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MHuD vai ao AMAPÁ: Macapå, Calçoene, Lourenço e Oiapoque



10/08/2012

 

 

RELATÓRIO DA VIAGEM

De 10 à 19 de agosto de 2012

Participaram da viagem de trabalho as Irmãs Marie Henriqueta Cavalcante – Coord.  da Comissão Justiça e Paz – Regional Norte 2-CNBB -, Osnilda Lima – FSP Paulinas SP, Revista Família Cristã -, e Maria Irene Lopes dos Santos – da Comissão de Evangelização para a Amazônia da CNBB. Além das religiosas, participou a fotógrafa e diretora do Movimento Humanos Direitos - MHuD  Salete Hallack.

A equipe se encontrara na capital do Amapá, Macapá e seguiu para Calçoene, Lourenço e Oiapoque.

 

      

 

Após traçarem o percurso de viagem, foram visitar a família de uma jovem do município de Portel que morava em Macapá e foi traficada para a Guiana Francesa ou Suriname e hoje, a família desconhece seu paradeiro. Foram recebidas por uma tia da jovem que não tinha informações que as ajudassem  a identificar os fatos.

 

      

 

No mesmo dia, Irmã Marie Henriqueta acompanhada de Irmã Maria Irene Lopes, foi ao encontro do Procurador da República do Estado do Amapá Dr. George Lodder, para averiguar com o mesmo  as denúncias que chegaram até a Comissão Justiça e Paz de Tráfico de Pessoas para a Guiana Francesa.

Irmã Osnilda e Salete foram ao Quilombo Curiaú.

 

 

 

Às 19:h00, Irmã Marie Henriqueta se reuniu com os possíveis integrantes da Comissão Justiça e Paz, onde colocou detalhadamente os objetivos da CJP, para facilitar a compreensão daqueles que foram convidados. Irmã Maria Irene e Salete também estavam presentes.

 

             

 

No dia 11 de agosto, logo cedo, partiram para o município de Calçoene e foram acolhidas pelas Irmãs da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora Menina, da qual Irmã Henriqueta  faz parte. Estavam presentes as Irmãs Terezinha Casarin, Maria do Socorro Silva, Palma Lomboni e Irmã Maria das Graças Góes que por questão de doença estava ausente.

 

                       

 

Calçoene, município da região  nordeste do Estado do Amapá, está a 384 quilômetros da capital Macapá. A população é estimada em 8.964, de acordo com IBGE 2010. E a área geográfica abrange 14.269,258 quilômetros quadrados. Os moradores da cidade vivem basicamente das atividades de pesca, criação de búfalos, colheitas de frutas da floresta como o açaí, bacaba, tucumã, coco, cupuaçu, macaxeira, a extração do ouro no distrito de Lourenço, além do funcionalismo público e do comércio. A pesca e o garimpo são as principais fontes de renda para as famílias calçoenense.        

 

     

     

 

O grupo de adolescentes que se encontra aos sábados na comunidade Nossa Senhora da Conceição para a preparação do Sacramento da Crisma, em uma roda de conversa, reclama o descaso do poder público para com a cidade. Eles lamentam a inexistência de cursos universitários, empreendimentos que apresentem perspectiva de futuro para permanecer na cidade. Contam que se alguém deseja continuar estudando após a conclusão do ensino médio precisa alugar uma quitinete na capital, Macapá. No entanto, a família que não possui condições financeiras, os jovens não têm como continuar estudando. Afirmaram sentirem vergonha da cidade pelo total abandono que se encontra. A avenida principal, única que possui asfalto, está cheia de buraco. As demais ruas são de chão batido. Os adolescentes se perguntam para aonde vai o investimento que vem para o município.

 

       

 Irmã Teresinha  - catequese                                                                                        Irmã Socorro – catequese       

 

Outra preocupação dos adolescentes é o índice alto de meninas que engravidam entre 12 a 15 anos. Desabafam que pela falta de perspectivas engravidam. Acreditam ser a única alternativa para mudar, contudo muitos namorados não assumem o filho, os pais as põem para fora de casa. As meninas reclamam que somente a adolescente agüenta as conseqüências. Segundo elas, o pai da criança parece que não teve participação.

