precisa resolver o imbróglio. "Entendemos que muitos fazendeiros receberam de boa-fé propriedades em territórios indígenas, ainda que esses processos tenham sido irregulares. Portanto, concluímos que cabe ao Estado brasileiro indenizar esses produtores a fim de evitar prejudicá-los", diz trecho da carta.

Performances

Em Brasília, a mobilização pela etnia teve início às 10h, no Museu da República. Estudantes, professores, políticos e representantes de movimentos sociais marcharam pela Esplanada, passaram pelo Ministério da Justiça (MJ), pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e terminaram a manifestação na Praça dos Três Poderes. Alunos do curso de artes cênicas da Universidade de Brasília (UnB) fizeram diversas performances. Em uma delas, os manifestantes incendiaram um boneco que representava o ministro Gilmar Mendes em frente ao STF. "Fizemos isso porque foi ele quem embargou a questão das terras indígenas no caso dos caiovás", detalha Samuel Monteiro Costa.

Outro momento simbólico foi quando algumas pessoas fizeram pequenos cortes nos próprios braços com lâminas de barbear e derramaram sangue de animais — de açougues — no chão da Praça dos Três Poderes. "Eles se cortaram para representar o derramamento de sangue indígena. Foi uma coisa simbólica. Após a performance, houve o momento mais marcante da marcha. Fizemos uma grande roda e cantamos cânticos pedindo por paz", comenta Verenilde Pereira, uma das organizadoras da manifestação. Está marcada para 9 de novembro outra marcha a favor dos indígenas.

Câmara aprova ida de comissão de deputados a MS para acompanhar conflito entre índios e fazendeiros

 

Uma comissão de deputados irá acompanhar o conflito entre fazendeiros e os índios guaranis kaiowás em Mato Grosso do Sul. O plenário da Câmara aprovou nessa quarta-feira, dia 31, a ida de um grupo de parlamentares até o local. O autor da proposta, deputado Sarney Filho (PV-MA), ressaltou que a ideia é dar suporte aos indígenas que estão sofrendo ameaças.

A reportagem é de Iolando Lourenço e Ivan Richard e publicada pela Agência Brasil, 31-10-2012.

Há o temor de que com a suspensão da liminar que determinava a retirada do acampamento dos guaranis kaiowás da Fazenda Cambará, em Mato Grosso do Sul, haja um tensionamento ainda maior na região.

O plenário também aprovou projeto que que inclui os portais públicos e os sites de interesse público entre os meios de comunicação para os quais o Poder Público deverá adotar técnicas para melhorar o acesso de pessoas portadoras de deficiência. De iniciativa da Associação Brasileira de Acessibilidade (Abra), o projeto segue agora para análise do Senado.

Carta de Pyelito Kue para o Ministério Público Federal

 

Indígenas Kaiowá Guarani de Pyelito Kue solicitam demarcação do território. A íntegra da carta foi reproduzida pelo portal do Cimi, 31-10-2012.

Eis a carta.

“Solicitamos ao Ministério Público Federal (MPF) de Brasília para que a comunidade indígena Guarani Kaiowá do tekohá Pyelito Kue tenha acesso a sua terra, pois temos uma dificuldade de entrada no nosso território. Não há estrada que chegue até o acampamento e já estamos há mais de dez meses na margem do rio Hovy.

Quantas vezes a comunidade mandou documentos solicitando acesso urgente, perguntamos onde está o documento com a solicitação. 

A comunidade também pede que apure a demarcação de nosso tekohá Pyelito, pois estamos isolados, mas nem por isso vamos enfraquecer. Não vamos sair daqui, nem por bem, nem por mal e vamos lutar pela nossa terra até o último guerreiro.

Atenciosamente, comunidade Tekohá Pyelito, município de Iguatemi- MS”.

 

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NOTÍCIAS » Notícias

Quinta, 01 de novembro de 2012

 

Estudantes marcham em Brasília em defesa dos Guarani Kaiowá

 

Com rostos pintados, estudantes de escolas e universidades de Brasília se reuniram com representantes de movimentos sociais e indígenas de vários Estados, como São Paulo e Mato Grosso, para manifestar o apoio aos guarani kaiowá que lutam há décadas para conseguir a posse da terra em que vivem em Mato Grosso do Sul. 

