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Pitanga madura - Revista Brasil Raça



01/04/2006

PITANGA MADURA
Sem afetações e longe da fama de certinha, a Camila mulher e a Camila atriz mostram -se diferentes - mas igualmente inteligentes, divertidas e politizadas

Revista Brasil Raça
Edição 97 - Abril/2006
POR CAROL FREDERICO
STYLING: MARINA FRANCO

Trecho da entrevista

Camila Manhães Sampaio, a filha do Antonio e da Vera, irmã do Rocco, mulher do Cláudio, enteada da Bené e boadrasta da Maria Luiza é uma mulher inquieta, falante e risonha, que costuma gesticular bastante ao versar sobre variados assuntos sem ser evasiva ou repetitiva. Praticante de ioga e de pilates, acha tempo para rever os amigos, ir a peças de teatro e sessões de cinema e comparecer às reuniões na escola de sua enteada de 7 anos. Essa Camila adora televisão - e zapear para assistir a vários programas ao mesmo tempo -, mas confessa que também é movida a música, seja no carro, no iPod, em casa ou na academia. Camila Pitanga, a atriz, vive aos 28 anos o auge de seu sucesso: tem uma agenda profissional lotada e disputada - a ponto de ser preciso esperar três meses para marcar uma entrevista -, mas conserva o cuidado de retornar um telefonema em pleno sábado à noite e após um dia inteiro de gravação, desculpando- se humildemente pelo e-mail não respondido.
A preocupação com o conteúdo é tanta que Camila mal terminou no fim do ano passado a graduação em Artes Cênicas na UniRio, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - concluída em oito anos, por causa dos compromissos profissionais - e já quer engrenar uma outra, desta vez de dança. "Acho importante para a minha profissão que o corpo tenha toda esse conhecimento que consegui dar à minha cabeça", explica.
LULA E MV BILL
De fato, Camila tem conquistado ótimos e importantes papéis não apesar de ser negra - mas independentemente disso. A questão racial, por sinal, faz da figura de Camila Pitanga quase um contra-senso num país em que a negritude está tão ligada à cor da pele. O título de mulher-negra-que-chegou-lá nem sempre é atribuído a ela, já que muitas pessoas preferem considerá- la branca. "Já ouvi isso várias vezes e acho que é mais uma demonstração do quanto o preconceito racial pode ser escamoteado, ainda que não se tenha consciência disso", afirma.
Na opinião da atriz, houve um avanço em termos quantitativos quanto à visibilidade do negro na TV. "Se antes éramos relegados apenas a papéis secundários, hoje vemos cada vez mais negros como protagonistas ou em papéis de grande expressão, como é o caso recente da personagem Preta, interpretada com louvor pela Taís Araújo", exemplifica. "Eu mesma sou um exemplo disso. Na novela anterior em que trabalhei, Mulheres Apaixonadas, interpretei uma neurocirurgiã que tinha destaque na trama principal."
É certo que Camila ainda se incomoda com o fato de os negros fazerem, na maioria das vezes, papéis de escravos ou empregadas domésticas. "Por outro lado, ao mesmo tempo em que o racismo velado se manifestava, acho que houve um certo despreparo por parte dos atores negros, situação bem diferente da de hoje, em que assistimos a atores como Lázaro Ramos, Taís Araújo, Sérgio Meneses, Luiz Miranda, Alexandre Moreno, entre outros que me vem à cabeça instantaneamente", compara. "Parece-me que houve um hiato entre a geração de grandes atores como Ruth de Souza, Iléa Garcia, Milton Gonçalves, Antonio Pitanga, Zezé Motta e essa agora", argumenta. Mesmo acreditando que exercer uma função social é uma escolha de cidadania de cada indivíduo, que não deve ser exclusiva de atores ou de pessoas célebres, Camila admite que a profissão de atriz lhe concede um foco a mais de atenção.
Ela faz parte de uma ONG chamada Movimento Humanos Direitos, MHUD, cujos artistas integrantes pretendem utilizar sua fama para dar visibilidade a questões mais urgentes na sociedade, como a reforma agrária, o fim do trabalho escravo e a exploração sexual - questões que nem sempre são prioridade para a mídia. "Não sei se uma entrevista pode mudar a vida de uma pessoa, mas acho que uma entrevista pode, sim, favorecer reflexões", sustenta. "Lembro-me de uma entrevista que li com o MV Bill. Eu já o conhecia, mas fiquei ainda mais comovida com a sua capacidade de se colocar, com sua articulação e coragem de falar e se expor de maneira simples e verdadeira." Quando o assunto é política, ela reafirma o que já havia defendido quatro anos atrás. Hoje, ela reafirma: "Votarei de novo no Lula", declara. "Sem a inocência de antes, mas o meu próximo voto é dele. Mas espero ter melhores opções daqui para a frente".



FOTOS: VICENTE DE PAULO



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