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Poesia de auto-ajuda - Tribuna Bis



21/06/2005

POESIA DE AUTO-AJUDA
Tribuna Bis - Rio de Janeiro 21/06/2005
Larissa Grutes

Bruno Cattoni lança esta noite "Osso", novo livro em que pretende que o leitor se reconheça e encontre a sua originalidade

Muitos poetas tentaram explicar o que é fazer poesia. Mário Quintana, com a simplicidade que lhe é peculiar, explicou que poesia não é tentar em vão trepar pelas paredes, mas, sim, trepar mesmo pelas paredes. O poeta e jornalista Bruno Cattoni concorda com Quintana e crê que a arte seja o remédio para a mesmice e os conceitos estanques da sociedade. Mas para definir o que escreve, prefere citar o filósofo francês Gaston Bachelard, que acreditava na poesia como "o momento em que a alma encontra uma forma".                                                                                         
"Quero que o mundo toque na alma, que tudo aquilo de abstrato se torne concreto, que as pessoas vão até o osso, até o que há de mais concreto", afirma Bruno. Não à toa, o livro de poemas que lançará hoje - na Livraria do Conde, no Leblon - se chama "Osso" (Editora 7 letras; 81 páginas; R$ 25) e, se ele tivesse de escolher uma outra categoria para este, que é o seu quinto livro, seria a de auto-ajuda.
"Quando você vai até o osso, você se reconhece, encontra a sua personalidade e fica mais autêntico. Por isso, brinco que é um livro também de auto-ajuda", justifica, lembrando que esta idéia de que a verdade está dentro de você é de Nietzsche, que também propunha uma "busca metafísica em si mesmo".
Nietzsche e Bachelard não são os únicos pensadores que Bruno cita. Direta ou indiretamente, conceitos de Jean-Paul Sartre, Platão, Karl Marx, Freud e Jung permeiam sua fala. A erudição do poeta também está presente em "Osso", cuja leitura não é fácil. E nem poderia ser, conforme afirma Nadiá Paulo Ferreira na apresentação do livro: "A não ser que Bruno escolhesse a mesmice dos clichês e da redundância".
No entanto, Bruno acredita que a poesia não precisa ser de difícil acesso. Em 1985, ele criou o projeto Poesia em Concerto, em que declamava poemas de bar em bar. Algumas destas apresentações, inclusive, poderão ser vistas hoje à noite no lançamento do livro, que também contará com a presença de poetas declamando, como Tavinho Paes.
"Antes, eu achava que simplificar a minha poesia era empobrecê-la. Hoje não, quanto mais poetas existirem mais furaremos os bloqueios do establishment", lembra Bruno. Buscando furar esses bloqueios, aliás, ele gravou seis de seus trabalhos para o site www.imusica.com.br, que podem ser ouvidos por R$ 0,99 cada.

Poesia, jornalismo e combate

"É urgente que se troque a linguagem do mundo, viciada, que acaba com a ilusão", protesta Bruno Cattoni. Este é apenas um de seus desejos e, para alcançá-los, ele atua em três frentes: como poeta, jornalista e militante de causas sociais. Ao lado de dezenas de artistas como Camila Pitanga, Marcos Winter, Letícia Sabatella e Leonardo Vieira, ele faz parte do movimento Humanos Direitos - que fundou com o padre Ricardo Resende - que luta contra o trabalho escravo e se volta para questões sociais, como a reforma agrária. Com Herbert Daniel, criou o grupo Pela Vidda em benefício dos que, assim como ele, são soropositivos.
O jornalismo e a informação objetiva são as armas que usa "para despertar um interesse pelos assuntos e causar identificação das pessoas", segundo Bruno, que é coordenador da editoria Rio e editor de textos de projetos especiais da Rede Globo. Sua maior luta, entretanto, é com a poesia, seguindo orientações de Mário Quintana, que acreditava que "quem faz um poema salva um afogado": "Quero causar o mesmo choque com poesia que causei com as palestras que dava com o grupo Pela Vidda, nos anos 80, quando as pessoas desconheciam a Aids", planeja.
Para isso, deve haver um estímulo à escrita, sobretudo de poesia, em sua opinião. "A poesia tem uma enorme função social. É na quebra de padrões que ela entra. Poesia não pode ser só um ornamento, ela está aí para romper com a lógica", analisa. A lógica, aliás, é citada por Bruno muitas vezes e é um dos poucos motivos que o faz se exaltar e mudar seu calmo semblante na agradável tarde no Jardim Botânico: "Não é possível que este mundo seja regido pela lógica. Odeio a lógica, tenho de preferir o mito", filosofa.



Foto: Divulgação



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