A reportagem é do portal Terra com informações da Agência Estado, 31-10-2012.

Aluna de uma escola pública, Bianca Gomes de Souza, 16 anos, explicou o motivo da presença dos estudantes no manifesto: "Esta semana, assistimos a um filme sobre a luta dos guarani. Não sabíamos. Decidimos vir para ajudar no protesto. Queremos que a terra seja dada aos índios já que a terra é deles", disse. 

Bisneta de um índio da etnia Guarani Kaiowá do Rio Grande do Sul, a nutricionista Denise Camargo da Silva disse que só soube dos episódios em Mato Grosso do Sul pela rede socialFacebookDenise criticou a falta de informações sobre o que ocorre nas regiões onde vivem índios no País. "Trabalhei em um projeto pela UnB (Universidade de Brasília) e visitei algumas etnias em vários lugares do País. Independentemente do local, eles índios sofrem, são segregados, discriminados e violentados. E a língua deles poucas pessoas falam. Até isso estamos perdendo e são nossos ancestrais", criticou a nutricionista. 

O manifesto também contou com o apoio de representantes de outros grupos indígenas. É o caso de Manuel Claudionor, índio da etnia Mutina, de Mato Grosso. Ele é estudante e disse que soube do protesto pelas redes sociais. "Vim pelo que acontece na terra dos guarani, que estão perdendo a terra, muitos estão sendo assassinados ou estão se matando pela perda de seu espaço, da sua cultura. Somos índios e temos convicção de que todos temos os mesmos direitos. Somos os primeiros habitantes do Brasil", disse. 

Com uma história semelhante de luta pela terra, Rafael Wedero'o'wa Werére é da reserva Xavante na região de Barra do Garça, em Mato Grosso, reforçou a importância do apoio entre os povos. Ele lembrou que, quando ainda era adolescente, seus pais foram retirados de uma área ocupada por fazendeiros. 

"Tivemos problemas parecidos na nossa terra. Agora estamos retomando esta terra. O STFSupremo Tribunal Federal deu decisão favorável para a retirada dos não índios. Temos que apoiar os outros que estão na mesma situação", disse. Para o xavante, o apoio de outras etnias pode ajudar na luta pela demarcação do território Guarani Kaiowá. 

"Os guarani estão sofrendo muito e alguns consideram que eles estão invadindo fazendas, sendo que a terra é deles. Tem que demarcar para que eles possam viver lá e sejam respeitados como povo", defendeu. 

O ato que marcou a primeira manifestação pública a favor do povo Guarani Kaiowá nas ruas da capital federal, desde que os conflitos entre índios e fazendeiros foram retomados, começou a ser organizado por um grupo de estudantes da Universidade de Brasília (UnB). "Começamos a divulgar nas redes sociais e rapidamente tivemos a adesão de centenas de pessoas que começaram a mudar seus nomes no perfil do Facebook acrescentando o nome da etnia Guarani Kaiowá aos sobrenomes e confirmaram a presença na passeata. Essas pessoas divulgaram várias informações sobre a realidade desse povo", explicou Luiza Oliveira, estudante da UnB. 

A organização do protesto calcula que 600 pessoas participaram da passeata que começou no Eixo Monumental, região central da cidade, e prosseguiu até o gramado em frente ao Congresso Nacional e à Praça dos Três Poderes, onde de um lado está o Supremo Tribunal Federal e, de outro, o Palácio do Planalto. 

A Polícia Militar, que garantiu a segurança dos manifestantes, estima que 300 pessoas tenham participado do protesto. 

Ontem, o governo federal anunciou a suspensão da liminar que determinava a retirada dos índios guaranis kaiowá da Fazenda Cambará, em Mato Grosso do Sul. Com a decisão da Justiça, cerca de 170 índios que vivem no acampamento atualmente devem permanecer no local até que a demarcação de suas terras seja definida. Representantes do governo ainda garantiram que vão agilizar o processo de estudos para demarcação da terra indígena. 

De acordo com o Ministério da Justiça, a Fundação Nacional do Índio (Funai) vai apresentar, em 30 dias, o relatório final com a delimitação da área reivindicada pelos índios.



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