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Prêmio João Canuto: defesa dos Direitos Humanos - UFRJ



31/10/2012

Prêmio
COORDCOM/UFRJ
dmvi@reitoria.ufrj.br

Yasmine Adoracion Calderaro Batista
Setor de Comunicação – Nepp-DH

Na última quinta-feira (25/10), o Auditório Professor Manoel Maurício de Albuquerque ficou pequeno para o numeroso público que prestigiou o Prêmio João Canuto, promovido pela ONG Movimento Humanos Direitos (MHuD). Em parceria com a UFRJ , o Grupo de Pesquisa do Trabalho Escravo Contemporâneo (GPTEC) e o Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos (Nepp-DH), o prêmio é oferecido a iniciativas expressivas na defesa dos Direitos Humanos.

Por ser o MHuD uma ONG com foco na luta contra o trabalho escravo e o abuso infantil, além de defender causas ambientais, indigenistas e quilombolas, os discursos da noite deram atenção especial a assuntos como o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 438 – que diz respeito ao confisco de terras de quem explora mão de obra escrava – e os recorrentes conflitos armados por território, envolvendo fazendeiros, quilombolas e indígenas no Brasil. A ocasião também foi o momento para divulgar a estreia de um novo prêmio de Jornalismo, o Prêmio D. Pedro Casaldáliga, para as melhores reportagens sobre o trabalho escravo no Mato Grosso.

Membros da ONG, além de diversos artistas, como Dira Paes, Osmar Prado, Bete Mendes e Marcos Winter, um dos criadores do MhuD, marcaram presença na premiação. Eles discursaram sobre a importância dos Direitos Humanos e entregaram os troféus aos homenageados, diante de aplausos emocionados de comitivas do Pará, Mato Grosso, Maranhão e Brasília.

O primeiro homenageado foi Felício de Araújo Pontes Jr., procurador da República do Pará, que atua em favor dos menos favorecidos do estado. De acordo com ele, “o estado sofre com a perda de sua herança cultural diante dos grandes projetos de exploração”. O troféu foi entregue pelo ator Sérgio Marone: “Eu admiro o Felício Pontes, que defende as pessoas ameaçadas pela usina de Belo Monte. Hoje em dia, ele tem um papel fundamental nessa questão”, afirmou.

Osmar Prado apresentou a professora e ambientalista Laísa Sampaio, que mesmo depois do assassinato da irmã e do cunhado permanece dedicada à luta pelos Direitos Humanos no Pará, por meio de denúncias de assassinatos. O trabalho de Laísa rendeu prêmios da Organização das Nações Unidas (ONU), mas ela ainda corre risco de morte. “Tudo isso me fez ser expulsa até do assentamento”, revelou, emocionada, ao dedicar o prêmio ao companheiro de assentamento José Maria Gomes.

Depois, foi a vez do líder militante Givanildo de Nazaré Campos Reges, conhecido como “Gil Quilombola”. O ator Eduardo Tornaghi arrancou aplausos ao declamar versos exaltadores do orgulho negro. Gil falou sobre o movimento que luta pela terra quilombola – Moquibom – e seu apoio incondicional às comunidades ribeirinhas, movimentos indígenas e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Maranhão.

Após denunciar a precariedade das comunidades e a omissão do governo, Gil presenteou o MHuD com uma bandeira do Moquibom e fez um apelo: “Nós não precisamos dessa migalha que o governo nos dá. Nós queremos é terra para trabalhar. Isso é ‘conversa para boi dormir’, e nós não vamos dormir porque não somos bois. Enquanto isso, nossos companheiros estão morrendo”, enfatizou.

Marcos Winter discursou sobre a PEC 438 e disse o que espera da ONG: “Eu quero que essa ONG acabe! Não é possível que hoje, em pleno século XXI, ainda exista trabalho Escravo!”, lamentou. Winter chamou ao palco a cineasta Lúcia Murat, que dedicou o prêmio à juventude de hoje, que pressiona pela punição dos ditadores. “A única maneira de lutar contra o horror é acreditar na humanidade”, concluiu.

Por último, a atriz Letícia Sabatella entregou o prêmio à teóloga Márcia Miranda, esposa do teólogo e professor Leonardo Boff.  A homenageada leva os ensinamentos religiosos e sobre os Direitos Humanos para as comunidades carentes de Petrópolis, e resgatou as lutas sindicais e sociais na região. “No meu tempo, ‘Direitos Humanos’ era coisa de bandido”, observou Márcia, ao dedicar o prêmio à família e à Comissão de Direitos Humanos de Petrópolis.

Outro premiado foi o arcebispo de Recife, D. Fernando Saburido – nomeado ao presbitério por D. Helder Câmara –, que se mostrou bastante comovido com as várias menções à Igreja durante a cerimônia. “Isso mostra que a Igreja tem atuado muito em prol dos Direitos Humanos”, disse.

Já a ONG Apitaço – representada por Rejane Maria Pereira da Silva – foi lembrada por incentivar o uso do apito na denúncia e proteção da mulher contra a violência doméstica. A diretora-geral da Polícia Rodoviária Federal, Maria Alice Nascimento Souza, foi representada por Márcia Freitas Vieira, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Polícia Rodoviária Federal. Maria Alice ganhou reconhecimento pelo engajamento no Projeto Mapear, que combate a prostituição de crianças e adolescentes.

A cerimônia terminou com o discurso de Leonardo Boff sobre a necessidade de doação e solidariedade para uma vida digna, além da apresentação de canto da atriz Letícia Sabatella.



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