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10 ANOS do MHuD e Prêmio João Canuto 2013



09/12/2013 00:00:00

O Movimento Humanos Direitos  comemora 10 anos.

Foram anos de compromisso com a luta por um país melhor.

Centenas de vezes membros do grupo - artistas e não artistas - para fortalecer esta luta e dar visibilidade aos empreendedores sociais:

* visitaram regiões onde pessoas estavam ameaçadas de morte e visitaram 
áreas de conflito;
* participaram de julgamentos e de atos públicos;
* produziram vinhetas que foram utilizadas em redes sociais ou/e cadeia 
nacional de TV;
* promoveram debates sobre o tema,
* estiveram no Congresso e no Senado;
* com ministros e com presidente da república;
* e concederam o Prêmio João Canuto a pessoas e instituições que se destacam 
na defesa dos direitos humanos.

 

 
1. Jônatas dos Santos Andrade: há  12 anos é juiz do Trabalho e atua na Comarca de Marabá, Pará. Destaca-se pela sua coragem em punir duramente pessoas e empresas acusadas de escravocratas:  condenou uma empresa a pagar R$ 6.600.000,00 por danos morais. De outra feita, determinou o leilão do gado de um fazendeiro acusado de crimes contra os trabalhadores de Rondon do Pará. Por sua atuação firme, foi ameaçado de morte. Suscitou a criação do Gaete (Grupo Interinstitucional de Erradicação do Trabalho Escravo) que mantem com recursos provenientes de condenações pela incursão no crime da escrazação de pessoas. Recebeu da Presidente o Prêmio Direitos Humanos 2012, na Categoria Erradicação do Trabalho Escravo.

2. Manoel Conceição Santos famoso lider campones, nascido em 1935 no Maranhão. Em 1962, na região de Pindaré, começou a se envolver com o movimento sindical e com a luta dos trabalhadores, criou 28 escolas de alfabetização e fundou o Sindicato de Trabalhadores Rurais do município. Foi perso e torturado pela ditadura. Foi para o exílio e retornou ao país e foi candidato a governador de Pernambuco em 1982. Continua envolvido nos movimentos sociais e políticos. 

3. Antônia Melo nasceu no Piauí e foi criada no Pará.  Começou sua militância nas Comunidades Eclesiais de Base. Violências contra crianças, em fins dos anos 1980, levaram  Antônia a liderar mulheres em protesto contra a negligência da Justiça. Criou o "Comitê em Defesa das Crianças e Adolescentes de Altamira" e, mais tarde, o "Movimento das Mulheres do Campo e da Cidade". "Nos anos seguintes, organizou a luta das mulheres do movimento Xingu Vivo para Sempre, despontando como referência mundial na preservação dos direitos dos brasileiros da Amazônia.  Em 2011, o bispo de Xingu, D. Erwin Kräutler, disse a resepito de Antônia Melo: "Ela é admirada nos dois hemisférios, nas Américas, na Ásia e na Europa. Quem fala em Xingu Vivo Para Sempre, se refere a esta mulher, mãe e irmã de todos os povos do Xingu".

4. Roberto de Figueiredo Caldas Graduou-se e fez mestrado na UNB. Em nome da OAB participou desde o início do Comitê Nacional pela Erradiação do Trabalho Escravo, e, conforme o site do Ministério das Relações Exteriores , em junho de 2012: "O Governo brasileiro recebeu com satisfação a eleição do Dr. Roberto Caldas ao cargo de juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Com 19 votos, foi o candidato mais votado na sessão da Assembléia Geral da OEA, em Cochabamba, na Bolívia." Desde 2006 figura como membro da Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

5. Maria Rita Kehl Doutorou-se em Psicanálise, e se destacou como jornalista. Foi editora do Jornal Movimento,  participou na fundação do jornal Em Tempo e atuou como jornalista na Veja, Isto É, Folha de S. Paulo e O Estado de São Paulo. Quando matinha coluna neste último jornal, foi vítima do que chamou de “delito de opinião”.  O Estadão demitiu-a por causa de um texto em que critica a classe média por desvalorizar o voto dos mais pobres. Para ela, as elites brasileiras, ao afirmarem que o brasileiro pobre vota no PT por causa do Bolsa Família, desrespeitam a capacidade intelectual dos pobres.Escreveu: "O papel da Rede Globo e das novelas da Globo em domesticar o Brasil durante a ditadura militar"; “Deslocamentos do Feminino - A Mulher Freudiana na Passagem para a Modernidade”, foi vencedora do Prêmio Jabuti de Literatura na categoria "Educação, Psicologia e Psicanálise" com o livro O Tempo e o Cão. Integra a Comissão Nacional da Verdade.

