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ConferĂȘncias de Jean Pierre - FASE e Chico Menezes - IBASE



01/06/2007

Síntese das conferências dos convidados

Chico Menezes – IBASE e
Jean-Pierre Leroy - FASE

Chico Menezes informou sobre um congresso que haverá este ano em Fortaleza quando serão discutidas a questão alimentar, o meio ambiente, os agrocombustíveis e o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, do Governo Federal. Falou sobre o biodiesel que pode ser produzido a partir de plantas tais como o dendê, a mamona, e o amendoim. Explicou que há outras espécies vegetais ainda, que podem ser exploradas. O biodiesel deverá ser produzido levando-se em conta a área de plantio favorável a cada espécie vegetal. Disse ainda que o subproduto (resíduo) resultante da produção do biodiesel pode ser usado como adubo. Ficamos informados que servem para a produção de diesel a partir do dendê, por exemplo, são basicamente os mesmos que servem para a produção de diesel a partir de qualquer outro vegetal. Isto é importante porque barateia o custo do equipamento.

Chico salientou que a produção de biodiesel é um fator importante para a fixação de famílias em suas áreas uma vez que utilizaria a mão de obra local, a agricultura familiar. O biodiesel produzido por determinada região seria utilizado como fonte de combustível para aquela mesma região. Assim evitaria que houvesse migração para áreas citadinas (já inchadas); neste caso as populações ficariam nas suas áreas de cultura evitando aculturações que levam a doenças sociais tais como drogas e suicídios.

Disse o representante do Ibase que há risco de grandes produtores verem o benefício do uso dos subprodutos provenientes do diesel vegetal – um “lixo” que se tornará extremamente valioso para multinacionais de todos os tipos e que já se mostraram interessadas em adquirir este lixo valioso para seus negócios. Se isto ocorrer, os grandes plantadores de soja, por exemplo, (que já estão no negócio) poderão adquirir as terras dos pequenos produtores a preço vil e estes pequenos produtores se tornariam migrantes. É preciso, segundo Chico, que o Governo esteja atento para, por meio de legislação, impedir que tal coisa venha a ocorrer.

Menezes ainda acha preocupante o caso do etanol. Quem irá plantar a cana? Os grandes produtores de soja, por exemplo, poderão usar suas terras para a produção de cana em alta escala. Este tipo de produção é mecanizada ao extremo e não emprega a mão de obra local. Poderia criar  um problema social pois o Governo tem pouco ou nenhum controle sobre o agronegócio. Haveria o perigo da monocultura de forma avassaladora e na qual usariam agrotóxicos em profusão. No caso da produção de etanol a partir da cana-de-açúcar há a formação de um subproduto – o vinhoto – altamente tóxico e poluente e que, se mal manuseado, iria poluir os mananciais. Usariam, estes grandes produtores de etanol, lavoura mecanizada ou trabalho escravo ou semi-escravo. É preciso, segundo Chico, que o Governo esteja atento e seja ágil a fim de legislar de modo a proteger os pequenos produtores e/ou os trabalhadores. Os integrantes do PAC discutem vários assuntos relativos à produção de biodisel e de etanol (mais especificamente) mas não se mostram preocupados com o homem do campo ou com os trabalhadores que seriam utilizados em tais atividades.
Se os grandes produtores vão receber subsídios do Governo para implementar a produção de biodisel/etanol, o governo deve e pode legislar de modo que tais produtores tenham obrigações e compromissos . Deste modo, de acordo com o Chico Menezes, se resolveria o problema energético sem que haja posteriormente um problema social.

Jean-Pierre Leroy falou sobre usinas produtoras de energia elétrica. Segundo o ambientalista, há gente do Governo que pensa em grandes barragens para a construção de grandes hidrelétricas. O Governo não pensa em alternativas (que foram estudadas) tais como a repotencialização das usinas já existentes. Há cerca de 70 dessas usinas, lembrou Jean-Pierre, que podem ter seus equipamentos modernizados a um custo muito menor, seja em termos financeiros, seja em termos de evitar problemas sociais. Grandes barragens inundam grande áreas com o com seqüente deslocamento de populações que ficarão marginalizadas, sem sua cultura (lato sensu), sem seus hábitos, e seu chão.

Jean-Pierre falou ainda que nessas grandes inundações há grande produção de gás metano produzido pelos vegetais, que ficam submersos. Metano é altamente poluidor do meio ambiente. Disse o ambientalista que poderia haver, em vez da criação de grandes barragens e usinas hidrelétricas, a criação (isto sim, muito mais socialmente desejável) de uma rede de açudes que levariam em conta a microeconomia do sertanejo sem deslocamento populacional.

Na Paraíba já há um projeto pronto, feito, bem-sucedido, que aproveita a água da chuva numa rede de cisternas aliada a uma rede de açudes. De acordo com Jean Pierre, tal experiência poderia ser usada na área do Rio São Francisco, sem que seja necessária a sua transposição.

Jean-Pierre Leroy sugeriu que o Mhud poderia entrar em contato com a Sasop
 (Serviço de Assessoria às Organizações Populares Rurais), em Salvador, para saber mais sobre projetos alternativos e bem-sucedidos que foram implementados na Bahia. Falou ainda que em Belo Horizonte os novos projetos de construção são obrigados a levar em conta a captação de água da chuva para o uso doméstico (há legislação a respeito, obrigando as construtoras a esta prática). Disse que quando há produção de soja e quando esta soja é exportada para países onde será usada para alimentação de criação, estamos exportando também a nossa água, o nosso solo fértil. Ou seja, estamos exportando junto uma riqueza não renovável e causando a aridez do solo, a desertificação e a erosão de nosso solo.

Dira agradeceu a presença e a contribuição dos convidados e foi definida a próxima reunião do MHuD para 28 de junho, quinta-feira, às 20 horas. A pauta prevê o encaminhamento de decisões resultantes das discussões realizadas nesta reunião e fazer os últimos acertos relativos às próximas eleições

 


Jean Pierre e Chico Menezes


Fotos: Salete Hallack



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