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MHuD entrevista Thiago de mello



03/07/2009

THIAGO DE MELLO é entrevistado pelo Movimento.

No Rio de Janeiro, dia 03 de Julho de 2009, o MHuD, a pedido da Revista da Secretaria de Direitos Humanos, entrevistou o poeta Thiago de Mello.

Do Movimento, participaram da entrevista: Bruno Cattoni, Daniel Souza, Generosa Silva, Leticia Sabatella, Ricardo Rezende, Salete Hallack, Virgínia Berriel.

Outros convidados: Andre Gonçalves - Ator, Clara Lopes - Estudante, Edilene Rodrigues – Jornalista, Enrica Bernardelli, Ricardo Dias – Advogado, Tatiana Camargo – Professora, Pollyana Lima – Poeta e Professora.

A entrevista sairá na REVISTA DIREITOS HUMANOS, coordenada por Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos.

Você também poderá ler a entrevista na íntegra, em nosso site, a partir de Setembro, em ENTREVISTAS.

 




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FOTOS: Generosa Silva e Salete Hallack

Sobre o poeta:

Biografia  

Thiago de Mello é  o nome literário de Amadeu Thiago de Mello, nascido a 30 de março de 1926, na pequenina cidade  de Barreirinha, fincada à margem direita do Paraná do Ramos, braço mais comprido do Rio Amazonas, no meio do pedaço mais verde do planeta: a Amazônia. 

O poeta, ainda criança, mudou-se para capital, Manaus, onde iniciou seus primeiros estudos no Grupo Escolar Barão do Rio Branco e o segundo grau no então Gyminásio Pedro II. 

Concluído os estudos preliminares mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou na Faculdade Nacional de Medicina. Por lídima vocação, ou por tara compulsiva, como ele prefere, abraçou o ofício de poeta abandonando o curso de medicina para se entregar, por inteiro, ao difícil e duvidoso (em termos profissionais) caminho da arte poética.    

Vivia-se o glamour dos anos 50, num Rio de Janeiro capital do país, ditando para todo Brasil não só as questões de cunho político, mas sobretudo, os eventos artísticos e acontecimentos da produção literária. Hegemonia mantida até hoje mas compartilhada com a cidade de São Paulo e seu efervescente ambiente cultural. 
 
Em 1951, com o livro Silêncio e Palavra, irrompe vigorosamente no cenário cultural brasileiro e de pronto recebe a melhor acolhida da crítica. 

 
Álvaro Lins, Tristão de Ataíde, Manuel Bandeira, Sérgio Milliet e José Lins do Rego, para citar alguns nomes ilustres, viram nele e em sua obra poética duas presenças que, substanciosas e duradouras, enriqueceram a literatura nacional. 

 
"... Thiago de Mello é um poeta de verdade e, coisa rara no momento, tem o que dizer", escreveu Sérgio Milliet. 

O correr dos anos só  fez confirmar suas qualidades e justificar os elogios com que fora recebido pela intelligentsia brasileira. O amadurecimento permitiu ao poeta mergulhar profundamente as raízes da sensibilidade e da consciência crítica na rica seiva humana de um povo ao mesmo tempo tão explorado, tão sofrido e tão generoso como o nosso, e sua poesia, sem perder o sóbrio lirismo que a inflamava, ganhou densidade e concentração, pondo-se por inteiro a serviço de relevantes causas sociais.   

Faz Escuro, mas eu Canto; A Canção do Amor Armado; Horóscopo para os que estão vivos, Poesia Comprometida com a minha e a tua Vida; Mormaço na Floresta; Num Campo de Margaridas realizam, por isso, a bela síntese do poeta e do homem que jamais se deixou ficar indeciso em cima do muro de confortável neutralidade. O poeta e o partisan eram uma só pessoa, dedicada sem medir esforços ou riscos à luta pela emancipação do homem, tanto dos grilhões que injustas estruturas do poder econômico-político  lhe impõem quanto das limitações com que individualismo, ignorância ou timidez lhe tolhem os passos.   

A biografia de um poeta assim concebido e a tanto cometido não poderia jamais desenvolver-se num plano de tranqüila rotina. A de Thiago de Mello teve, por isso mesmo, suas fases sombrias e borrascosas, realçada por arbitrária prisão e longo e doloroso exílio da pátria a que tanto ama e serve.   

Essas provações, que enfrentou com a serena firmeza de quem as sabe inevitáveis e delas não foge, enriqueceram-no ainda mais como poeta e ser humano. Alargando sua weltanschauung, permitiram-lhe comprovar o acerto de sua intuição de que o geral passa pelo particular e de que, como dizia seu grande colega Fernando Pessoa, tudo vale a pena/ se a alma não é pequena.   

No livro mais recentemente publicado, De Uma Vez Por Todas, todas as linhas marcantes de sua poesia, o lirismo, a sensibilidade humana, a alegria de viver, a luta contra a opressão, o amor constante à Amazônia natal se reúnem harmonicamente, num tecido de rara força e beleza. O poeta não escreve seus poemas apenas em busca de elegância formal: neles se joga por inteiro, coração, cabeça e sentimento, e isso lhes dá autenticidade e força interior.

Algumas obras do autor:

Poemas:  
 
Silêncio e Palavra, 1951  
 
Narciso Cego, 1952  
 
A Lenda da Rosa, 1956  
 
Vento Geral, 1960 (reunião dos livros anteriores e mais dois inéditos: Tenebrosa Acqua e Ponderações que faz o defunto aos que lhe fazem o velório) 
 
Faz Escuro, mas eu Canto, 1965 
 
A Canção do Amor Armado, 1966 
 
Poesia comprometida com a minha e a tua vida, 1975 
 
Os Estatutos do Homem, 1977 (com desenhos de Aldemir Martins) 
 
Horóscopo para os que estão Vivos, 1984 
 
Mormaço na Floresta, 1984 
 
Vento Geral – Poesia 1951-1981, 1981 
 
Num Campo de Margaridas, 1986 
 
De uma Vez por Todas, 1996

Prosa
 
Notícia da Visitação que fiz no Verão de 1953 ao rio Amazonas e seus Barrancos, 1957 
 
A Estrela da Manhã, 1968; 
 
Arte e Ciência de Empinar Papagaio, 1983 
 
Manaus, Amor e Memória, 1984 
 
Amazonas, Pátria da Água, 1991 (edição de luxo, bilíngüe (português e inglês), com fotografias de Luiz Cláudio Marigo). 
 
Amazônia — A Menina dos Olhos do Mundo, 1992 
 
O Povo sabe o que Diz, 1993 
 
Borges na Luz de Borges, 1993.

Discos
 
Poesias de Thiago de Mello, 1963 
 
Die Statuten des Menschen. Cantata para orquestra e coro. Música de Peter Jansens, 1976 
 
Thiago de Mello, Palabra de esta América. Casa de las Américas. La Habana, 1985 
 
Mormaço na Floresta. Locução do autor, 1986 
 
Os Estatutos do Homem e Poemas Inéditos, 1992



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