6. Itamar Silva jornalista e ativista, atuou na melhoria da qualidade de vida no Santa Marta, oude nasceu, cresceu, casou e criou os filhos. Sua trajetória pessoal e profissional é marcada pela atuação como ativista social e defensor dos direitos humanos da população de favelas da cidade. Participou da Pastoral de Favelas. Militou na Federação de Favelas. Integrou o diretório nacional do PT . Interagiu com os movimentos sociais do mundo todo através do Fórum Social Mundial. Hoje é um dos coordenadores do Ibase, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas.
Presidente do Grupo ECO deu atenção especial às crianças e adolescentes. Montou uma escola de informática no Santa Marta e uma rede intranet com a participação de jovens do morro.

7. Cícero Guedes nasceu em Alagoas, foi cortador de cana em situação análoga à escravidão. Para fugir das condições desumanas de sua terra natal, migrou para o Rio de Janeiro. Mas, sem alternativas, foi para um canavial no norte fluminense. Em 1996 quando o MST se organizou para ocupar a fazenda onde estava o agricultor alagoano. Cícero passou a cultivar banana e legumes num lote de terra do assentamento Zumbi dos Palmares, o maior do estado do Rio. Referência em agroecologia, o agricultor extrapolou os limites do assentamento compartilhando seus conhecimentos com os professores e estudantes da Universidade Estadual do Norte Fluminense e da Universidade Federal Fluminense.  Responsável pelo Programa de Aquisição de Alimentos do governo federal, acompanhou a luta pela terra em toda a região de Campos. foiassassinado, com 12 tiros, nos arredores do assentamento. O MST do Rio de Janeiro recebeu notas de solidariedade de partidos, organizações, movimentos e sindicatos de Moçambique, Espanha, México, Guatemala, Chile, Argentina, Costa Rica, entre outros países.
(Onze dias depois do crime outra trabalhadora rural ativista sem-terra foi executada em Campos. O corpo de Regina dos Santos Pinho, de 56 anos, foi encontrado seminu, com um lenço vermelho amarrado ao pescoço.)

8. Henri Burin des Roziers nasceu em Paris em 1930, serviu no Exército francês, participou da resistência ao nazismo. Graduado em Letras pela Sorbonne e em Direito Comparado pela Universidade de Cambridge, doutorou-se em Direito na Universidade de Paris. De 1970 a 1978 dedicou-se ao trabalho com os imigrantes estrangeiros na França, sobretudo africanos. Começou a trabalhar em 1978 no atual Tocantins na Comissão Pastoral da Terra até 1990. em 1991, foi trabalhar no sul do Pará. Atua no combate ao trabalho escravo e defende os trabalhadores em sua luta pela terra e contra a violência das milícias dos fazendeiros, utilizando as vias jurídicas. Em 2000, Frei Henri foi um dos advogados de acusação no julgamento de Jerônimo Alves do Amorim, fazendeiro que em 1991 mandou matar o sindicalista Expedito Ribeiro de Souza. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, desde 1999, Frei Henri está em uma lista de ameaçados de morte, como ocorreu com a missionária americana Dorothy Stang. Desde 23 de fevereiro de 2005, está sob proteção policial do Estado do Pará, a pedido da Ordem dos Advogados do Brasil.  Recebeu prêmios no Brasil e no exterior pela sua atuação em defesa dos direitos humanos.

9. Maria da Penha Maia Fernandes nasceu em Fortaleza, líder de movimentos de defesa dos direitos das mulheres, vítima emblemática da violência doméstica. Em 1983, seu marido, o professor colombiano Marco Viveros, tentou matá-la duas vezes. Na primeira, atirou simulando um assalto, e na segunda tentou eletrocutá-la. Por conta das agressões sofridas, ficou paraplégica. Dezenove anos depois, seu agressor foi condenado a oito anos de prisão. Por meio de recursos jurídicos, ficou preso por dois anos. O episódio chegou à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e foi considerado, pela primeira vez na história, um crime de violência doméstica. Hoje, Penha é coordenadora de estudos da Associação de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência, no Ceará. Em 7 de agosto de 2006, foi sancionada a Lei Maria da Penha, na qual há aumento no rigor das punições às agressões contra a mulher, quando ocorridas no ambiente doméstico ou familiar. A nova lei reconhece a gravidade dos casos de violência doméstica e retira dos juizados especiais criminais a competência para julgá-los.

