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Senado adia manobra a favor do trabalho escravo



12/12/2015

TV SENADO:   15/12/ 2015     

Trabalho escravo no Brasil é tema de debate entre expositores de audiência pública.

VÍDEO:  http://www.senado.gov.br/noticias/TV/Video.asp?v=426234

 

 

 

http://odia.ig.com.br/ 11/12/2015 00:01:52

ONGs que combatem a escravidão comemoraram derrota da bancada ruralista

 
CAIO BARBOSA

Brasília - Representantes de entidades ligadas aos direitos humanos e ao combate ao trabalho escravo obtiveram uma importante vitória ontem, em Brasília, ao barrarem, ainda que de forma parcial, uma manobra da bancada ruralista no Senado que protegeria o trabalho escravo em território brasileiro.

Renan Calheiros ouviu apelos da sociedade contra o trabalho escravo
Foto: Agência Brasil

O requerimento aprovado às pressas no fim da noite de quarta-feira previa para ontem uma votação-relâmpago a fim de aprovar a emenda 81/2014, que prega o confisco de propriedades onde houver trabalho escravo. 

manobra, no entanto, consistia em retirar parte da emenda que caracteriza as condições de trabalho análogas à escravidão no Brasil.

A atitude ruralista teve reação imediata entre os ativistas que combatem o trabalho escravo no país. Diretora do Movimento Humanos Direitos (MHuD), a atriz Dira Paes, enviou mensagem ao presidente do Senado, Renan Calheiros, pedindo que interviesse na questão. Mesma coisa fez o ator Wagner Moura, representante no Brasil da Organização Mundial do Trabalho (OIT).

No fim da tarde de ontem, veio o alívio, ainda que parcial, mas muito comemorado por quem combate o trabalho escravo no país. A emenda não foi votada no Senado, o que deve acontecer apenas na próxima terça-feira, após nova audiência pública para ouvir trabalhadores, atores envolvidos no combate ao trabalho escravo e demais representantes da sociedade civil.

“Esta proposta pretende ajudar a acabar com o trabalho escravo, mas mudando o que é trabalho escravo, e não combatendo diretamente o problema. Além disso, ela surge no meio desta balbúrdia que se instalou no Congresso sobre a discussão do impeachment”,denunciou Leonardo Sakamoto, presidente da ONG Repórter Brasil, referência na defesa dos direitos humanos no país.

 

 

Portal Title

NA SURDINA

 

Wagner Moura:


'Manobra sorrateira da bancada ruralista'

 

10/12/2015 

Senado se prepara simplesmente para modificar o conceito de trabalho análogo à escravidão. Medida leva ator a enviar carta ao presidente da Casa, Renan Calheiros
por Marcelo Auler publicado 10/12/2015 13:59
 
EBC MEMÓRIA
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Marcelo Auler Repórter – Até parece jogo de carta marcada. Enquanto a Câmara dos Deputados distrai a todos com os golpes baixos que seu presidente, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e sua trupe aprontam, o Senado se prepara simplesmente para modificar o conceito de trabalho análogo à escravidão. Quase na surdina.

Esbarrou, porém, nos olhos atentos de três ativistas do combate deste tipo de exploração, cada qual no seu campo: o padre e professor universitário Ricardo Rezende; o jornalista Leonardo Sakamoto; e o ator Wagner Moura.

Pela previsão, nesta quinta-feira, exatamente no dia em que comemora-se os 67 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Senado prepara-se para, em uma manobra da bancada ruralista, votar o projeto de lei que regulamenta a emenda constitucional 81/2014 (antiga PEC do Trabalho Escravo).

A lei, como lembra Sakamoto em seu blog – “Trabalho escravo: Congresso prepara mais um golpe contra trabalhadores” –  tem até aspecto interessante, como o confisco de propriedades em que esse crime (trabalho análogo à escravidão) for encontrado.

A questão, porém, é outra. Ao mesmo tempo em que incorpora uma antiga reivindicação dos movimentos em defesa dos trabalhadores – notadamente no campo, aonde a prática do trabalho análogo à escravidão é mais constante –  ela, porém, “retira a parte que protege a dignidade do trabalhador – o que vai facilitar a vida de empregadores flagrados com essa forma de exploração do ser humano”, lembra Sakamoto.

Pelo artigo 149, são elementos que determinam trabalho análogo ao de escravo: condições degradantes de trabalho (incompatíveis com a dignidade humana, caracterizadas pela violação de direitos fundamentais o que  coloca em risco a saúde e a vida do trabalhador); jornada exaustiva (em que o trabalhador é submetido a esforço excessivo ou sobrecarga de trabalho que acarreta a danos à sua saúde ou risco de vida); trabalho forçado (manter a pessoa no serviço através de fraudes, isolamento geográfico, ameaças e violências físicas e psicológicas); e servidão por dívida (fazer o trabalhador contrair ilegalmente um débito e prendê-lo a ele).

O projeto quer retirar os dois primeiros elementos da caracterização de trabalho escravo, as condições degradantes e a jornada exaustiva. Em mensagem encaminhada ontem (9) ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Wagner Moura, que também atua como Embaixador da Boa Vontade junto à Organização Internacional do Trabalho (OIT), advertiu: “Trata-se de uma manobra sorrateira da bancada ruralista”.

 

“Caro Senhor Senador Renan Calheiros,

Meu nome é Wagner Moura, sou ator brasileiro, fiz alguns filmes que talvez o senhor tenha assistido, como Tropa de Elite.

Além disso, venho trabalhando junto a OIT como Embaixador da Boa Vontade, especificamente na luta mundial contra o trabalho escravo.

Em viagens por vários países tenho tido o prazer de dizer que o Brasil é protagonista mundial dessa luta. Nenhum país tem em seu código penal uma definição tão abrangente de trabalho análogo à escravidão. Em nosso país, como o senhor sabe, trabalhos em jornadas exaustivas, em condições que degradem a natureza humana, por dívidas ou forçados são considerados como trabalho análogo ao escravo.

Isso é motivo de orgulho de muitos brasileiros e de admiração mundo afora.

Com a votação, por pedido de urgência no Senado, do projeto de lei que regulamenta a emenda constitucional 81\2014 estaremos correndo o risco de mais um grande retrocesso no nosso país.

Lhe peço Senador, por meio desta mensagem, como brasileiro e Embaixador da Organização Internacional do Trabalho que o Senado não permita a concretização dessa manobra e que antes de colocar o projeto em votação, faça as necessárias consultas públicas a respeito desse tema.

Atenciosamente, Wagner Moura



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