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Marab√°: Julgamento em fase final



04/04/2013

Movimentos de defesa de direitos humanos fazem protestos em Marabá durante o julgamento dos acusados de assassinar extrativistas em Nova Ipixuna

 

Marabá

Edição de 04/04/2013
da sucursal e do G1

O conselho de sentença do júri dos três acusados de assassinar os ambientalistas José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo concluiu, por volta de 21h30 de ontem, a oitiva de testemunhas do processo e também dos réus José Rodrigues, Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento. Na manhã de hoje, o júri retoma as atividades no fórum de Marabá às 8 horas, com os debates entre defesa e acusação. A previsão é que a sentença seja anunciada no final da manhã ou no início da tarde desta quinta-feira.

Ontem, seis testemunhas foram ouvidas sobre o crime, ocorrido no dia 24 de abril de 2010 na zona rural do município de Nova Ipixuna, sudeste paraense. José Rodrigues, Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento são apontados pelo Ministério Público como autores do crime.

Durante a manhã, representantes de movimentos sociais acamparam em frente ao fórum de Marabá, onde ocorre o julgamento. Deitado no chão, um grupo de agricultores fazia alusão aos assassinatos no campo ocorrido nos últimos anos no Pará. O ator da TV Globo Osmar Prado, que veio a Marabá para acompanhar o julgamento, disse que espera que os acusados recebam a pena máxima. " Temos que dar uma resposta para crimes desta natureza", disse o ator. O padre Ricardo Rezende, membro de uma entidade nacional de direitos humanos, e dom Erwin Kräutler, bispo prelado do Xingu, também estão em Marabá para acompanhar o julgamento.

O julgamento, iniciado às 9 horas da manhã de ontem, tem previsão para terminar na noite de hoje. Durante o dia, mais testemunhas serão ouvidas sobre o caso. Os últimos a falar serão os acusados de matar o casal de sindicalistas. Logo depois, haverá o debate entre defesa e acusação.

Caso o julgamento não seja encerrado hoje, existe a possibilidade de ser retomado na segunda-feira, dia 8, por causa do feriado municipal pelo aniversário de Marabá na sexta-feira.

O juiz Murilo Lemos Simão, que preside o julgamento, não permitiu que fossem feitas imagens dentro do plenário onde acontece o júri.

Caso - José Cláudio e Maria do Espírito Santo foram mortos no dia 24 de maio de 2011. Eles estavam em uma moto na zona rural de Nova Ipixuna quando foram abordados pelos assassinos, que atingiram o casal com disparos de cartucheira após eles passarem por uma ponte. José Cláudio teve uma das orelhas cortadas quando ainda estava vivo.

Ministra pede punição para acusados

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República divulgou nota para pedir a punição dos acusados pelo assassinato de um casal de extrativistas no Pará.

A Secretaria de Direitos Humanos, comandada pela ministra Maria do Rosário, disse esperar que "os jurados tenham a sensibilidade e a firmeza em defender os direitos humanos e tornar esse caso um exemplo na consolidação da Justiça e um marco na proteção dos defensores de direitos humanos".

"Que os assassinos sejam punidos com rigor, evitando a perpetuação da impunidade no país", diz a nota.

Ainda de acordo com o texto, a secretaria diz que se manterá atenta no combate à violação dos direitos humanos de pessoas "que lutam por causas justas".

"Mais do que isso, cuidaremos para que o debate em torno da reforma agrária no país seja construído dentro dos limites de civilidade, em busca de um país mais paritário para todos os brasileiros e brasileiras", diz a nota.

Testemunha diz ter visto réu deixar local do crime

No período da tarde, por ocasião do depoimento da terceira testemunha, Nilton José Ferreira de Lima, ocorreu o primeiro embate entre a defesa e a acusação, momento em que a testemunha afirmou que viu o réu José Rodrigues sair do local momentos depois do assassinato do casal de ambientalistas.

Os advogados dos acusados contestaram a informação, alegando que a testemunha estava mentindo.

Outras três testemunhas relataram o envolvimento da vítima José Claudio Ribeiro no assassinato do colono Odilon, o "Pelado", crime ocorrido em 18 de setembro de 2009, no assentamento Praialta Piranheira.

As três depoentes, mãe, esposa e irmão de "Pelado", disseram aos jurados que José Claudio participou do crime por ter desavenças na distribuição de lotes na área. A mãe da vítima chorou ao lembrar a morte do filho. "Quem matou meu filho foi o Zé Claudio e seus irmãos", disse a depoente, que passou mal e foi retirada da sala.

Três promotores e o advogado da CPT de Marabá, José Batista Afonso, atuam na acusação. Já os acusados de assassinar o casal de ambientalistas são assistidos por outros três advogados.

Familiares apontam rixa entre réus e ambientalistas

A primeira testemunha a depor foi o colono José Maria Gomes Sampaio, cunhado da vítima José Claudio Ribeiro. Ele contou que não presenciou o crime, mas afirmou ter conhecimento de que existiam animosidades entre José Rodrigues e o casal assassinado. Em seguida, prestou depoimento Laisa Sampaio, irmã da vítima Maria do Espírito Santo. Ela narrou que, depois da morte do casal de ambientalistas, teve que sair do assentamento Praialta Piranheira, porque recebeu ameaças de morte. Indagada pela promotoria, Laisa Santos, que é professora no assentamento, disse que uma cartorária de Marabá, identificada como Neusa Santis, vendeu um lote de terra para o réu José Rodrigues. Em seguida, Rodrigues teria expulsado do terreno uma família de agricultores que residia no local.

Segundo Laisa Santos, ao tomar conhecimento do caso, o casal de ambientalistas ordenou o retorno da família ao lote comprado por José Rodrigues, o que o teria deixado irritado.

Laisa Sampaio disse, também, que os irmãos José Rodrigues e Lindonjonson tinham motivos para tramar a morte do casal, uma vez que José Claudio e Maria denunciam todas as ilegalidades que ocorriam dentro do assentamento Praialta Piranheira.

Com relação ao réu Alberto Nascimento, Laisa disse que não tem certeza da participação do mesmo no duplo homicídio.

 

Neste site:   Marabá: MHuD acompanha julgamento de assassinos de casal extrativista 



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