
No Pará, o Ibama comprovou um absurdo. Siderúrgicas compram carvão produzido com madeira retirada de áreas de desmatamento. As empresas usariam guias florestais frias para encobrir a fraude.
O ponto de partida da investigação foi o Assentamento Cururuí, no sudeste do Pará. Nas guias de transporte de produtos florestais, 700 mil metros cúbicos de madeira teriam saído para abastecer carvoarias da região. Mas, ao comparar o documento com o que se viu na prática, os fiscais constataram que algo estava errado.
O Ibama comprovou a fraude sobrevoando o assentamento. Para conseguir vender legalmente o que foi declarado nas guias florestais, a Associação de Agricultores do Cururuí deveria ter extraído madeira de uma área equivalente a 13 mil campos de futebol. Mas do alto, a constatação é de que não houve desmatamento na região autorizada para o manejo.
A informação foi confirmada por lavradores. Apesar de não ter sido derrubada uma árvore sequer, as guias mostram que a associação teria vendido madeira para mais de 20 carvoarias como uma em Goianésia do Pará. O dono se disse surpreso com o nome da carvoaria nos documentos.
“Nunca recebi galhos de árvore desse plano de manejo, que eu saiba não”, afirma Domingos Porto, dono de carvoaria.
Além de não comprovar a origem da madeira usada nos fornos, o dono também não soube explicar a quantidade de carvão produzido: nas guias, a empresa vendeu, para uma siderúrgica, um volume de carvão que corresponde ao dobro da produção máxima.
“Aí é que esta o problema. Eu não vendi isso. A minha produção não é compatível para isso”, explica o dono da carvoaria.
Segundo o Ibama, as guias florestais com os dados falsos serviam pra acobertar a fabricação de carvão com madeira retirada de áreas onde o corte é proibido. De acordo com o Ibama, o carvão ilegal abastecia as três maiores siderúrgicas do Pará.
Em quatro anos, as empresas teriam consumido quase um milhão de metros de carvão ilegal, o que representa o desmatamento de uma área equivalente a 28 mil campos de futebol.
“Esse carvão produzido de forma ilegal, oriundo de projetos de assentamento e áreas rurais, ele chegava ate a porta da siderurgia. Ao chegar a siderurgia, ele era acobertado com a guia florestal emitida de dentro da própria empresa”, afirma Paulo Marinho, gerente do Ibama de Marabá (PA).
O carvão esquentado com documentos falsos vem dos inúmeros fornos ilegais espalhados pela floresta, próximos ao Pólo Siderúrgico de Marabá.
A Cosipar, Companhia Siderúrgica do Pará, negou as denúncias e disse que cumpre a legislação ambiental. OS representantes da Ibérica e da Sidepar não foram localizados para comentar as denúncias.
Vamos abolir de vez essa vergonha