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Entrevista com PatrĂ­cia Saboya Gomes Revista Movimento MĂ©dico



01/10/2005

“A EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E JOVENS É UMA DAS PIORES VIOLAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS”

Entrevista com: PATRÍCIA SABOYA GOMES

Revista Movimento Médico
Ano II - Nº 5 - Ago / Set / Out / 2005

A exploração de crianças e adolescentes é tão gritante no brasil que mereceu a instalação de uma comissão parlamentar mista de inquérito (cpmi) no congresso nacional. os trabalhos já foram concluídos. os dados estão na publicação esperança para as crianças do brasil – a cpmi da exploração sexual apresenta seus resultados, de autoria da senadora patrícia saboya gomes, à época no partido popular socialista e hoje sem partido.

Aos 42 anos, essa cearense de sobral se orgulha do trabalho que fez. para ela, a exploração sexual de crianças e adolescentes “é uma das piores violações dos direitos humanos”. patrícia apóia a administração lula – é vice-líder no senado federal –, mas nem por isso deixa de criticá-la. “falta ousadia ao governo federal para essa questão”, sentencia.
nesta entrevista exclusiva à revista movimento médico, feita pelo repórter beto rezende, em fortaleza, a senadora patrícia saboya gomes critica a falta de recursos para combater a exploração sexual de crianças e adolescentes e defende um investimento forte na educação como forma de evitar que milhares de crianças e jovens sejam explorados.

movimento médico – qual a maior dificuldade para se combater a prostituição infantil no brasil?
patrícia saboya gomes: a exploração sexual de crianças e adolescentes é uma das piores formas de violação de direitos humanos. durante o trabalho na cpmi, constatamos que isso se dá por questões econômicas. por causa da pobreza, da miséria. muita gente considera o problema grave, mas por outro lado acha que é inevitável. aí, entra a questão cultural, as relações culturais. pobres e ricos. brancos e negros. essa questão cultural é a mais difícil de ser vencida. era preciso discutir o tema, até porque a exploração sexual de crianças e adolescentes não era um assunto nacional. para se ter uma idéia, a última vez que o congresso discutiu o assunto foi há 11 anos.

quais os números atualizados da exploração sexual de crianças e adolescentes no país?
patrícia saboya gomes: eu, patrícia, não me arrisco a dar números. segundo a secretaria nacional de direitos humanos, existe exploração sexual de crianças e adolescentes em cerca de mil municípios.

como a senhora avalia o trabalho do governo lula em relação a esse tema?
patrícia saboya gomes: o presidente lula foi o primeiro presidente do brasil que trouxe para si a responsabilidade de erradicar a prostituição infantil. mas o governo federal ainda precisa de uma política mais criativa e ousada. hoje, só existe o projeto sentinela, que atende a crianças vítimas de exploração sexual. eu acredito que deveria existir um investimento maciço na educação. se tivéssemos escolas decentes, de qualidade, em tempo integral, coisas desse tipo (a exploração de crianças) não estariam acontecendo. os governos não estimulam as crianças pobres a pensar. repito: falta ousadia. tem que ter escola com curso de inglês, com internet. a classe média tem. então, os pobres têm que ter também. chega de política pública para pobrezinho. voltando ao governo lula, destacaria o trabalho feito pelo ministro walfrido dos mares guia, que tem sido duro com os que exploram crianças e adolescentes. governantes corajosos são fundamentais. recentemente, o governo do ceará mandou voltar um avião cheio de gente que vinha para fortaleza fazer turismo sexual. foi um grande exemplo.

quais os dados que a cpmi tem quanto ao abuso sexual na família?
patrícia saboya gomes: o abuso sexual contra crianças e adolescentes se dá, em 90% dos casos, dentro da família. isso dificulta muito o trabalho de levantamento de dados, até porque quem é molestado por pai, tio, ou qualquer outro parente próximo, tem medo de denunciar o crime.

quanto existe em orçamento do governo federal para combater os exploradores?
patrícia saboya gomes: infelizmente, hoje os recursos estão espalhados em vários órgãos. os recursos são insuficientes para um trabalho mais eficaz. o sentinela, por exemplo, só atua em 350 cidades. é muito pouco num país que tem 5.507 municípios.

como a sociedade civil pode atuar para combater mais eficazmente a exploração de crianças e adolescentes?
patrícia saboya gomes: a sociedade civil tem sido a nossa principal aliada no combate à violência sexual. é essa sociedade que tem mais experiência no combate aos exploradores. temos que tirar o chapéu para as ONGS como a Humanos Direitos, que fazem um trabalho muito sério.

no âmbito internacional, como andam as articulações contra a exploração sexual infanto-juvenil?
patrícia saboya gomes: no dia 9 de junho último, estive no encontro mundial de mulheres parlamentares, em genebra, na suíça. discutiu-se a exploração de crianças, o tráfico de seres humanos e o envolvimento infanto-juvenil em conflitos armados. os problemas são parecidos em todos os países. veja a itália: lá, as leis são muito duras, muito rígidas, mas, paradoxalmente, é da itália que vem o maior número de pessoas em busca de turismo sexual.



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