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Prêmio João Canuto 2006 - IV Fórum do MHuD - Circo Voador



11/12/2006

IV Fórum Nacional de Direitos Humanos realizado pelo MHuD

Rio de Janeiro, 11 de Dezembro de 2006 - CIRCO VOADOR

IV FÓRUM DO MHuD
Movimento Humanos Direitos
Circo Voador – Lapa - RJ


PROGRAMAÇÃO:


Mestre de Cerimônia: Humaniza – Vicente Pironti
10:00 Abertura: Atores do MHuD e Lilia Pougy, vice Decana da UFRJ
10:30 Mesa 1 - TRABALHO ESCRAVO E REFORMA AGRÁRIA
Debatedores:
Terezinha Cavalcante Feitosa, Presidente do Comitê Rio Maria, professora e Coordenadora da Secretaria Municipal de Educação de Rio Maria
Mineirinho, Coordenador Nacional do MST
Raimunda Gomes da Silva, Coordenadora do Conselho Nacional dos Seringueiros – Tocantins, e Pres. do Memorial Chico Mendes
Ricardo Rezende, Padre, Diretor do MHuD, da direção do Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo do CFCH/UFRJ e professor da PUC-Rio.
Gilberto Palmares, Presidente da Comissão de Combate ao Trabalho Precarizado da ALERJ
Mediadora:
Bete Mendes, atriz participante do MHuD
13:30 Filme - Expedito em busca de outros Nortes
15:00 Mesa 2 - ABUSO E EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Debatedores:
Guaraci Vianna, Juiz da Segunda Vara da Infância e Juventude do RJ
Maria Juçá, Dir. e Promotora do Prog. de Acolhimento de Crianças e Adolescentes do Circo Voador
Ricardo Paiva, Médico, Coordenador do CEAC – Centro de Estudos Avançados do CREMEPE
Suely Souza de Almeida, Professora titular da Escola de Serviço Social da UFRJ
Mediadora:
Dira Paes, atriz participante do MHuD
17:30 Peça MENINA ABUSADA,Cia. de Teatro Roda Mundo de Recife
18:00 PRÊMIO JOÃO CANUTO. Participação de Luzia Canuto,filha do líder sindical assassinado.
Premiados:
Dom Pedro Casaldáliga, bispo resignatário de São Félix do Araguaia, MT.
Grijalbo Fernandes Coutinho, Pres. da Associação Lat. Americana de Juizes do Trab.– ALJT
Raimunda Gomes da Silva, Coordenadora do Conselho Nacional do Seringueiros do Tocantins
Ricardo Paiva, Médico, Coordenador do CEAC- Centro de Estudos Avançados do CREMEPE
Suely Souza de Almeida, Professora Titular da Escola de Serviço Social da UFRJ
Thiago de Mello, Poeta
Aurélio Andrade, Cantor e Trabalhador Rural do Piauí
Viva Cazuza, Organização voltada para crianças com HIV
19:00 Lançamento do Livro da Rede Social, Direitos Humanos no Brasil 2006
20:00 SARAU Participação dos atores do MHuD e Lupércio Barbosa , cantor compositor e poeta do
Grupo Filho da Mãe Terra do MST
22:00 Início do site www.humanosdireitos.org

 

Abertura

Camila Pitanga - Mesa 1

Chico Diaz

Mesa 2

Ricardo Paiva

Vic Militello

 

Peça Menina Abusada

Hino Nacional

Marcos Winter

PRÊMIO JOÃO CANUTO

Suely Souza de Almeida

Grijalbo Fernandes Coutinho:

