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Réu, Pistoleiro e Advogados, frustram Direitos Humanos - Diário do Pará



11/10/2006

Caso Dezinho tem novo capítulo

RÉU PISTOLEIRO Advogados frustram direitos humanos ao pedirem adiamento da sessão do júri


DIÁRIO DO PARÁ – 11 de outubro de 2006

O julgamento do pistoleiro Wellington Jesus da Silva, que em novembro de 2000 assassinou a tiros o sindicalista José Dutra da Costa, próximo à sua residência em Rondon do Pará, foi adiado durante a sessão de júri popular realizada na manhã de ontem para a próxima segunda-feira, 16. O presidente do julgamento, juiz Raimundo Moisés Alves Flexa, da 2ª vara penal, acatou o pedido dos novos advogados de defesa do réu, Américo Leal e Eduardo Imbiriba, que teriam sido indicados por Gilberto Alves, advogado a quem a família do réu iria contratar os serviços, mas que por motivo de doença não pôde estar presente no Tribunal do Júri para atuarem no processo.

Às 8h, a sessão foi instalada e na abertura dos trabalhos o réu informou ao juiz que novos advogados tomariam a frente de sua defesa, descartando a atuação dos advogados da defensoria pública Marilda Cantal e Fernando Valentim, que não ficaram satisfeitos com a decisão. Às 9h30, o magistrado suspendeu a sessão por ordenamento processual, a pedido da defesa, que alegou necessitar de seis dias para estudar os autos do processo e formular as estratégias de defesa. O juiz decidiu que pela necessidade de celeridade processual, o julgamento será realizado no próximo dia 16 e solicitou que jurados, testemunhas, representantes da acusação e da defesa estejam presentes no salão do júri no horário determinado para evitar atrasos no início da sessão.
José Batista, coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e advogado assistente da acusação, declarou que o episódio foi uma manobra de bastidores. “É lamentável! É uma manobra de advogado para desviar o foco do mandante do crime”, afirmou.

O representante do Ministério Público, o promotor Paulo Godinho, questinou a origem do dinheiro para pagamento dos honorários dos advogados. “Como em um passe de mágica, aparece no plenário dois advogados renomados. Pagos por quem? O réu é uma pessoa que não tem as menores condições. Alguém está financiando e é a mesma pessoa que pagou Wellington para assassinar o Dezinho”, afirmou.
A viúva do sindicalista e atual presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (cargo anteriormente ocupado por Dezinho), Maria Joel Dias da Costa, não se conformou com a suspensão. “Pra mim isso é um absurdo. Eu não tenho nem palavras. É uma manobra por parte do pistoleiro”, declarou.
O advogado de defesa Eduardo Imbiriba reclamou da presença do ator Marcos Winter, afirmando que o salão do júri não era palco para risos de atores globais. Winter declarou que a empatia do advogado já vem de outros julgamentos. “Eu já vim várias vezes em outros julgamentos e perguntei a ele quem pagava o cachê dele”, disse.
Muitos trabalhadores rurais e membros de movimentos sociais concentraram-se em frente ao Fórum pedindo justiça. “Essa luta é nossa/essa luta é do povo/é com justiça que se faz um mundo novo”, foi um dos hinos de luta cantado pelos manifestantes.

Daniele Dias


Entidades não aceitam justificativas para medida

Entidades ligadas aos movimentos sociais se reuniram, ontem, na sede da CNBB, para discutir o adiamento do julgamento do pistoleiro Wellington de Jesus Silva, assassino confesso do sindicalista José Dutra da Costa (Dezinho). Dezinho presidia o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará quando foi morto por Wellington, que foi preso em flagrante logo após o homicídio, ocorrido em 21 de novembro de 2000, na porta da casa onde a vítima morava com a família, em Rondon do Pará, a 700 km da capital. Segundo denuncia o Ministério Público, o acusado receberia a quantia de R$ 2 mil, encomendado pelo fazendeiro Décio José Barroso Nunes, conhecido como “Delsão.”

REVOLTA - Em um documento divulgado para a imprensa, as entidades participantes da reunião, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará, Fetagri Estadual, Comissão Pastoral da Terra Pará, Terra de Direitos, Comitê Dorothy, Movimento de Sem-Terras, Sddh, Justiça Global, Comissão de Direitos Humanos da OAB-PA, Fase, Cáritas Brasileira, Movimentos Humanos Direitos e CRB-Pará, disseram que “depois de seis anos de aguardo e luta, mais uma vez as esperanças dos trabalhadores rurais do Pará foram frustradas”. Elas questionam o fato de que, “desde o momento em que foi preso, minutos após assassinar Dezinho, Wellington foi representado pela Defensoria Pública, em função de ter sempre afirmado não ter condição de pagar advogado para fazer sua defesa durante seis anos”.
Agora, “no início do julgamento, Américo Leal e Eduardo Imbiriba, advogados especializados na defesa de fazendeiros acusados de assassinatos de trabalhadores, apresentaram-se como novos advogados do pistoleiro Wellington, desbancando a equipe da Defensoria Pública que promoveria a defesa do pistoleiro”. O documento questiona se não haveria interesses de poderosos por trás da contratação dos advogados.

 Fábio Nóvoa



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