 

       

 

Questionados referente à questão das drogas, eles foram unânimes em falar que é grande a oferta na cidade. Uma adolescente contou que uma pessoa chegou até ela, apresentou a droga e disse: “Você não quer trabalhar com a gente? Trabalhar com isso dá muito dinheiro, sabia?” Ela desabafa: “Claro sem futuro para nós aqui, quem é fraco vai mexer com isso, mas sabemos que a vida é curta para quem se envolve com as drogas”. Outra preocupante realidade apontada pelos adolescentes é a prostituição, próximo ao local aonde chegam as embarcações com os pescados e, segundo eles, é nelas que na maioria das vezes chega as drogas, em meio aos gelos dos pescados. Mais um agravante é a oferta de emprego para trabalhar na cidade do Oiapoque com propostas irrecusáveis. Contudo, ao chegar lá tudo muda e o sonhado trabalho acaba se tornando um drama, pois são obrigadas a se prostituírem em bordeis e, chegam lá devendo, dificilmente conseguem quitar as despesas. As meninas que “dão lucro” são “vendidas”, por valores significativos e levadas à cidade francesa de Caiena e daí seguem para outros países.

 

    

    

Irmã Henriqueta com Irmã Palma

 

Os adolescentes sonham com dias melhores para eles e toda a Calçoene, pois segundo eles a inexistência de políticas públicas é total, desabafam que é crítico a questão da saúde, da cultura e do entretenimento. O que funciona razoavelmente é a educação.

Já o comerciante, Benedito Cosme de Menezes, acredita que não há poder público corrupto sem um povo que se deixar corromper. Ele crê que a nova geração que está com possibilidade de estudar possa ajudar da mudança da cidade, exigir e garantir os direitos.

 

     

     

Ao percorrer a Br 156,que liga a capital Macapá à fronteira do Brasil com Guiana Francesa, onde se localiza a cidade do Oiapoque, há municípios, distritos, povoados esquecidos em uma estrada abandonada, boa parte dela de chão batido e em péssimas condições e sem o mínimo de apoio em caso de um imprevisto no caminho, a vida insiste. Pessoas guerreiras fazem a diferença em ações aparentemente escondidas, mas que é a única esperança à população.

 

Pessoas guerreiras fazem a diferença em ações aparentemente escondidas, mas que é a única esperança à população.

Dia 13, foram visitar o distrito de Lourenço, área de garimpo. A situação é de total abandono. Além da notória situação de exploração sexual.

 

    

    

Acompanhadas pela Irmã Terezinha Casarin, chegaram até a cidade, onde tiveram contato direto com os garimpeiros que estavam trabalhando, em situação precária, logo na entrada, mas não tiveram acesso ao garimpo.

   

   

   

Após o retorno de Lourenço, seguiram viagem para Oiapoque, onde foram recebidas pelos padres Luís Aparecido, Belarmino e Agustinho da Congregação do Verbo Divino.

                                                                                                                                                                                                                                                                                     

 

 

Com o Padre Agustinho visitaram a aldeia indígena do Manga onde residem os índios da tribo Karipuna. Visitaram as oficinas e conversaram longamente com o cacique Luciano que mostrou preocupação com os jovens pelo consumo de bebidas alcoólicas, exploração sexual e outras mazelas.

    

      

      

No dia 15 visitaram a fronteira. Foram até São Jorge na Guiana Francesa. Lá foi possível constatar a presença de muitos brasileiros que no momento, estavam reunidos em praça pública consumindo bebida alcoólica. Segundo o relato de pessoas que lá vivem, a passagem de mulheres brasileiras é muito grande que depois seguem para a região do garimpo e Cayena. Nessa viagem foram acompanhadas pela assistente social de Oiapoque Lúcia Alves.

   

   

 

No dia 16, Irmã Marie Henriqueta e Irmã Maria Irene visitaram o Conselho Tutela, mas na ocasião, não tinha um conselheiro no atendimento. O CRAS, onde se encontrava apenas a coordenadora, mas que não tinha nenhuma informação, pois estava acabando de assumir.

Visitaram ainda o Ministério Público Estadual e foram atendida pelo Chefe de Secretaria Hélio Grott. O mesmo disse que o Conselho Tutelar não encaminha denúncia de crimes contra as crianças e adolescentes. Que os casos de pessoas traficadas vão direto para a Polícia Federal. Que o início da vida sexual das crianças e adolescentes no Oiapoque começa muito cedo e que isso é causado também pela falta de estrutura familiar e que a ausência do poder público é muito grande. Disse ainda que o município de Oiapoque é um município de trânsito, pois a maioria que por lá passam vão para Ilha Bela e Vila Brasil.

