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Anistia Internacional - Assassinato de juíza brasileira expÔe corrupção da polícia.



19/08/2011

O assassinato de uma juíza por pistoleiros, nas proximidades do Rio de Janeiro, expõe a dimensão dos problemas que a cidade enfrenta com a corrupção policial e o crime organizado, declarou hoje a Anistia Internacional.

Na noite de 11 de agosto, quinta-feira, quando a juíza Patrícia Acioli chegava de carro a sua casa, no município de Niterói, pistoleiros encapuzados se aproximaram, em diversos veículos, e dispararam contra a juiza 21 tiros à queima roupa, segundo os laudos forenses iniciais.

Uma investigação foi aberta para determinar quem está por trás do atentado. Sabe-se, porém, que Acioli já havia recebido ameaças de policiais e de grupos criminosos, e que seu nome constava em uma lista de 12 pessoas, entre juízes e promotores, juradas de morte por uma milícia local controlada por ex-policiais. Em razão de ameaças anteriores, ela já havia recebido proteção policial por algum tempo; porém, em 2007, essa proteção foi reduzida.

“O assassinato brutal de Patrícia Acioli revela uma situação extremamente perturbadora, em que a corrupção e o crime organizado controlam amplos setores da vida pública em muitas áreas do Rio de Janeiro," afirmou Patrick Wilcken, pesquisador da Anistia Internacional sobre o Brasil.

“O assassinato de uma juíza que simplesmente cumpria seu dever é um duro golpe contra o Estado de direito e o sistema judicial do País. As autoridades devem conduzir uma investigação aprofundada e independente para levar os responsáveis à Justiça.

“E devem fazer muito mais do que isso. As autoridades federais, estaduais e municipais devem adotar medidas coordenadas para erradicar o crime organizado da cidade, ao mesmo tempo promover proteção adequada para as pessoas envolvidas em investigar e processar policiais corruptos e grupos criminosos.”

Acioli era conhecida como uma juíza implacável, com um longo histórico de investigações sobre o envolvimento da polícia com grupos de extermínio, milícias e narcotraficantes que atuam na região metropolitana do Rio de Janeiro. Na última década, ela condenou cerca de 60 policiais ligados a grupos de extermínio e a milícias – máfias que recorrem à violência e à extorsão para intimidar e exercer controle sobre as comunidades.

No fim de 2008, a Assembléia Legislativa do Estado conduziu uma Comissão de Inquérito (CPI) com o intuito de combater as milícias.

Apesar das mais de 500 prisões de milicianos e importantes julgamentos de policiais corruptos, pouco foi feito para combater com a rede de atividades econômicas ilegais que alimenta esses grupos.

“A polícia e as autoridades municipais e estaduais estão fazendo vista grossa para a extensa rede de negócios de transporte, gás e telecomunicações controlados pelas milícias, que continuam a operar com impunidade por todo o Rio de Janeiro”, disse Patrick Wilcken.

“Para se enfrentar o poder do crime organizado no Rio de Janeiro, é preciso dar um passo essencial: pôr em prática as recomendações da CPI das Milícias de 2008, que contava com o apoio da própria juíza Acioli. Obviamente, tais medidas incluem combater o mercado clandestino que sustenta e fortalece a corrupção policial e o crime organizado.”

Centenas de comunidade e favelas do Rio de Janeiro são controladas por milícias

© Christian Franz Tragni/Demotix

 

Grupos de traficantes e milícias formadas por ex-policiais corruptos se valem de violência e intimidação

© Christian Franz Tragni/Demotix





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