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Fórum Social Mundial 2008 - RioComVida



26/01/2008


 

 


Maria Zilda e Dira Paes


Maria Zilda, Leonardo Boff, Marcia Miranda, Dira Paes, Bruno Cattoni,
Maria Juçá, IBASE e Adair Rocha

Dira Paes, Cibele Vrcibradic e Maria Zilda

Tenda do MHuD

Ligia Nogueira





Fotos:Salete Hallack e GPTEC

ARTIGO PARA O JORNAL BRASIL DE FATO

Bruno Cattoni, coordenador geral do Rio Com Vida

      O Fórum Social Mundial desenvolveu o evento Rio Com Vida, no Rio de Janeiro, em 26 de janeiro de 2008. A cultura foi o fio condutor das atividades. Manifestações que uniam arte e cidadania aconteceram em sete tendas temáticas e em quatro palcos. Os movimentos sociais participaram através de ongs, redes, fóruns, associações e campanhas. Movidos pelo espírito de integração das lutas libertárias, os participantes encontraram um ambiente de troca de experiências e de fraternidade no Aterro do Flamengo, num espaço de um quilômetro de extensão, na orla do mar, tendo como paisagem a baía da Guanabara e o morro do Pão de Açúcar.
      
O morador do Rio conheceu o sentido do Fórum Social Mundial, sintetizado na frase “um outro mundo é possível”. No Brasil, este lema ecoou em mais 57 iniciativas em várias cidades. Em 72 países, era a seguinte a intenção dos organizadores do FSM: promover a discussão dos problemas que afetam a cidadania e os direitos humanos, em todo o planeta, mas dentro de perspectivas locais. As distâncias e as dificuldades dos povos em participar dos eventos centralizados do FSM impuseram a necessidade de realizar mobilizações simultâneas ligadas entre si pela Carta de Princípios do Fórum e pelo anseio de um nova ordem econômica, mais justa, solidária e humana, confrontando com as plataformas do neoliberalismo, sistema econômico e sócio-político que produz e espalha desigualdade, desprezo pelas diferenças, escravidão, exclusão social e sofrimento, além de destruir o meio ambiente e a vida na Terra.

        Para que o Rio Com Vida se materializasse, o Comitê Rio do FSM trabalhou com os movimentos sociais do Estado do Rio durante seis meses, aprofundando as questões que afligem o povo fluminense, como a violência, a desorganização urbana, o isolamento das comunidades, o racismo, a corrupção eleitoral, a falta de promoção do direito humano, a reforma agrária, e a insuficiência das políticas públicas nas áreas de moradia, educação, alimentação, transporte, saúde e saneamento básico. Em outubro e em dezembro, duas convocações principais ocorreram no Circo Voador, um ponto de encontro da cultura carioca e espaço de reverberação de tendências sociais da juventude.

        Nestes eventos concentrados, onde tiveram ênfase a troca de informações, a cultura e o debate político, houve a participação do MST, da CUT, da Ação da Cidadania, da Associação Brasileira das Organizações Não-governamentais, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, do Fórum Popular do Orçamento, do Movimento Humanos Direitos, do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul, do Conselho Regional de Economia, da Viramundo, da Ação pelo Semelhante, do Grupo Pela Vidda, do Grupo Raízes Africanas, do Grupo Nação Maré, das Artesãs da Maré, de representantes das universidades, da Igreja Católica e das Assembléias de Deus, de centros sociais e de pólos culturais do Estado do Rio de Janeiro.

        No dia 26 de janeiro, finalmente, o resultado deste trabalho de preparação aconteceu no Aterro do Flamengo, de forma plena, consciente e com um alto grau de representatividade das lutas sociais. Na Tenda das Idéias houve espaço para mais de oitenta estandes, onde cento e cinqüenta organizações, redes, fóruns, associações, campanhas, entidades de classe e religiosa socializaram o espaço para mostrar a dimensão da sua luta. Ativistas de diversos segmentos do movimento social dividiram um microfone para expressar as suas preocupações, propostas e indignação numa arena livre de debate e convergência de ideais.

