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PE: Exposição de fotos das Caravanas do CREMEPE - filme



04/12/2012

PE, Recife, CREMEPE - Conselho Regional de Medicina de Pernambuco

Veja as fotos da exposição no site: www.exposaletecaravana.com.br 

  

Salete Hallack do MHuD                                                                       Dra. Helena Carneiro Leão, presidente do Cremepe e Salete Hallack 

 

As fotos captadas pela lente de Salete Hallack mostram caras, risos, sofrimento, alegria e desejos de pessoas que vivem nos grotões pernambucanos esquecidos pelo Poder Público. A fotógrafa acompanhou passo a passo a Caravana que cruzou todas as regiões do Estado para conhecer a realidade nua e crua de cada município.

A Caravana é um projeto social do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e do Sindicato dos Médicos (Simepe). Participam desse projeto, médicos, estudantes da área de saúde, promotores, psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas, artistas, militantes de movimentos sociais e funcionários de entidades médicas.

São visitados hospitais, postos de Saúde e na rua é coletada a opinião dos moradores. Uma peça de teatro (“Menina Abusada”) é encenada em cada lugar por onde passa a Caravana. Como também é exibido um Filme (“Pela Vida, Pelo Tempo”). Os caravaneiros usam a arte para passar uma mensagem de cidadania a quem muitas vezes não sabe o que é ter água em casa todos os dias, a quem não tem acesso à justiça, aos que não se sentem protegidos pelo Estado, ao professor mal remunerado, aos que não conseguem atendimento médico. Enfim, a todos que de uma forma ou de outra clamam pelos seus direitos mais elementares.

E essa exposição de Salete Hallack é uma imersão, de forma sensível e humanística, nesse mundo tão desigual. São retratos coloridos de uma realidade em preto e branco.

 

 

                                                           "o sertanejo é antes de tudo um forte."
                                                                                                                                       Euclides da Cunha "SERTÕES"

 

Entre os anos de 2005 e 2011, o Conselho Regional de Medicina e o Sindicato dos Médicos de Pernambuco visitaram todos os municípios de Pernambuco por duas vezes.
Médicos, estudantes da área de saúde, promotores, psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas, artistas, militantes de movimentos sociais, funcionários de entidades médicas, mais de 100 pessoas visitaram todo Pernambuco, do litoral ao Sertão. 

Fiscalizando hospitais, reunindo conselhos de saúde, tutelares, conversando e colhendo opinião nas ruas, foi sendo composto um mosaico.
Levando arte através da" Peça menina abusada", exibindo o filme "Pela vida pelo tempo", levando a arte popular do "GRAFITE" ao interior e da dança de salão nas praças públicas, fomos disseminando cidadania, arte como transformação social e conhecendo a realidade adversa daquela maioria de nossa gente que vai a escola de pau-de-arara, que se trata em unidades de saúde precárias e que aprende com professores mal remunerados.

São cidades onde a oferta de água muitas vezes é semanal e não há coleta de lixo diário. Cidades sem saneamento básico e com analfabetismo de adultos elevados. Conhecemos um povo que sobrevive do bolsa-família e da economia as custas dos aposentados. Cidades pequenas onde o Estado não chega e em que delegados, promotores e juízes acumulam várias comarcas. Cidades onde os cinemas se transformaram em igrejas evangélicas e que o lazer tem gosto de aguardente. 

Estivemos em comunidades quilombolas e outras indígenas. 
Conhecemos a banalização do abuso sexual e exploração de crianças e adolescentes. 
Constatamos a violência contra as mulheres, idosos e pessoas com deficiência. 

Da questão do crack que se disseminou pelo interior até a migração da violência urbana para as áreas rurais, de todo este conjunto, levamos a opinião pública  e aos três poderes em níveis federal e estadual toda esta realidade nua, desmistificada e sem "marketing".

Essa exposição pelo olhar sensível e humano através da lente por Salete Hallack retrata toda a emoção que as palavras com suas letras não conseguem traduzir.
Encerramos este ciclo, mas a caravana não cessará. Dirige-se agora as quase duzentas comunidades e favelas do Recife. 

 

 

Estrada.chão.

mata.agreste e caatinga

Calor que escalda.

Seca e falta d´água.Mágoa.

E  falta letra e falta escola.

Precisa escolta. Ida sem volta

Mata. Zona da Mata, mata a liberdade.

Seres escravizados. Humanos desavisados.

Velhos sem idade nem mesmo identidade .

Sem dente. Também sem ter o que comer

Ou o que colher e por em sua colher.

Enquanto outros  na mamata, matam e desmatam.

Vida agreste, lenta e violenta

 E indolente ou insolente, vida inconseqüente.

Morte. De inocentes .sentes?? Sentes!!!!

Que nas mulheres a vida é como corte

Sorte. Pior que a morte e a vida que se leva  .

Treva! , É como o bode que sangra no pescoço, moço

E sai de perto , que quanto mais abusam são mais fortes...

Vida que  o tempo  vai mais devagar... pra onde?.

Que é  pra talvez doer mais forte  a fome,

“Que os home lá de cima  determina: Vida termina.”

E o Sol consome os ossos na  carne  viva. Viva.

Mas viver mesmo é  mesmo a teimosia

Dos que  sem saúde, lazer ou alegria,

Na ausência da cidadania  a sobreviverem fortes.

E é  na cachaça que no “estambo”  arde.

Arte de delirar-te , arte com cor e cheiro

De esquecido povo brasileiro

ao longo dessa droga de vida, tão pouco dividida

Droga pra fugir dessa realidade

Ver se com ela se morre antes que de fome.

Fome de ser tão, sertão igual aqueles que tudo podem.

E tudo impedem e assim a vida implode


Ricardo Paiva



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