Mencionou ainda a precariedade com que trabalha a polícia civil. E que a falta de estrutura dos poderes é um outro grave problema.

   

 

Saindo do MPE foram direto para a Delegacia da Polícia Federal, onde foram atendidas pela servidora Silvia Raquel Barbosa Saraiva, pois o delegado naquele exato momento estava saindo de viagem.

Silvia narrou que a PF já realizou um trabalho em conjunto com a polícia de fronteira. Que lamenta pelo fato de que fazem todo um esforço para resgatar as jovens que foram traficadas, algumas retornam e acabam caindo na mesma situação.

Um dos desafios da PF é justamente a inexistência de um projeto para o enfrentamento do tráfico de pessoas. Que todo poder público tem comprometimento com a prática desse crime.

Que não tem nenhuma dúvida de que a construção da Ponte Binacional que liga Brasil e Guiana Francesa aumentará o fluxo para o tráfico de pessoas e de drogas.

           

 

No dia 16,  pela parte da tarde, Irmã Marie Henriqueta e Salete Hallack, foram até a Boate da Silvia para conversar com as jovens que moram e trabalham na mesma. Antes de entrarem na boate foram observando tantas outras, tais como: Rola Papo ,Caldeirão que é administrada por uma senhora chamada Roberta e Carol Drinks.              

No dia 16, Ir.Henriqueta teve uma reunião com as catequistas da paróquia Nossa Senhora das Graças de Oiapoque, para falar da importância da catequese trazer para sua reflexão com as crianças ,adolescentes e famílias esse tema da exploração sexual e o tráfico de pessoas. Irmã Maria Irene e Salete também participam.

      

 

Durante a conversa com as catequistas elas confirmaram tudo o que escutaram das pessoas com quem tiveram contato para dialogar sobre esses crimes.

Foram também informadas que na Ilha Bela área de preservação florestal onde encontra-se mais de 200 famílias, lá é passagem de garimpeiros, prostituição, os programas das profissionais do sexo são pagos em ouro, que lá não tem lei, a lei é dos mais fortes.

No final do dia se reuniram com os três padres. No momento, pontuaram suas impressões e apresentaram algumas sugestões para os mesmos, como proposta a ser assumida dentro das pastorais da comunidade.

Dia 17, retornaram para a cidade de Macapá. Enfrentaram uma viagem extremamente desgastante, sacrificada pela precariedade do transporte ,que em menos de duas horas de distância de Oiapoque a caminhonete quebrou e ficaram toda a tarde na beira da estrada aguardando um novo carro que as conduzissem até Macapá. Chegaram por volta das 3:30 da madrugada.

                        

 

No dia 18, às 10:hs, acompanhada pelo Bispo diocesano Dom Pedro Conti, Irmã Marie Henriqueta voltou a ter reunião com os integrantes da Comissão Justiça e Paz para agendar o próximo encontro da Comissão nos dias 21 e 22 de setembro.

Na parte da tarde Ir.Marie  Henriqueta e Ir.Maria Irene foram visitar novamente a tio da jovem que foi traficada em busca de maiores informações, mas o mesmo não se encontrava. Em seguida acompanharam Dom Pedro Conti para a celebração Eucarística na Catedral de São José.

Ir.Osnilda Lima  e Salete Hallack foram para a comunidade quilombola para a celebração e procissão na comunidade quilombola Cariaú.

 

 

Dia 19 pela manhã, Irmã Henriqueta a convite do grupo de leigos, participou do encontro sobre Fé e Política, onde teve a oportunidade de falar sobre a Lei 9.840 e a importância do envolvimento dos leigos no Combate à Corrupção Eleitoral.

Concluíram a jornada no Estado do Amapá, com um momento de partilha, almoçando com as irmã de Nossa Senhora Menina que trabalham em Macapá.

Mais fotos:

   

   

   

   

   

   
FOTOS: Salete Hallack

Neste site:  Falta de políticas públicas deixa jovens do Amapá na prostituição   31/03/2014

                                      



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