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Carta para Sec. de Segurança e Polícia Civil do Pará, sobre desaparecimento de Washington Freitas Martins



02/04/2014

 

 

 TRABALHADOR MARANHENSE ASSASSINADO EM FAZENDA NO SUDESTE DO PARÁ

 

               Compareceu  no escritório da Comissão Pastoral da Terra - CPT da diocese de Marabá, o casal Domingos Otávio Cruvel Martins e Maria Leci de Freiras Martins, para denunciar que seu filhoWASHINGTON DE FREITAS MARTINS, casado, pai de uma filha, saiu de casa, na cidade de Nova Olinda, Maranhão, no dia 05 de março de 2014 para trabalhar em fazendas do Pará e não mais retornou.

                  O casal informou que seu filho, logo que chegou na cidade de Jacundá, foi contratado, um mês depois, para trabalhar na fazenda Água Vermelha, de propriedade do fazendeiro Paulo Barbosa, localizada no município Goianésia.  O casal contou que em algumas vezes que o filho ligou para eles, dizia que trabalhava na referida fazenda e que tão logo conseguisse dinheiro retornaria para junto de sua mulher e filha em sua cidade no Maranhão. O último contato de Washington com a família foi em 09 de setembro de 2013, quando informou que pretendia retornar para casa no final daquele mês. No entanto, na data prometida não retornou e não deu mais notícias.

                Em meados de outubro, os pais, preocupados, conseguiram estabelecer contato com o escritório da Fazenda e falar com o proprietário, o Fazendeiro Paulo Barbosa. Indagado sobre o paradeiro do filho, que era seu funcionário, ele teria dito que não tinha responsabilidade com os empregados e que a responsabilidade pela contratação era do seu gerente e vaqueiro. Preocupado, o casal viajou de Nova Olinda para Jacundá, se dirigiu para o escritório da Fazenda para pedir esclarecimentos sobre o que teria acontecido com seu filho. O Fazendeiro informou apenas que Washinton tinha sumido e não sabia do destino que teria tomado.

      O casal então procurou a Delegacia de Goianésia em busca de informações. Ao apresentarem a foto de seu filho, foram informados por um policial civil que em 11 de outubro de 2013, o corpo de um rapaz com as características, tinha sido encontrado dentro de um buraco, no interior da Fazenda Água Vermelha, de propriedade do Fazendeiro Paulo Barbosa. Devido o corpo ter sido localizado dias após o assassinato o delegado requisitou então exame de DNA para comprovar a identidade do corpo. O resultado do exame comprovou que, de fato, o corpo era de Washingtom. O médico perito do IML de Goianésia, atestou que Washington foi assassinado com tiros na cabeça.

           Passados três meses sem que a polícia local tenha feito qualquer esforço para apurar o crime, no dia 21 de fevereiro do ano corrente, o casal retornou à Delegacia de Goianésia e, de posse do exame de DNA, registrou uma ocorrência. Um mês depois, a única peça investigatória encontrada na Delegacia sobre o assassinato de Washington, foi o mesmo boletim de ocorrência registrado pelos denunciantes e nada mais. Mesmo com a identificação  da vítima, a polícia não fez qualquer diligência, não ouviu ninguém e nada fez para apurar o crime.

               Washington pode ter sido vítima de trabalho escravo, de crime de pistolagem, mas, sem investigação, a família continua sem respostas sobre o que realmente aconteceu com seu filho no interior da Fazenda. O assassinato de Washington é mais um caso entre tantos outros trabalhadores maranhenses que saem para trabalhar em fazendas do Pará, são assassinados e os crimes permanecem totalmente impunes.   

 

                                            Marabá, 31 de março de 2014.

 

Comissão Pastoral da Terra  do sul e sudeste do Pará



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