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Adiamento provoca frustração e revolta em Trabalhadores e entidades - O LIBERAL



11/10/2006

ADIAMENTO PROVOCA FRUSTRAÇÃO EM TRABALHADORES E ENTIDADES.

O LIBERAL
Belém - 11 de outubro de 2006

O adiamento para a próxima segunda-feira da sessão do Tribunal do Júri que vai julgar o pistoleiro Wellington de Jesus da Silva, acusado de matar a tiros o sindicalista José Dutra da Costa, o Dezinho, provocou frustração e revolta entre centenas de trabalhadores rurais e lideranças sindicais que se deslocaram de municípios do sul e do sudoeste paraense para assistir ao julgamento do pistoleiro na capital do Estado. 'Esse adiamento tem o peso da impunidade e o objetivo é a desmobilização de centenas de trabalhadores rurais e de ativistas dos direitos humanos que se deslocaram para Belém para protestar por justiça e pelo fim da impunidade nos crimes do campo', disse Carlos Augusto Santos Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Pará (Fetagri).
A deputada estadual Aracely Lemos (PSol), derrotada nas últimas eleições para a Câmara Federal, mas ainda exercendo o cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Pará, considerou o adiamento 'um desrespeito ao povo do Pará, que manifesta o seu repúdio contra a impunidade e a violência no campo, através da mobilização e participação de movimentos populares que aqui estão para protestar por justiça e exigir punição para os criminosos'. Segundo a deputada, 'a manobra que resultou no adiamento do júri, revela que forças poderosas, financiadas com o dinheiro do crime e do latifúndio, agem nos bastidores das decisões judiciais e resultam na alteração do seguimento normal dos processos que visam punir a violência no campo'.

 

O ator global Marcos Winter, membro da organização Movimento Humanos Direitos (MHD), que se deslocou do sul do país para Belém, para protestar contra a violência e a impunidade no campo, questionou a contratação de 'dois advogados criminalistas de notório gabarito profissional e de elevado padrão de honorários advocatícios, como Américo Leal e Eduardo Imbiriba'. Considerando a afirmação da própria família do réu, que declarou não dispor de recursos para bancar a defesa dele, o ator questionou: 'Quem está pagando os advogados? Deve ser o mesmo consórcio criminoso que encomendou a bancou a morte do sindicalista'.

 

ADVOGADOS DE SINDICALISTA PROMETEM DENUNCIAR CONSÓRCIO CRIMINOSO.

José Batista Afonso e Carlos Guedes, advogados da CPT que vão funcionar na assistência de acusação, garantiram que vão demonstrar em plenário, na próxima segunda-feira, 'a existência de um consórcio criminoso cujo objetivo é a garantia da impunidade para os crimes do campo e o financiamento da violência que dá suporte aos interesses de latifundiários, madeireiros e outros exploradores da terra'. Referindo-se ao adiamento do júri, Carlos Guedes evidenciou que 'o que aconteceu na manhã de hoje (ontem) no plenário do júri demonstrou claramente a vinculação do pistoleiro com o mandante do crime, o fazendeiro José Délsio Barroso Nunes, o Delsão, cujo processo está em fase de alegações finais na comarca de Rondon do Pará'. Segundo o advogado da CPT, ' a contratação dos criminalistas Américo Leal e Eduardo Imbiriba demonstra que interesses muito poderosos estão por trás dessa contratação'.

A pastora luterana Marga Rothe, que por oito anos, entre 1997 e 2005, exerceu a chefia da Ouvidoria Geral do sistema de Segurança Pública do Estado do Pará, falando pelo Conselho Amazônico das Igrejas Cristãs, disse que 'o Caic exige que seja feita justiça. Não queremos vingança, mas a aplicação da justiça de forma exemplar e pedagógica, por entendermos que essa é a única maneira que a sociedade tem para regir contra a violência e a impunidade que lamentavelmente imperam no interior do Estado'. Marcos Barros, reverendo da Ingreja Anglicana e coordenador do Caic, disse que 'a participação das igrejas cristãs busca evidenciar que, assim como Cristo que ressuscitou da morte, os martirizados na luta pela justiça ressuscitam e voltam a viver nos corações daqueles que continuam unidos na luta pela justiça'.

A manifestação dos movimentos populares prosseguiu durante toda a manhã de ontem. Os manifestantes ocuparam as escadarias do Fórum Cível de Belém e se revezaram em discursos relâmpagos, cuja a tônica, era o protesto contra a impunidade e a exigência do fim da violência no campo, com a punição dos executores e mandantes dos crimes no campo. Maria Joel Santos Silva, viúva de Dezinho, pediu aos trabalhadores que se mantivessem mobilizados até segunda-feira, quando acontecerá o julgamento do matador de seu marido.



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