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FamĂ­lias deixam o campo em função da violĂȘncia



26/11/2011

CT - Correio Tocantins

Laísa dos Santos Sampaio veio embora do Assentamento Praia-Alta Piranheira com a família depois que mataram sua irmã e seu cunhado, José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo. Como ela, a CPT já contabiliza mais de uma dúzia de famílias que deixaram o campo tangidas pela violência.

Laísa recebeu a reportagem do CORREIO DO TOCANTINS na casa em que mora com cinco filhos, na Folha 28, e disse que se ressente de que até hoje a Polícia Civil não tenha dado crédito a sua denúncia da tentativa de assassinato de seu cão como forma de intimidar sua família. “Só a Força Nacional tratou o caso com seriedade”, elogia.

Professora formada em Pedagogia e com especialização na Universidade Federal do Pará (UFPA) em Currículo, Cultura, Letramento e Educação no Campo, ela trabalhava como vendedora ambulante, quando foi chamada para lecionar pela primeira vez em uma escola do assentamento, à beira do Rio Tocantins. Foi a segunda educadora do colégio, substituindo justamente a irmã, que mesmo sem ter o técnico em Magistério, dava aulas para as crianças.

Ela lembra que pouco antes de Maria ser assassinada, conversavam sobre o que tinham em comum. “Eu disse que uma coisa nos fazia diferente: a coragem do enfrentamento. Ela respondeu: 'enquanto tiver uma castanheira, mesmo que seja só uma castanheira, ainda assim eu derramo meu sangue por ela'.”

A reação do governo do Estado sobre a morte também demonstra que nada tende a mudar, ao menos em curto prazo. Logo após o assassinato, Laísa, o marido, os filhos e Claudelice Santos, irmã de José Cláudio, tiveram de deixar Praia Alta Piranheira com medo de também serem assassinados. Inicialmente, o governo paraense procurou a família para oferecer apoio. Arcou com os custos do velório e disse que providenciaria uma casa para as irmãs, além de oferecer atendimento psicológico a Cláudio Ramon da Silva, neto de 15 anos que o casal de extrativistas criava como filho.

No dia seguinte ao enterro, a equipe esteve presente. Foi a única vez. Claudelice recebeu R$ 400 para trazer os pertences a Marabá, enquanto Laísa teve de contar com a ajuda da prefeitura de Nova Ipixuna para conseguir um meio de transporte.

Procurado pela reportagem do Jornal, o advogado da Comissão Pastoral da Terra, José Batista Afonso, reconheceu que várias famílias nesta região estão deixando suas propriedades rurais com medo da violência. Além de 22 pessoas que residiam no Praia Alta Piranheira, outras famílias de áreas diversas também saíram de suas casas em áreas de assentamento nos últimos meses por causa de ameaças. “Abraão Lincoln do Nascimento, um dos líderes de acampamento da fazenda Baronesa, em Goianésia, foi à CPT informar que estava temendo as ameaças que recebia e mudou-se para a cidade.

De volta ao caso de Laísa, ela diz que as ameaçam são veladas, mas sempre acontecem. Alguém chega e diz para ter cuidado, porque ouviu outro falar que ela fala demais. “Na semana passada de novo veio a mesma pessoa falando para minha irmã que era para ter cuidado, que não era pra eu voltar pra lá, que eu estava correndo risco, aí a gente vai ver o fundamento, essa pessoa é compadre do mandante que está solto. Será que não está por dentro? Claro que está. “Existe uma certa ‘consideração’ pela minha família, pelas minhas irmãs, porque duas foram casadas com parentes deles”.(Ulisses Pompeu)



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