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Ex-prostituta brasileira diz que 'escapou do inferno' e ajuda outras na Espanha



27/02/2012

Arquivo da Polícia Nacional da Espanha/Divulgação


Brasileiras estão entre as mais presentes no mercado da prostituição espanhol

Mais de 40 milhões se prostituem no mundo, diz estudo
Estudantes inglesas recorrem à prostituição para pagar universidade
"Vida fácil? É ruim!" O desabafo é da goianiense V.R.B., que viajou a
Madri para se prostituir, sem saber que teria que fugir para se livrar
de uma rede de traficantes de mulheres. Agora ela usa sua experiência
para salvar outras brasileiras.

Aos 36 anos, V.R.B. é uma mediadora, uma espécie de assistente social
de uma das quatros ONGs espanholas que ajudam mulheres prostituídas a
escaparem das quadrilhas de exploração sexual e reintegrar-se na
sociedade.

Tudo nela é sigiloso. Nome, endereço, aspecto e até mesmo o nome da
ONG para a qual trabalha. Ela está protegida pela polícia por
denunciar seus exploradores.

A história dela começa em 2006, quando foi aliciada em Goiás por
conhecidos que a ofereceram um trabalho como prostituta na Espanha com
salários de R$ 9 mil ao mês.

"Sonhei sim. Ganhar um dinheirão, acertar a vida da minha mãe, dar um
futuro para meus (dois) filhos e voltar para montar um negócio no
Brasil. Eu aceitei. Mas não me disseram que eu não podia sair quando
quisesse", contou à BBC Brasil.

Fuga

Sair significava não só largar a rede, mas dar qualquer passo sozinha
fora do prostíbulo onde morava e trabalhava com outras 17 mulheres.
"Só podia falar no telefone vigiada, andar na rua vigiada, trabalhando
de domingo a domingo...controlada o tempo todo."

A quadrilha que a cooptou a revendeu primeiro a um prostíbulo da
Galícia. Em seguida foi para a Catalunha, Valencia, Cantábria,
Andaluzia e Extremadura, num total de 42 lugares no território
espanhol, pelo que lembra.

Em 2008, V.R.B. conseguiu escapar, com a ajuda de um cliente, pela
garagem do prostíbulo. Foi perseguida, ameaçada de morte por telefone
e mora refugiada em uma casa subvencionada por uma ONG.

"Para mim foi a fuga do inferno. Fui tratada por psicólogas durante
quase três anos e me convenci de que tenho que ajudar outras mulheres
porque entrar é fácil, mas sair só com ajuda mesmo. Senão, não sai,
não. A pessoa morre antes."

O trabalho de V.R.B. é fazer contato com outras brasileiras
prostituídas, contando sua experiência e oferecendo ajuda às que
quiserem deixar as redes.

"Somos três brasileiras numa equipe de 11 e encontramos muitas
barreiras porque as meninas têm muito medo. Primeiro dizem que não são
vítimas, depois contam que as famílias dependem desse dinheiro e não
sabem o que elas fazem aqui", diz.

Segundo as ONGs Apramp, Médicos do Mundo e Projeto Esperança, as
mulheres resgatadas de exploradores sexuais são geralmente encontradas
desnutridas, com transtornos psicológicos, fobias, depressão,
infecções, marcas de violência, viciadas em drogas e em estado de
confusão mental.

Após receber tratamento psicológico, a maior parte das estrangeiras
não volta a seus países de origem por vergonha, medo de que família e
vizinhos saibam de seu passado ou por causa do envolvimento de algum
parente em sua captação.

Elas preferem manter a mentira que contaram para os familiares: que se
casaram com estrangeiros e levam uma vida de luxo no exterior.

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2012/02/01/ex-prostituta-brasileira-diz-que-escapou-do-inferno-e-ajuda-outras-na-espanha.htm

 

Enviado pela CNBB/N2  Janeiro 2012



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