 Nascido em Novo Oriente, no Ceará, é um magistrado cuja vida tem sido  norteada por uma aguda visão social dos problemas brasileiros. Não por  acaso, mas por vocação, é Juiz do Trabalho titular da 19ª Vara do Trabalho  do Distrito Federal, tendo tido antes destacada atuação como Juiz do  Trabalho Substituto no Distrito Federal, e nos Estados de Mato Grosso,  Mato Grosso do Sul de Tocantins.
 Tem publicadas as obras FRAGMENTOS DE ATIVISMO NA MAGISTRATURA E NOVA  COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO, esta em parceria com o juiz MARVOS  NEVES FAVA, com o qual também corrdenou a publicação de JUSTIÇA DO  TRABALHO: COMPETÊNCIA APMPLIADA.
 Sua preocupação com a realidade do país não permitiu que sua atuação  ficasse restrita aos duros afazeres da magistratura, e o reconhecimento  dos colegas à seriedade de sua atuação o conduziu, sucessivamente, a ser  eleito e reeleito Presidente da Associação de Magistrados Trabalhistas da  10ª Região - AMATRA X - cumprindo mandatos de 1999 a 2003, no segundo já  acumulando a Vice-Presidência da Associação Nacional dos Magistrados  Trabalhistas - ANAMATRA - para cuja Presidência foi a seguir eleito,  cumprindo o mandato de 2003 A 2005.
 Foi enquanto Presidente da ANAMATRA que Grijalbo teve seu primeiro contato  com o Movimento Humanos Direitos, gentilmente fornecendo apoio a  integrantes do MHuD que se deslocaram a Brasília para acpmpanhar a  votação, em uma das Comissões da Câmara dos Deputados da Proposta de  Emenda Constitucional da expropriação de propriedades em que encontrado  trabalho escravo.
 Esse encontro foi de extrema importância, porque foi a partir dele que se  intensificou a participação da Justiça do Trabalho no combate ao trabalho  escravo, sendo hoje um dos alicerces dessa luta. Luta que ele, com a  energia e o entusiasmo que caracterizam sua atividade, poderá agora expandir para além das fronteiras do país, eis que acaba de ser eleito o  primeiro Presidente da Associação Latino Americana de Juizes do Trabalho,  para o biênio 2006-2008.
 Grijalbo Fernandes Coutinho, por sua decidida atuação social em prol da  dignidade do trabalhador, é uma escolha feliz para receber este prêmio.

Raimunda Gomes da Silva:

quebradora de coco babaçu de São Miguel, Tocantins, tornou-se uma figura conhecida aqui e fora do Brasil pela sua luta contra os latifundiários e a favor dos posseiros e extrativistas. Ela começou a despontar no Bico do Papagaio. Ali conheceu e se tornou amiga de Josimo Moraes Tavares, jovem padre assassinado em 1986. Após o assassinato ela, camponesa, que não estudou na escola formal, filha de lavradores pobres, nove irmãos e seis filhos, abriu as portas de casa e a torrente de palavras que tanto domina e o canto, e saiu pelo mundo. Foi discutir questões ambientais e as questões das pessoas que aqui vivem. Por isso, colocou em sua agenda a  reforma agrária, os créditos agrícolas, os problemas de gênero e os Direitos Humanos.
Reconhecida por seu carisma e coerências, tornou-se responsável pela Secretaria da Mulher Trabalhadora Rural Extrativista do Conselho Nacional dos Seringueiros, vice-presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais do Tocantins e foi tema de escola de samba em Palmas, no Tocantins.
Movida pela fé de pela busca da justiça viajou pela França, Estados Unidos, Canadá e pela China, enfrentou pistoleiros e perigos. Um exemplo de mulher, pela coragem e firmeza na sua defesa dos Direitos Humanos no mundo rural.

Ricardo Albuquerque Paiva:

professor e médico, especialista em cardiologia, cearense, mas, por mérito e medalha, “Cidadão de Recife”.
Nesta cidade pernambucana, revelou-se competente administrador de unidade de saúde e de Instituto Maternal, participou ativamente da criação da Cooperativa dos Cardiologistas, presidiu o Sindicato dos Médicos e o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco. Tudo isso é bastante. Revela o homem empreendedor e disposto.
Mas seus méritos vão além. Dr. Ricardo tem forte compromisso com os Direitos Humanos e tem sua vida dedicada à população mais marginalizada do estado que adotou como seu.
Coordenador do Centro de Estudos Avançados do CREMEPE, uma de suas atividades no momento é a participação em um movimento contra a exploração sexual de crianças e adolescentes.
Ele e seu simpático grupo percorrem cidades sertanejas e metrópoles tratando do tema com o poder público e a sociedade civil locais e apresentam em ruas e praças uma peça de teatro popular, o “Menina Abusada”. O elenco não possui ator profissional. Ele é composto por estudantes e profissionais de diversas áreas que estão convictos da justeza de sua causa. Dr. Ricardo, inquieto pelas justas causas, leva adiante, além de seu estado, a mesma preocupação. É amigo do MHuD e merece com sua turma esse prêmio.