10. Gloria Perez Na  TV Globo desde 1979, fez novelas de conteúdo social, incentivando as mudanças éticas de atitude e promovendo o debate em temas sensíveis da sociedade.  A primeira novela com este perfil foiBarriga de Aluguel. Um casal que não consegue ter filhos, propõe uma insólita parceria a uma jovem: que ela alugasse seu ventre para a gestação, ajudando-os a realizar seu sonho. Explode Coração, abordou hábitos e costumes do povo cigano. E apresentou uma importante campanha de utilidade pública, em benefício de menores desaparecidos. O Clone tocou em questões relacionadas à clonagem humana, islamismo e dependência química.  América trouxe a público uma variedade de temas polêmicos, entre os quais, a imigração ilegal, o homossexualismo e a cleptomania.  Em 2002, a autora foi homenageada pela Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas  e recebeu o prêmio Personalidade do Ano, conferido pelo Conselho Estadual Antidrogas. Em 2003, foi premiada pelos principais órgãos norte-americanos de combate ao tráfico de drogas pela campanha realizada em O Clone. Escreveu  Amazônia – De Galvez a Chico MendesCaminho das Índias, a primeira novela brasileira a ganhar o Prêmio Emmy Internacional, considerado o Oscar da televisão mundial. Em 2012, fez a décima novela dela - Salve Jorge. nas qual tratou do tráfico humano.

11. Irmã Geralda Magela da Fonseca, nasceu em Minas Gerais,filha de lavradores, atuou, em São Paulo, na assistência às crianças de rua. e fez o mesmo trabalho no Vale do Jequitinhonha. Foi para um assentamento de sem-terra numa fazenda particular, com quase duzentas famílias. A área, considerada improdutiva, debia ser desapropriada. Mas o chefe político local não aceitou e perseguiu os assentados, afugentando a maioria das famílias. Tornou-se em fundção de sua atividade, ameaçada de morte. Em 2004, cinco sem-terra foram assassinados e doze ficaram feridos em outro assentamento do Vale do Jequitinhonha, na cidade de Felisburgo. A tensão aumentou ainda mais em 2009, quando um novo prefeito assumiu em Salto da Divisa. Depois de escapar de duas emboscadas, Irmã Geraldina deixou o assentamento usando um disfarce e se manteve, por quase um ano, na condição de paradeiro ignorado. A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas fez audiência pública na cidade para conhecer melhor a situação. O drama das famílias dos sem-terra do Vale do Jequitinhonha foi relatado no Programa Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Um parecer recomendou ao Ministério Público, à Polícia Militar e à Defensoria Pública que oferecessem proteção à freira. Mas apenas em 2010 a religiosa pôde voltar a Salto da Divisa, sob escolta policial.
Irmã Geraldina entrou para o Programa de Proteção, mas atualmente a escolta está suspensa. Segundo os responsáveis pelo Programa, em Belo Horizonte, defensores públicos se mantém na região de Salto da Divisa para dar garantias de vida à religiosa dominicana. O Incra já está regularizando a situação para desapropriação da Fazenda Monte Cristo, e as terras onde mora hoje mora Irmã Geraldina, conhecidas como "Manga do Gustavo", foram declaradas devolutas. 

 

 
 

     Neste site: TODOS OS PRÊMIOS JOÃO CANUTO                                              

                          

                Quem foi João Canuto 


Após várias ameaças de morte, o dirigente sindical, João Canuto, foi assassinado com 18 tiros, no dia 18 de dezembro de 1985. Ele era perseguido principalmente por sua luta pela reforma agrária. O crime foi planejado por um grupo de fazendeiros do sul do Pará, entre eles Adilson Carvalho Laranjeira, fazendeiro e prefeito de Rio Maria na ocasião do assassinato, e Vantuir Gonçalves de Paula. O inquérito foi concluído oito anos após a ocorrência do crime. A denúncia foi feita pelo Ministério Público apenas em 1996. Um ano depois, sob ameaça da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) de condenar o governo brasileiro pela demora na apuração dos fatos, o andamento do processo foi agilizado. Em 1999, o Brasil foi condenado pela Comissão Interamericana devido à lentidão na apuração do caso. Sob pressão de organizações de direitos humanos, em 2001, os dois acusados foram pronunciados como mandantes do assassinato.

Vale ressaltar, entretanto, que a perseguição e violência contra os trabalhadores rurais continuam na região. Cinco anos após a morte de Canuto três de seus filhos, Orlando, José e Paulo, foram seqüestrados e dois deles foram assassinados. Orlando sobreviveu, mas ficou gravemente ferido. Expedito Ribeiro, sucessor de Canuto na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, foi assassinado em 2 de fevereiro de 1991. Um mês depois, Carlos Cabral, sucessor de Ribeiro e genro de Canuto, foi ferido num atentado a bala.

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