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Morreram 8 Quilombolas e o motorista. Uma tragédia.



28/08/2011

Segurança de fazendeiro esfaqueia Quilombola - Brejo dos Crioulos

 

Na madrugada de hoje, 20 de agosto de 2011, por volta de uma hora da madrugada, no Território Brejo dos Crioulos, norte de Minas Gerais, local onde a comunidade luta pela conquista da sua Terra, o "segurança" Roberto Carlos Pereira do fazendeiro Raul Ardido Lerário, dono de um dos maiores latifúndios dentro do território, esfaqueou um Quilombola. Foram duas facadas em Edmilson de Lima Dutra (conhecido por Coquinho) que está em grave estado de saúde no hospital da cidade de Brasília de Minas. Roberto, foragido, há mais de 12 anos trabalha (sem registro) para o fazendeiro paulista Raul Ardido Lerário. Informações estas recebidas da Comunidade e do Cabo Ruan, da PM de São João da Ponte - BO número 1122 – REDS 2011-001486740-001. Roberto andava armado e já tinha feito ameaças de morte aos moradores, inclusive a Zé do Mário. A historia dos empregados de Raul Ardido Lerário já é marcada pelo assassinato de Lídio Ferreira Rocha, há pouco mais de um ano, quilombola irmão de Francisco Cordeiro Barbosa - Ticão, vice presidente da Federação quilombola e liderança local. O assassino, João Borges, está com processo na justiça. 

A comunidade luta pela conquista dos seus direitos e pela titulação do território há mais de 10 anos. A morosidade do governo e a violência dos latifundiários, com suas milícias armadas, vêm aumentando a tensão em Brejo dos Crioulos. Outros Quilombolas já foram baleados pelos pistoleiros a mando dos fazendeiros. E os casos de violência e ameaça são freqüentes. Os fazendeiros mantêm um grupo de pistoleiros que vem aterrorizando a comunidade, o que caracteriza uma organização criminosa de milícias armadas. Com a situação alguns Quilombolas estão inseridos no programa de proteção aos ameaçados.

O processo de regularização está na Casa Civil para assinatura do decreto de desapropriação pela presidenta Dilma Rousseff. A não assinatura do decreto ou sua demora significa a continuidade desta violência com possibilidades de vidas serem ceifadas no futuro. Até quando...

      “Ai de vós que juntais casa a casa e que acrescentais campo a campo, até que não hajas mais lugar e sejais os únicos donos da terra” Isaías 5,8.

Comissão Pastoral da Terra
Minas Gerais

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COMISSÃO PASTORAL DA TERRA – MINAS GERAIS

“JUNTOS COM OS POVOS DA TERRA E DAS ÁGUAS NA DEFESA DA VIDA”.

 

Aos amigos do Movimento Humanos Direitos, 

 

A questão Quilombola é uma chaga aberta na sociedade brasileira. Uma dívida gigantesca que o Estado e a elite política-econômica tem com os Negros. Mesmo com os avanços jurídicos, que abriram possibilidades para a regulamentação dos territórios negros, não há mudanças reais frente a questão agrária Quilombola. Inclusive, as garantias legais estão seriamente ameaçadas pelo legislativo, refém do Agronegócio, das empresas minerárias e de outros interesses econômicos. O atual Governo Executivo, seguindo a política praticada há centenas de anos, não mostra sinais de que reconhecerá de forma real o direito dos negros, regularizando os seus territórios Quilombolas. Ao contrário, dizem que o direito das populações tradicionais "impede" o progresso. De norte à sul os processos não andam. 

 

Brejo dos Crioulos

 

Em Minas Geraissão 439 comunidades Quilombolas identificadas. Todas elas encurraladas. Sem os seus territórios. Brejo dos Crioulos, localizada no Norte de Minas, é uma luta que vem acorrendo há 12 anos. Uma luta que incorpora a pressão política e o enfrentamento aos fazendeiros e ao governo. Foram feitas várias ocupações de fazendas dentro do território Negro e da sede do INCRA em Belo Horizonte, além de passeatas, audiências públicas. Essa comunidade e sua forma de luta são referencia no Estado. Sofrem a violência dos opressores. Tanto do poder do Estado, nas diversas reintegrações de posse, como das milícias armadas dos fazendeiros. Neste dia 20 de agosto um deles foi esfaqueado por um funcionário de umas das fazendas. Com essa luta o processo de regularização de Brejo é o mais adiantado do Estado de Minas.

 

Casa Civil

 

O processo de regularização está hoje na Casa Civil para assinatura do Decreto de Desapropriação pela Presidente Dilma. Há muito os Quilombolas vem tentando definir metas com a Casa Civil e até hoje nem foram recebidos. 

Desta forma estão preparando uma mobilização para meados de setembro, em Brasília. E como foi solicitado na carta escrita por eles, pedimos a contribuição do Movimento dos Humanos Direitos para mais essa caminhada. Como já contamos com a ajuda de voces em outras lutas.

Cordialmente,

Alexandre Gonçalves
Comissão Pastoral da Terra de Minas Gerais
38 9194 - 0398   

 

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