Dom Pedro Casaldáliga:

bispo de São Félix do Araguaia, Mato Grosso, de 1971 a 2003, quando renunciou em função da idade e da saúde. Ele é conhecido pelo humor e como poeta e escritor, com obras  publicadas no Brasil e no exterior. Dele e de Pedro Tierra,  Milton Nascimento musicou a “Missa dos Quilombos”. Mas Dom Pedro não é conhecido apenas pelos livros, parcerias em músicas e filmes. É também conhecido:
pela defesa das causas latino-americanas, especialmente a indígena,  a negra e a camponesa;
pelas contundentes denúncias a respeito da escravidão por dívida de pessoas na Amazônia desde 1971; pelo se destemor em enfrentar os perigos quando o que está em causa é a justiça.
Foi, diversas vezes, ameaçado de prisão, expulsão do país e morte durante a ditadura. A tal ponto que teve nos braços o corpo de padre João Bosco Bournier quando este foi assassinado em uma delegacia de polícia. O bispo e o padre tinham ido ao local impedir a tortura de uma mulher. O policial matou o padre possivelmente pensando estar matando o bispo.
Como frei Betto afirmou em artigo publicado recentemente, Dom Pedro é um herói e santo, talvez não devidamente reconhecido. Poderíamos afirmar que é um dos estrangeiros mais brasileiros que temos e um ilustre defensor dos Direitos Humanos. Não poderíamos deixar de homenageá-lo.

Mensagem de Dom Pedro:

AO IV FORUM NACIONAL DO MHuD

Receber um prêmio num Fórum que congrega tantas pessoas lúcidas e militantes na conquista e na defesa dos Direitos Humanos, é mais do que um prêmio: é uma celebração da memória subversiva e mais um compromisso na luta e na esperança.
A memória do mártir João Canuto, pela presença e pela voz da filha militante Lucia nos faz evocar todos os mártires de caminhada –elas e eles- que deram e dão suas vidas pelas causas da terra contra o latifúndio depredador; pelos Direitos Humanos contra toda exclusão ou marginalização.
As nossas causas são a nossa vida. Eu aceito agradecido este prêmio João Canuto pelas causas que tantas companheiros e companheiras vêm defendendo; mais concretamente nesta nossa região do norte do Mato Grosso e do sul do Pará. A Neide Esterci, pioneira nesta nossa região, na pesquisa e na denúncia, especificamente da problemática dos peões e dos posseiros, recebe o prêmio por mim, mas também o recebe ela própria muito justamente.
Agradeço de coração ao Movimento Humanos Direitos e renovo, dentro dos limites de um velho aposentado, a amizade, o compromisso e a esperança com todas e todos vocês. A luta continua. Os Direitos Humanos são também Direitos Divinos. Não nos faltarão a luz e a força do Deus da Terra, da Vida, da Libertação. N’Ele abraço a todas e todos vocês, com muita ternura.

Pedro Casaldáliga
09 de dezembro de 2006

Aurélio Andrade

nosso homenageado está com 44 anos, é casado, tem três filhos e nasceu em Miguel Lemos, no Piauí, onde vive até hoje. Seus pais eram lavradores e ele continua lavrador.
Há 20 anos, em 1986, desempregado, saiu de Miguel Lemos aliciado por um empreiteiro. Embarcou com outros amigos para a fazenda Tiraximim, no Pará. Na fazenda a situação não correspondia às promessas recebidas. Percebendo-se enganado, humilhado e, pior ainda, ameaçado por homens armados, empreendeu uma fuga da fazenda com outros cinco companheiros. Escaparam às 18 horas, caminharam toda a noite debaixo de chuva, com fome e amedrontados. Às cinco horas, conseguiram, em uma serraria, uma carona. Às 21 horas chegaram finalmente em Redenção uma cidade no sudeste paraense..
Pressionando pela necessidade, tentou ainda outra vez trabalhar no Pará dois anos depois. E não precisou fugir, mas também não obteve sucesso.
Compreendeu aos poucos que tinha experimentado um sistema de trabalho reconhecido como escravidão sob o pretexto de dívida. Com talento desde a infância, escreveu versos e musicou sua história. Aliou-se à campanha pela erradicação do trabalho escravo e se tornou amigo, desde 1998, da equipe da Comissão Pastoral da Terra do Piauí. Gravou um CD e, ano passado, a convite do Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, prestou um depoimento em um Fórum Internacional realizado na Praia Vermelha.
Homenagear o lavrador, poeta e cantor Aurélio, é homenagear a tantos outros que são em algum momento submetidos à escravidão no país.

Viva Cazuza

Thiago de Mello

Lançamento do Relatório

da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. DIREITOS HUMANOS NO BRASIL 2006


Fotos: Salete Hallack



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