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Lançamento do Livro de Padre Ricardo Rezende no Recife



27/11/2006

TRABALHO ESCRAVO
SITE CREMEPE 27/11/2006
Adicionado por Joane Ferreira

 


Padre Ricardo Rezende lança livro no Recife

 

Durante o II Seminário de Ética Social do Cremepe - sábado, 2 de dezembro, o padre Ricardo Rezende, do Movimento Humanos Direitos, do Rio de Janeiro, estará lançando o seu mais recente livro "Pisando Fora da Própria Sombra - A Escravidão por Dívida no Brasil Contemporâneo".

O livro que já ganhou vários prêmios, entre eles o Prêmio literário Casa das Américas, em Cuba, se fundamenta na experiência pessoal do autor, que atuou por anos a fio nas áreas de trabalho escravo no Pará e no Mato Grosso, em pesquisa de campo com entrevistas e documentos de primeira mão, como termos de declaração, relatórios de órgãos de fiscalização e textos oficiais do governo e no retrabalhamento da melhor bibliografia nacional e estrangeira concernente ao tema, aqueles autores que analisaram trabalhos forçados sob o nazismo.

Leia mais sobre o II Seminário de Ética Social do Cremepe e faça sua inscrição: http://portal.cremepe.org.br/publicacoes_noticias_ler.php?cd_noticia=1023

A escravidão de hoje
Leonardo Boff
Escritor e Professor da Uerj

Pesquisador faz amplo levantamento sobre problema

A tese de Ricardo Rezende Figueira - Pisando fora da própria sombra: a escravidão por dívida - será referência sempre que se estudar a moderna escravidão no Brasil e alhures. Já se fizera conhecido com A justiça do lobo: posseiros e padres do Araguaia (1986) e com sua dissertação de mestrado Quão penosa é a vida dos senhores: o discurso dos proprietários sobre o trabalho escravo (1999). O novo livro é uma coroação deste trabalho.

Os dados recolhidos são estarrecedores. Só em 2002 havia cerca de 5.559 escravos no Brasil, dentre eles 58 menores. As listas arroladas pelo autor em fazendas só no Araguaia e no Tocantins paraense que utilizavam trabalho escravo alcança o número espantoso de 250. No Sul do Pará, entre 1970-1994, os dados disponíveis indicaram a existência de 165 fazendas, envolvendo cerca de mil trabalhadores escravizados.

A pesquisa tem o rigor necessário ao pensamento analítico e crítico. A malha de conceitos que usa é passada pelo filtro da crítica para, então, servir de instrumentos de conhecimento. Tudo é medido e pensado, produzindo um discurso que se atém ao que os dados permitem dizer ou deduzir. Nesse sentido, é de admirável objetividade, sabendo-se do engajamento pessoal e de todo tipo de ameaças até de morte que pesaram sobre o autor. Ele coloca em parêntesis sua subjetividade para dar lugar à voz dos fatos e das vítimas.

Um dos méritos da produção de Rezende Figueira é de, mantendo a objetividade dos fatos, ir além deles e penetrar no universo das visões, dos medos, dos padecimentos e dos sonhos dos escravizados e também de seus opressores.

O nível da coerção imposta aos escravizados por dívida, a péssima qualidade de vida que encontram, as humilhações que padecem, os espancamentos freqüentes, a violência sexual diante de todos, o assassinato dos recapturados da fuga provocam justa iracúndia sagrada. Mas o autor sabe domesticá-la para dar lugar à vontade de compreender o motivo de tanta desumanidade, aduzindo as razões que não cabe aqui sumariar.

A leitura da pesquisa também suscita indagações que transcendem os limites da ciência. Elas são de ordem metafísica: quem é o ser humano, capaz de tanta barbárie, impiedade e falta de compaixão? Por que essa persistente crueldade humana de reduzir o outro a objeto e a escravo? Por que pessoas se deixam reduzir à escravidão temporária?

Não cabe a um trabalho que se realiza nos limites da pertinência sociológica e antropológica, responder a estas questões. Mas ele cumpre sua função, a de suscitar estas angústias que não querem calar. Elas nos obrigam a pensar o destino humano e o destino de um país como o nosso, que ainda não acabou de abolir a escravidão, que aceitou uma lógica de acumulação que comporta a superexploração dos seres humanos a ponto de reduzi-los a escravos. Somos responsáveis pela superação histórica desta perversidade.

SERVIÇO:
Lançamento do livro "Pisando fora da própria sombra", do padre Ricardo Rezende Figueira
Sábado, 2 de dezembro, às 13h durante o II Seminário de Ética Social do Cremepe.
Auditório da Associação Médica de Pernambuco. Praça Oswaldo Cruz, na Boa Vista.

foto: Salete Hallack



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