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Dom Erwin Amea├žado de Morte.



26/12/2006

MPF PEDE QUE POLÍCIA INVESTIGUE AMEAÇA A BISPO NO PARÁ

Fonte: Portal Orm 26/12/2006 - 15h43m http://www.orm.com.br/plantao/noticia/default.asp?id_noticia=218860

O Ministério Público Federal (MPF) no Pará encaminhou nesta terça-feira (26), pedido à Polícia Federal (PF) para que seja investigada ameaça de morte feita ao bispo do Xingu, dom Erwin Krautler. Por telefonema anônimo, o interlocutor disse que o bispo seria assassinado no dia 29 de dezembro, em viagem missionária que fará ao município de Gurupá, na região paraense do Marajó. No dia 22, dom Erwin recebeu da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) o prêmio José Carlos Castro de Direitos Humanos pela sua atuação em defesa da vida e do meio ambiente do povo da Amazônia.

Em ofício ao Superintendente Regional da PF no Pará, José Ferreira Sales, o procurador-chefe da Procuradoria da República no Estado, Felício Pontes Júnior, solicita que,  diante da ameaça, 'seja empreendida diligência pela Delegacia de Polícia Federal em Altamira para que se busque maiores informações e se evite a tragédia anunciada'.

A Seccional da OAB no Pará  instituiu o prêmio José Carlos Castro de Direitos Humanos no ano de 2003, em homenagem ao primeiro presidente da Comissão de Direitos Humanos da entidade. O prêmio se tornou uma referência no Estado, tendo sido conferido à missionária Dorothy Stang três meses antes de ser assassinada por pistoleiros em Anapu e ao padre Edilberto Sena, de Santarém.

'Não é por ser simplesmente bispo ou religioso que Erwin Krautler recebeu o prêmio. Afinal, há tantos religiosos, padres e pastores na região, mas que não arriscam a vida pelo bem dos outros, especialmente em situações de conflitos de interesses econômicos e políticos. Dom Erwin toma partido nos conflitos, não é frio, nem morno, assume a defesa dos oprimidos, junto com tantos outros da região', disse o padre Edilberto Sena em entrevista à imprensa de Santarém no dia 22.

CARTA DE DOM ERWIN KRAUTLER AO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA

Exmo.  Sr.  Dr. Márcio Tomás Bastos
DD. Ministro da Justiça Esplanada dos Ministérios Bloco T Ed.  Sede 4º Andar 70064-900 Brasília DF
Altamira, 19 de julho de 2004
Excelentíssimo Senhor Ministro,

Os povos indígenas deste País somente têm alguma chance de sobreviver se as terras que habitam desde tempos imemoriais são demarcadas e como tais homologadas.  Em relação ao povo Ugorogmo, popularmente chamado de Arara, que vive na região denominada de Cachoeira Seca nos municípios de Uruará, Altamira e Rurópolis, no Estado do Pará, o Ministério da Justiça, já em 1993 havia baixado portaria referente à demarcação de sua área.

Finalmente, há poucas semanas, foi iniciado o trabalho de demarcação física, com base na portaria 26/MJ de 22 de janeiro de 1993.  Como era de se esperar tal demarcação está causando fortes reações da parte de moradores não-indígenas da referida área, incitados por políticos locais, interessados em ganhar votos no pleito eleitoral municipal.

O que me preocupa é, sem dúvida, a sobrevivência do povo Arara.  Trata-se de um povo extremamente frágil, há décadas agredido por todo o tipo de invasores.  Só a garantia do habitat tradicional e o respeito a seu território evitará o desaparecimento de mais um povo da Amazônia.  O Brasil não se pode dar o luxo de assistir inerte à tragédia da morte física de mais um povo indígena que já habitou estas plagas bem antes que o Brasil como País existisse.  Não há mais por que discutir limites.  Esta fase dos tramites legais já passou.  Importa agora agilizar o procedimento demarcatório sem tergiversação ou afagos a políticos locais de índole anti-indígena.

Entretanto a situação dos colonos ilegalmente assentados pelo INCRA em área indígena também me causa preocupação.  Obviamente não podem ser tratados como usurpadores criminosos de terras alheias.  O INCRA comprometeu-se a reassentar estas famílias em áreas fora da terra indígena, mas reassentar não significa consignar apenas um outro lote rural aos agricultores e suas famílias.  Tem que ser levado em conta todo o patrimônio que estas famílias adquiriram com o trabalho de suas mãos e o suor de sua testa desde o ano em que foram assentadas.  As benfeitorias terão que ser indenizadas e ressarcidos todos os prejuízos sofridos, advindos do assentamento ilegal realizado pelo INCRA.  Os colonos não se opõem a um reassentamento, mas estão muito apreensivos quanto às condições de vida numa nova terra, onde devem recomeçar tudo.  O povo tem medo de indenizações e ressarcimentos apenas simbólicos e, na realidade, ser colocado no olho da rua, entregue à própria sorte.  Além de uma nova terra, os colonos precisam de não parcos recursos para poderem reiniciar suas atividades agrícolas.  Não são esmolas que pedem ao INCRA e através dele ao Governo, eles querem ser respeitados em seus direitos.  Também as outras famílias que chegaram depois e estão em situação irregular devem ser assentadas após levantamento realizado pelo INCRA.  Caso contrário a legião dos sem-terra será engrossada por mais um contingente de brasileiros sem eira nem beira.

Sou o bispo desta região e V.  Excia.  me conhece.  Conto com o empenho de V.  Excia.  numa causa tão nobre e de vital importância tanto para o povo Arara como para os agricultores e suas famílias.

Cordialmente,

Erwin Krautler
Bispo do Xingu

Carta do MHuD ao PRESIDENTE DA REPÚBLICA:

Clique aqui para ler a carta ao presidente (PDF - 51KB)

Mensagem de agradecimento:

Obrigada pela solidariedade de vocês com a nossa preocupação e dor no caso de ameaça de morte de Dom Erwin e tantos outros companheiros(as)que lutam em defesa da vida. Continuem fazendo o bem.  A carta de vocês ao Presidente da República, com certeza surtirá grande efeito.Acompanho com carinho a atuação de vocês no mundo artistico e na sociedade. Vocês estão de parabéns
Um abraço carinhoso em cada um.
Orlanda Rodrigues Alves
CNBB Norte 2



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