        Na Tenda de Alimentação, encontrou abrigo a culinária étnica, e tiveram visibilidade as formas autogeridas e sustentáveis de produção alimentar do Estado do Rio de Janeiro. Reuniram-se ali grupos ligados à alimentação orgânica e à agricultura familiar, com ênfase nos itens alimentares tradicionalmente brasileiros. Exaltou-se a consciência de um comércio justo, de consumo ético e solidário. Promoveu-se a idéia de segurança alimentar nutricional em favor da qualidade de vida e da saúde, a partir de convicções importantes, como a não-comercialização de produtos com aditivos químicos e agrotóxicos, além de nenhum tipo de refrigerante ou cerveja industrializada, nem o consumo de cigarros. Na Tenda da Economia Solidária, as participantes se organizaram para trocar produtos, serviços, experiências e idéias. O intercâmbio pôde ser feito de forma direta, entre produtores e consumidores. Cultivou-se ali confiança, cooperação, solidariedade, transparência e distribuição da riqueza.
         Na Tenda Audiovisual, o público pôde assistir durante todo o dia a uma programação de filmes e vídeos sobre recentes acontecimentos da história política brasileira, e sobre questões relevantes para os direitos humanos, a cidadania e a soberania nacional. Na Tendas da Crianças, desenvolveram-se atividades voltadas para o público infantil, como a promoção da leitura e da cultura, através de contadores de história, e do teatro de bonecos. Na Tenda de Artes Cênicas e nos Palcos da Vida, revezaram-se oitenta grupos de dança, teatro, poesia, e música dos gêneros hip hop, rap, samba, pop e regional. À noite, o cantor e compositor Martinho da Vila, sempre envolvido com as causas sociais, apresentou-se num grande palco montado nas areias da praia do Flamengo. O espetáculo foi antecedido de pronunciamentos do teólogo Leonardo Boff e do sociólogo Cândido Grzybowski, do Ibase, representante do Brasil no Conselho Internacional do FSM. Também falaram as atrizes Maria Zilda e Dira Paes, ambas representando o Movimento Humanos Direitos, que integra o Comitê Rio do FSM. Coube à Dira, paraense, convidar o público para o próximo encontro do Fórum, em Belém.    

         Para complementar o relato sobre o Rio Com Vida é fundamental falar da medula do projeto. Se a cultura restaura na Humanidade o seu cosmos, e o redime perante o caos, decidiu-se que para esta operação ser tanto mais eficaz quanto verdadeira, precisaríamos de alta conectividade. Para dinamizar este elemento na expansão do sentido do Fórum Social Mundial, os organizadores do Rio Com Vida criaram a Tenda das Conexões, um espaço para os visitantes interagirem com o público de outros eventos que aconteciam simultaneamente. Disponibilizou-se no portal www.riocomvida.org.br uma ferramenta de mensagem, o Chat, com seis salas de conversa. Havia um tradutor de idiomas na tenda, para facilitar os diálogos. Para o aperfeiçoamento do sistema de comunicação, imagens do evento e depoimentos dos participantes foram exibidos em tempo real – streaming de áudio e vídeo. Tudo o que aconteceu no Rio Com Vida foi filmado e transmitido para internautas presentes nas mobilizações do FSM mundo afora. Utilizou-se deliberadamente as mesmas armas da mídia tendenciosa, ou seja, a tecnologia de comunicação de massa, para promover valores e conceitos habitualmente rebaixados para o mais profundo abismo, segundo a agenda oculta do neoliberalismo.
  
     A universalização e a visibilidade do Fórum Social Mundial estarão definitivamente efetivadas e coroadas se esta experiência da Tenda de Conexões do Rio Com Vida for desdobrada e potencializada no futuro através de uma Rede Mundial de Comunicação Alternativa, totalmente independente da mídia do mercado. A iniciativa, que uniria internet, rádio e televisão, seria a concretização do sonho de interatividade entre os fóruns regionais, nacionais, locais, e temáticos nascidos dos ideais do Fórum Social Mundial. Será o Marco Zero de uma nova estratégia de comunicação entre os movimentos sociais do mundo inteiro, que supere o “filtro” da mídia de mercado e implante no mundo uma rede de informação do mundo livre, que integrará não só os participantes de Jornadas de Mobilização do FSM, mas milhões, e até bilhões, de pessoas, no futuro. Em meio às perplexidades geradas por um mundo de compreensão cada vez mais difícil, é este um dos desafios que serão propostos em 26 de janeiro de 2009, quando o Fórum Social Mundial voltará a ser centralizado num evento único, em Belém do Pará
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